Perspectivas da cooperação tecnológica Rússia-Brasil

Além da importante e mais que oportuna aquisição de equipamentos para as Forças Armadas brasileiras, a visita a Brasília de uma delegação russa encabeçada pelo ministro da Defesa Sergei Choigou, na semana passada, deixa como possibilidade concreta o estabelecimento de uma cooperação tecnológica russo-brasileira em áreas ligadas à defesa. Neste contexto, além do encaminhamento da compra de sistemas antiaéreos Pantsir S1 e Igla 9K38 para o Exército Brasileiro, no âmbito dos pacotes de armamentos adquiridos em função das grandes competições internacionais que o País sediará em 2014 e 2016, destacou-se a oferta russa para a coprodução de caças Sukhoi SU-35 e a participação brasileira no desenvolvimento do caça de quinta geração Sukhoi T-50, um dos mais avançados do mundo.

A visita do ministro russo é mais um evento demonstrativo de uma promissora aproximação dos dois países no campo da tecnologia militar, ocorrida no contexto da formação do grupo BRICS, na última década. Em dezembro de 2012, a presidente Dilma Rousseff visitou Moscou, sendo seguida pelo chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, em fevereiro deste ano, pela visita do primeiro-ministro Dmitri Medvedev ao Brasil, no mesmo mês, e pela presença de uma grande delegação de empresários russos do setor na LAAD 2013, a maior feira internacional de segurança e defesa da América Latina, realizada no Rio de Janeiro, em abril.

No final de 2012, a empresa Odebrecht Defesa e Tecnologia e a estatal russa Russian Technologies State Corporation assinaram um memorando de cooperação técnica, que prevê o estabelecimento de uma joint-venture para o desenvolvimento e a produção de equipamentos militares e helicópteros no Brasil, estes últimos, do consagrado modelo multiuso Mi-171, do qual já existem algumas unidades civis operando no País.

Anteriormente, a Força Aérea Brasileira (FAB) já havia adquirido 12 helicópteros de ataque Mi-35, dos quais nove já foram entregues e operam no Esquadrão Poti, na Base Aérea de Porto Velho (RO).

A despeito da importância do contrato das armas antiaéreas, avaliado em mais de 1 bilhão de dólares, os russos tinham na alça de mira a possibilidade de reintroduzir as suas aeronaves no processo decisório da aquisição dos novos caças da Força Aérea Brasileira (FAB), novela que se arrasta sem solução desde o final do governo de Fernando Henrique Cardoso. Na fase mais recente, denominada FX-2 e outra vez adiada sine die pela presidente Dilma Rousseff, os três concorrentes finais ficaram sendo o Boeing F/A-18E/F (EUA), o Dassault Rafale F3 (França) e o Saab Gripen JAS-39 NG (Suécia-Reino Unido). Com mais um retardo, o governo russo reapresentar uma proposta melhorada em relação à anterior, que se referia apenas ao SU-35.

Para o Brasil, a entrada no projeto do T-50 significaria dotar a indústria aeronáutica nacional do mesmo nível de qualificação na tecnologia de aeronaves militares que já dispõe nas aeronaves civis, elevando-a ao estado da arte no setor. Como a Rússia já conta com a cooperação da Índia no projeto, evidentemente, o gerenciamento dos interesses dos três países implicaria em grandes desafios, mas os resultados potenciais são suficientemente positivos para que a proposta seja devidamente considerada. A Força Aérea Russa já tem cinco protótipos em experiências, mas a produção em série não é esperada para antes de 2016-2018, o que colocaria a aeronave em condições de substituir os atuais jatos de combate da FAB a partir do início da próxima década.

Evidentemente, a participação no projeto não resolveria o problema imediato da substituição dos 12 caças Dassault Mirage 2000C/B do 1º. Grupo de Defesa Aérea, que opera na Base Aérea de Anápolis (GO) e deverão ser definitivamente aposentados ao final deste ano, além do desgaste natural dos Northrop F-5EBR, que apesar de modernizados na Embraer, são aeronaves adquiridas na década de 1970. Para tanto, uma negociação com a Rússia poderia incluir a compra ou até mesmo o arrendamento de um certo número de caças SU-35, para cobrir as necessidades da FAB até que os T-50 estivessem disponíveis.

Considerando todos os fatores, para o Brasil, as vantagens potenciais da associação com a Rússia seriam superiores a qualquer das propostas da FX-2, justificando até mesmo o eventual “desgaste diplomático e de credibilidade” para o País com o cancelamento definitivo da licitação, argumento observado por um diplomata do Itamaraty ao correspondente do jornal O Estado de S. Paulo em Paris, Andrei Netto (O Estado de S. Paulo, 15/10/2013).

Convenhamos que, no atual ambiente internacional, em que o País se defronta com a realidade da agenda intrusiva das grandes potências ocidentais, inclusive com o escândalo da espionagem eletrônica capitaneada pelos EUA, tal custo seria bastante baixo em relação aos grandes benefícios potenciais.

Em uma fase posterior de uma eventual parceria tecnológica aprofundada, o Brasil poderia ampliar as áreas de cooperação para o desenvolvimento de armamentos e equipamentos baseados em novos princípios físicos, área em que a Rússia já tem importantes programas em andamento. Em março de 2012, o então ministro da Defesa Anatoly Serdyukov anunciou a intenção do país em promover um grande impulso de modernização de tecnologias militares baseadas em áreas de fronteira do conhecimento, como armas de energia direta e energia de ondas, genéticas e psicotrônicas (Resenha Estratégica, 5/09/2012 e 15/08/2013).

4 comments

  1. Muito boa oportunidade… inclusive para instalar uma indústria de armamentos aqui na américa latina e equilibrar o descompasso de poder militar na região

  2. Prezados Senhores,
    Qualquer aliança militar com “potências” é um suicídio do Brasil em relação à sua soberania. Não estamos mais na “guerra fria”. Estamos na “guerra quente” do governo mundial anticrístico, cuja união satânica entre as “potências” vai, SE DEIXARMOS, fazer do Brasil uma NOVA ÁFRICA.
    Quanto à questão aeroespacial, o Brasil vai “muito bem obrigado”! Os atuais (des) governantes comunistas stalinistas-leninistas do Diálogo Interamericano querem fazer o Brasil um país de “quinta categoria” agora subserviente à Rússia e à China. A EMBRAER É NOSSA e somos o QUARTO MAIOR PAÍS DO MUNDO EM TECNOLOGIA AEROESPACIAL! Começo aqui uma campanha nacional para resgatarmos a Embraer das mãos dos piratas que a “piratizaram” e gostaria do apoio do MSIA e de todos os PATRIOTAS que leem este site.
    Mariano Paredes
    Diretor-presidente do Instituto Santos Dumont de Estudos Aeroespaciais – ISDEA.
    Rua Jornalista Augusto Vaz Filho, 1012, Pinheiro
    CEP 57057-150 Maceió/AL
    E-mail: isdeaero@yahoo.com.br

  3. Contato

    Mensagem enviada…
    De: Mariano Correia Paredes
    e-mail: aeronbras@yahoo.com.br
    Mensagem:

    Maceió/AL, 02 de Dezembro de 2013.
    (Dia da Astronomia)

    ISDEA: A “NASA” BRASILEIRA.

    *Mariano Correia Paredes

    Em 1997, quando membro da Associação Brasileira de Aviação Experimental – ABRAEX, fundei o Instituto Santos Dumont de Estudos Aeroespaciais – ISDEA, para desenvolver pesquisas em Aviação Experimental, civil e militar, na ilusão de que estava num “país sério”, não é De Gaulle?
    Ao longo desses sofridos anos porque até de “louco” fui chamado, nesse país de “nulidades triunfantes” (não é Rui Barbosa?), aconteceram dois “fenômenos paranormais” no país do Chico Xavier:
    1º – Como sou um inventor que “joga nas onze” em diversas áreas tecnológicas (aeronáutica, espaço, astronáutica, robótica, veículos futuristas, naval civil e militar, etc.), “modéstia às favas”, nesse país de “dotô” “horroris” causa (própria vendendo o país!), psicopatas lombrosianos, enfatuados, idolatrados pelos bolsas-mendigos, o ISDEA acumulou tantos projetos avançados que posso chamá-lo de “a NASA brasileira”;
    2º – E por ser NÃO GOVERNAMENTAL, nesse país de “ONGs” petistas e neogovernamentais das “tenebrosas transações” (não é “socialista” Chico?), nunca recebi ajuda de (des)governos, municipais, estaduais e fedorentos a podridão lulista, digo, federais, apesar de a nossa Constituição (que só serve para defender bandidos, corruptos, estupradores, bicheiros e outras faunas “exóticas” e impunes nesse “país tropical abençoado por Deus” e (des)governado pelo Satanás “neoliberal”), em seu artigo 218º, dá direitos a patriotários como eu que produzem C&T para este país medieval e americanalhado (agora achinesado, de olhinhos puxadinhos e dentucinho, dentes de ratazana petista e com barba a la Fidel Castr-ado, que vem “castrando” o progresso do escravizado povo cubano há mais de cinqüenta anos. Nem Freud explica… Só Marx!) e o EIKE-BNDES ser o “fomentador constitucional” com o NOSSO DINHEIRO. Chique! Pra inglês e os “acionistas-OMO” estrangeiros e “sem-pátria” (um novo MST) do bilionário-com-o-nosso-dinheiro Eike Batista verem. A próposito, esses “sem pátria” estão “investindo no Brasil com o NOSSO DINHEIRO, a juros de mãe-Dilma-BNDES, claaaaaro! Num país que um banco “sem pátria” que está sendo processado por lavar dinheiro do narcotráfico em outro (s) e possui, com o beneplácito do Banco Central, bodegas em qualquer esquina e “administra” cartões de crédito com juros astronômicos (hoje é o dia da astronomia, comemorado pelos agiotas do Brasil), “tudo é possível inclusive nada”, graças aos SUPREMOS “embargos infrigentes” da SUPREMA (IN)JUSTIÇA BRASILEIRA (brasileira?). Chique, não é Clodovil?
    Ao logo desses dezesseis anos “ralando” e do próprio bolso, como um “Policarpo Quaresma” da tecnologia, lutando contra o “apartheid tecnológico” da “Nova Ordem Mundial” que nos impede de patentear aviões e outras armas para NOSSAS FORÇAS (DES)ARMADAS, produzindo C&T, civil e militar para a SOBERANIA DO BRASIL (que IDIOTA SOU… Um país de quatro patas para narcodólares das FARCs tem lá soberania?) posso gritar nesse “deserto de homens ” e com a maior passeata gay do mundo: EU QUERO O MEU DINHEIRO, BNDES! Será que ouvi risadas, nessa republiqueta carnavalesca esteatopígica de “escarnecedores” (Salmos 1º), DE SUPREMAS HIENAS HUMORISTAS E IMPUNES ROUBANDO, AD ETERNUM, O DINHEIRO PÚBLICO (público)?
    Lanço aqui um DESAFIO AO BNDES: se eu estou enganado com o que afirmei acima, baseado no EXAUSTIVO e INÓCUO noticiário nacional e internacional sobre o “paraíso” com dinheiro público que é o Brasil e se no BNDES há ainda PATRIOTAS (homens raros no Brasil mercenário e mensaleiro de hoje…) inspirados na filosofia em que foi fundado esse banco de fomento com o DINHEIRO DO TRABALHADOR BRASILEIRO PARA O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL e conscientes de que são EMPREGADOS DO TRABALHADOR BRASILEIRO, eu tenho um projeto de ultraleve e quero começar a fabricá-lo. Pois bem: se as empresas “Xis” sei lá o que, do “empresário” EIKE-X e seus acionistas-X têm “crédito” (parece coisa do Arquivo X…), TAMBÉM ME EMPRESTEM O MEU DINHEIRO, PARA A MINHA FÁBRICA DE AERONAVES AVANÇADAS, A AERONBRAS (ainda na “informalidade”…), que tem projetos de aeronaves inclusive para a DEFESA DO BRASIL (VANT e um caça supersônico) A JUROS CONSTITUCIONAIS e sem “bancos-lavanderias” como intermediários, POR FAVOR. É oportuno lembrar que fábricas de aeronaves são empreendimentos de TECNOLOGIA DE PONTA, que geram empregos de valor agregado, soberania tecnológica para o Brasil e, PRINCIPALMENTE, NOVAS TECNOLOGIAS E PATENTES, capiche BNDES? Não, não é indireta para a máfia bancária do Pizzolatto, na PIZZA à napolitana do mensalão, não é Don Corleone? Até tu Banco do Brasil?
    *Mariano Correia Paredes é empresário aeronáutico e presidente do Instituto Santos Dumont de Estudos Aeroespaciais – ISDEA.
    Contato: aeronbras@yahoo.com.br
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    A Equipe da Revista Força Aérea agradece sua mensagem.

  4. Maceió,24 de fevereiro de 2015

    Amigo Mariano.

    Você deveria se mudar para o Canadá,e trabalhar na “Bombardier”,que
    é uma empresa de aviação.Os canadenses levamas coisas a sério.Os bra-
    sileiros são incompetentes em tudo.Oh povinho chato !

    Adriel Batista Correia de Melo

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