Grécia dá aula de História e tapa com luva de pelica na Alemanha

Greece-Economic-Ruins

“Não, não, essas são as ruínas econômicas. As ruínas históricas ficam para lá.”

Em um artigo publicado na edição de ontem do Valor Econômico, o ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, oferece uma preciosa lição de História, em um momento no qual o mundo parece ter renunciado a todos os ensinamentos do processo civilizatório, apequenando-se e curvando-se ao discurso falacioso da financeirização de virtualmente todos os aspectos da vida humana.

Como se sabe, desde a eclosão da crise financeira de 2008, a Grécia viu implodir as finanças nacionais e foi obrigada a se submeter a um draconiano programa de “socorro” imposto pela chamada “Tróica”, integrada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE). Os previsíveis impactos socioeconômicos foram brutais, com uma forte retração da economia e índices estratosféricos de desemprego, principalmente entre os jovens, quase 60% dos quais não conseguem trabalho decente, forçando um grande número deles a emigrar em busca de oportunidades negadas em seu país.

No texto, Varoufakis recorda que, em 1946, após a derrota do Eixo, havia na Europa e nos EUA uma grande disposição para transformar a Alemanha em um país “essencialmente agrícola e pastoril”, desprovido de qualquer tipo de indústria pesada capaz de ser utilizada para fins bélicos. No entanto, em setembro daquele ano, o governo do presidente estadunidense Harry Truman enviou à Alemanha o secretário de Estado James F. Byrnes, para transmitir o que ficou conhecido como o “Discurso da Esperança”, para dar aos alemães uma esperança de recuperação, crescimento e retorno à normalidade. O resto da história é conhecido, com a posterior reconstrução econômica e social da Alemanha, que, uma década depois, já caminhava rapidamente para voltar a ser a maior potência econômica europeia.

Hoje, diz Varoufakis, é a Grécia que necessita de uma oportunidade assim e, em sua sugestão, quem deveria pronunciar a nova versão do “Discurso da Esperança” seria a chanceler alemã Angela Merkel, a mais rigorosa cobradora da “austeridade fiscal” e das “reformas estruturais” aos gregos. Em suas palavras: “Ela poderia usar a oportunidade para sinalizar uma nova política de integração europeia, uma abordagem que comece no país que mais sofreu, uma vítima tanto do defeituoso projeto monetário da zona do euro como dos próprios erros de sua sociedade.”

Vale a pena ler o artigo integral, no sítio do jornal.

x

Check Also

A craca neoliberal e o exclusivo “capitalismo sem risco” brasileiro

No final de março, quando já havia certeza sobre o grande impacto da pandemia de ...