O que é mais vantajoso no Brasil: produzir ou especular?

Produzir algo no Brasil sempre foi complicado, principalmente, quando envolve a indústria. Eis, por exemplo, o protesto de Antonio Felício dos Santos, fundador e presidente da Associação Industrial, reclamando da falta de incentivos à indústria nacional, em 1881:

“A solução é salutar: o cidadão curado de sua mania industrial busca outra profissão mais consentânea com a harmonia social do país, empregando-se, por exemplo, em uma casa de importação estrangeira e colocando, dali em diante, suas economias a salvo nas sagradas apólices de 6% (citado em: Alexander Hamilton, Friedrich List e Henry Carey, Cartas da Economia Nacional contra o livre comércio, Capax Dei Editora, 2009).”

Agora, em 2023, vejamos o de Guilherme Gerdau, presidente do conselho do Grupo Gerdau, um dos maiores grupos empresariais brasileiros, reclamando do custo do capital no País, em entrevista ao Valor Econômico de 16 de maio último: “É proibitivo para investimentos, até mesmo em empresas médias e grandes. Não há disponibilidade de financiamento de curto prazo. E o que há é muito caro.”

Qualquer semelhança entre os dois lamentos não é mera coincidência, só mudaram os juros das “sagradas apólices” de 1881 e dos títulos do Tesouro de 2023.

x

Check Also

Crescem as alternativas ao dólar

A frente econômica e monetária internacional é muito mais ativa do que se pensa ou ...