Ordem: sai o progresso, entra a “sustentabilidade”

Depois de “descobrir” insuspeitadas conotações racistas na obra infantil de Monteiro Lobato, o Conselho Nacional de Educação (CNE) apresenta mais uma contribuição para o esforço de mudança de paradigma cultural que os paladinos do multiculturalismo pretendem consolidar no País, trocando o sentido de progresso baseado no avanço do conhecimento por uma desorientada concepção repleta de preconceitos ideológicos. Desta feita, a intenção é incluir o decantado tema da “sustentabilidade” nos currículos dos cursos superiores do País, somando-se à obrigatoriedade de tratamento do assunto já no Ensino Básico.

A medida, por meio da Resolução N° 2/2012, de 15 de junho de 2012, publicada no Diário Oficial da União de 18 de junho, foi anunciada no último dia da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Segundo o conselheiro Antônio Freitas Júnior, a intenção é que, futuramente, o tema seja obrigatório também na Pré-escola (!) e no Ensino Médio. Desde abril de 2011, tramita na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 876/2011, que propõe alterar a Política Nacional de Educação Ambiental, estendendo a obrigatoriedade do tema “sustentabilidade” também para as demais séries escolares. “Não faz sentido ensinar finanças sem ensinar ética ou meio ambiente. Educação é o começo, mas tem que ser em todas as séries. Incentivo a todos que façam ações. Não é só compromisso financeiro, precisamos de comprometimento dos governos”, disse Freitas Júnior (Envolverde, 29/06/2012).

A Resolução determina que a “sustentabilidade” seja obrigatoriamente abordada em todos os cursos de nível superior do País, de forma interdisciplinar e contínua, sem necessariamente se constituir numa disciplina à parte no currículo de cada curso – ou seja, trata-se da célebre “transversalidade”, tão cultuada pelos planejadores “politicamente corretos” das políticas públicas e tão raramente aplicada, até pelas dificuldades de sua definição prática. O texto da Resolução ainda faz referência a conceitos equivocados, como a sugestão de “preservação do equilíbrio do meio ambiente” – a qual desconsidera o fato de que o ambiente terrestre jamais teve qualquer fase de “equilíbrio”, encontrando-se em estado de constante transformação.

A nova Resolução do CNE é a mais recente contribuição altamente questionável deste egrégio conselho para a Educação brasileira, baseada apenas em considerações ideológicas “politicamente corretas” e sem preocupações maiores com a realidade do quadro educacional nacional. A iniciativa se junta a outras anteriores, como a introdução de disciplinas como Filosofia e Sociologia no Ensino Médio, reduzindo a carga horária de outras disciplinas bem mais relevantes e desconsiderando a inexistência de docentes preparados para lecioná-las.

Ademais, a Resolução integra e reforça a agenda “multicultural” que vem sendo perseguida por importantes setores políticos nacionais, desde o final da década de 1980, caracterizada pela aplicação da surrada orientação ideológica da “luta das classes oprimidas” a diversos aspectos da vida social. Na prática, tal agenda tem servido como conduto para a contaminação das políticas públicas por orientações verdadeiramente anti-humanas e contrárias aos princípios do progresso universal, como são as ideologias ambientalista-malthusiana, indigenista e racialista, que renegam as mais elevadas concepções do homem desenvolvidas pela Civilização Ocidental e restringem o ser humano, sua criatividade intrínseca e seus direitos inalienáveis ao bem-estar e ao progresso, à condição de um virtual escravo de supostos “limites” impostos pelo ambiente físico, de uma visão idílica da vida primitiva e de uma artificial divisão racial da espécie humana.

Não por acaso, tais orientações são apoiadas e promovidas por uma pletora de organizações não-governamentais (ONGs) nacionais e estrangeiras, muitas delas generosamente financiadas por fundações familiares oligárquicas e órgãos governamentais de países do Hemisfério Norte, que têm implementado a agenda “multicultural” como um eficiente instrumento político contra o pleno desenvolvimento de países como o Brasil. Por infortúnio, não são poucos os brasileiros que têm se deixado enredar por essa trama, que em nada atende aos interesses maiores da sociedade nacional.

Por isso, também não é coincidência que o CNE tenha demonstrado tanta má-vontade para com Monteiro Lobato, um escritor que, independentemente da sua simpatia pelas ideias prevalecentes em seu tempo, deixou um legado de obras imortais, que, há quatro gerações, têm contribuído para educar jovens brasileiros com personagens e enredos que transmitem ideais humanistas e um sentido de progresso como meta individual e para a sociedade.

Quanto à “sustentabilidade universitária”, se não se tornar mais uma das incontáveis peças legislativas que “não pegam” no País, e se o alarmismo prevalecente na percepção dos temas ambientais não for superado, a Resolução dos atentos conselheiros educacionais federais poderá assegurar que viremos a ter novas gerações de profissionais, de advogados a zootecnistas, passando por engenheiros, geólogos, médicos e outros, com noções bastante insustentáveis dos reais problemas ambientais enfrentados pelo Brasil e a Humanidade.

One comment

  1. Não existe uma definição científca para o conceito ‘desenvolvimento sustentável’. O termo não é científico mas sim político.

    Não vejo a menor necessidade dessa Resolução pois o tema Meio Ambiente já é discutido até a exaustão em escolas públicas e privadas.

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