Já se tornou lugar comum afirmar que a pandemia de Covid-19 escancarou as deficiências da globalização, com suas concentrações de certos setores produtivos em países com custos de produção menores (em especial, mão-de-obra), longas e complexas cadeias logísticas baseadas no conceito “just-in-time” e, acima de tudo, o aparente triunfo do neoliberalismo como doutrina orientadora da formulação de políticas econômicas. De ...
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A armadilha da dependência das matérias-primas
O relatório “Estado da dependência de commodities 2021” (State of Commodity Dependence 2021), publicado recentemente pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), mostra que na última década aumentou o número de países dependentes de matérias-primas. De 93 países, em 2008-09, o número subiu para 101, em 2018-19. Cerca de dois terços dos países em desenvolvimento são dependentes ...
Read More »Brasil: “reprimarização” se acelera
A manchete principal do jornal Valor Econômico de 13 de outubro sintetiza o drama do desastroso processo de desindustrialização acelerada que afeta o Brasil: “Commodities respondem por 70% das exportações.” A reportagem apresenta os dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre). Nos nove primeiros meses do ano, os produtos primários representaram ...
Read More »“IPCC da Amazônia” quer salvar humanidade com “desmatamento zero”
O bioma Amazônia é um elemento crucial do sistema climático da Terra e encontra-se próximo de um ponto de inflexão de desmatamento e degradação. A situação exige um “alerta vermelho”, com ações imediatas que visem a um “desmatamento zero” até 2030. Em essência, esta é a mensagem central do “Relatório de Referência sobre a Amazônia”, recém-lançado pelo Painel Científico para ...
Read More »A “Bidenomics” e o fim da era de Milton Friedman
A edição de 1° de outubro da revista EU&Fim de Semana, encarte semanal do jornal Valor Econômico, traz uma oportuna discussão sobre a política econômica do presidente estadunidense Joe Biden, baseada em uma forte intervenção do governo federal em investimentos e coordenação estatal em várias áreas, uma tentativa de superar os danos causados por décadas de hegemonia dos mercados financeiros. Já rotulada ...
Read More »Linhão de Tucuruí: será que agora sai?
Dez anos após a sua licitação e seis anos depois do prazo em que deveria ter entrado em funcionamento, a linha de transmissão Manaus-Boa Vista, mais conhecida como Linhão de Tucuruí, parece, finalmente, estar saindo do papel, com a liberação da Licença de Instalação pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), em 28 de setembro. ...
Read More »“Carbono zero”: agenda e desafios para o Brasil
Artigo baseado na apresentação do autor no 1º Webinar Brasil 2022, promovido pelo Instituto General Villas Bôas, em Brasília, 27 de agosto de 2021. * * * * * * * * * Em sua apresentação no 1º Webinar Brasil 2022, promovido pelo Instituto General Villas Bôas, em Brasília, em 25 de agosto, dedicado ao tema “Uma moderna visão da ...
Read More »“Global Britain” abandonada na pista do aeroporto de Cabul
A revista The Economist, tradicional arauto da City de Londres, empregou dois recentes editoriais para expressar a sua angústia existencial pelo declínio estratégico dos Estados Unidos, com o esgotamento da ilusória visão hegemônica do “Novo Século Americano”, e o colapso do liberalismo clássico, cuja promoção foi a raison d’être da sua própria fundação, há 178 anos. “A melhor maneira de ...
Read More »Trégua institucional desnuda “estagflação Ipiranga”
O recuo do presidente Jair Bolsonaro em seu confronto com o Supremo Tribunal Federal (STF), depois das massivas manifestações de 7 de setembro, não decorreu de uma deliberação ensejada por habilidade política, mas da pressão do sistema financeiro, que ensaiou, no dia seguinte, uma corrida especulativa contra o real e a Bolsa de Valores de São Paulo. O próprio ministro ...
Read More »Crise hidroenergética: três décadas de equívocos
Há três décadas, as usinas hidrelétricas respondiam por 85% da eletricidade gerada no Brasil, proporcionando tarifas baixas e segurança de abastecimento, podendo armazenar água para enfrentar sem problemas uma seca de dois anos. Hoje, com a proliferação de usinas com reservatórios limitados por restrições socioambientais (chamadas a “fio d’água”, por funcionarem apenas com as vazões dos rios), tal capacidade foi ...
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