Confirmam-se denúncias do MSIa: Casa de Windsor, nazismo e ambientalismo

wallis-simpson-edward-viii-adolf-hitler-berghof-22-october-1937

Uma mancha no passado da Monarquia britânica, que a Casa de Windsor tem se empenhado em manter oculta, ressurgiu na semana passada.

Na sexta-feira 17 de julho, o tablóide The Sun colocou no seu sítio um filme de 20 segundos, feito em 1933, no qual o duque de Windsor, o futuro rei Eduardo VIII ensina sua sobrinha, a princesa e futura rainha Elisabeth e sua irmã Margareth, então, com sete e três anos, a fazer a saudação nazista. A reportagem explica que o filme original encontra-se trancado a sete chaves em algum cofre real, mas que uma cópia feita anos atrás fora entregue ao jornal por uma fonte que considerou que o assunto seria de interesse público e importância histórica.

Evidentemente, a Casa de Windsor reagiu furiosamente à impertinência plebéia do Sun, integrante da rede do magnata australiano Rupert Murdoch e o mais corrosivo dos tablóides britânicos. Mas o editor-executivo do jornal, Stig Abell, justificou:

É uma imagem fascinante. Não menos porque tem Eduardo VIII, que se tornou rei em 1936. E, em 1937, ele acabou na Alemanha. E, em 1940, houve uma trama, na Alemanha, para recolocá-lo no trono britânico. Ele acabou seus dias em 1970, dizendo que Hitler não foi um cara ruim na II Guerra Mundial, que foi responsabilidade dos judeus e dos vermelhos [comunistas], e ele estava no coração do Establishment britânico. Então, eu acho que isso é uma história de importante interesse público… Eu realmente acho que é de genuíno interesse nacional e histórico, e nos tomou algum tempo e deu trabalho colocá-la no contexto histórico adequado.

A insinuação nada sutil sobre o “coração do Establishment britânico” se justifica, pois as inclinações pró-nazistas entre as elites do Reino Unido estavam longe de constituir um fenômeno marginal, o mesmo ocorrendo entre as suas contrapartes transatlânticas nos EUA. Além do anticomunismo, esses oligarcas anglo-americanos e os próceres nazistas tinham em comum numerosos traços misantrópicos, inclusive a promoção da eugenia (“melhoramento racial”) como elemento de política de governo, da qual, no pós-guerra, emergiriam os movimentos de controle populacional e “proteção” do meio ambiente.

A recordação das raízes nazistas de altos membros das monarquias europeias, que se envolveram na criação do movimento ambientalista, já havia sido levantada pelo Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa), em uma edição especial do jornal Solidariedade Ibero-americana (maio de 2000) dedicada a denunciar as maquinações do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) no Brasil.

Fundado em 1961, o WWF viria a tornar-se uma das principais ONGs internacionais engajadas na manipulação das questões ambientais como instrumento político do Establishment anglo-americano. Entre os seus fundadores, destacam-se os príncipes Philip, duque de Edimburgo, e Bernardo, nobre alemão que se casou com a futura rainha Juliana da Holanda. Este último, antes da guerra, foi membro da SS nazista e integrante da equipe de inteligência internacional da megaempresa I.G. Farben, então o maior conglomerado industrial do mundo, que tinha vínculos com numerosas empresas e escritórios jurídicos dos EUA e do Reino Unido. O passado nazista de Bernardo, que faleceu em 2004, tem sido um fantasma que, volta e meia, reaparece para constranger o WWF.

Ficha de registro das contribuições mensais do príncipe Bernardo à SS (fonte: http://www.geennieuws.com)

Ficha de registro das contribuições mensais do príncipe Bernardo à SS (fonte: http://www.geennieuws.com)

Por sua vez, o consorte de Elisabeth II é membro da família real grega e todas as suas quatro irmãs mais velhas, já falecidas, se casaram com nobres alemães com altos cargos na hierarquia nazista. O próprio Philip, que se empenhou durante décadas para ocultar essa parte da sua biografia, acabou admitindo as suas simpatias por Hitler & cia. após a publicação do livro The Royals and the Reich (A família real e o Reich), do escritor Jonathan Petropoulos, em 2006.

As simpatias de vários membros da Casa de Windsor e de importantes membros do Establishment britânico pelo regime nazista de Adolf Hitler (1933-1945) são notórias. Entre eles, o próprio rei Eduardo VIII, que renunciou ao trono com menos de um ano de reinado, em dezembro de 1936, em meio à ameaça de um grave escândalo envolvendo o seu relacionamento com Wallis Simpson, uma estadunidense duas vezes divorciada, e as simpatias ostensivas de ambos pelo nazismo.

No início de 2001, o WWF-Brasil, então presidido por José Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, abriu um processo contra o MSIa, pedindo uma indenização por calúnia e difamação e a proibição de quaisquer menções ofensivas à ONG nas publicações do MSIa. Entre os argumentos citados na justificativa, destacava-se a afirmativa de que a qualificação de Bernardo como nazista era inverídica – apesar de se tratar de um fato de conhecimento público, citado em várias biografias do príncipe e da rainha Juliana.

Porém, assim como nas demais justificativas arroladas pelo WWF, a defesa do MSIa sustentou as afirmativas feitas no jornal com a apresentação de farta documentação de domínio público, o que foi determinante para que o juiz Paulo Maurício Pereira, da 24ª. Vara Cível do Rio de Janeiro, considerasse a ação como improcedente, com uma sentença lapidar, que incluiu a seguinte passagem:

Inexiste prova concreta de que as informações emitidas pela primeira ré são falsas ou distorcidas, certo que não e só ela que emite tais opiniões, resumindo-se tudo na discussão envolvendo o que os nacionalistas chamam de “política imperialista das grandes potências mundiais” e “política de internacionalização da Amazônia”, matérias que de há muito vêm sendo discutidas pela imprensa, inclusive por membros do governo e militares brasileiros, estes pelo dever que têm de resguardar nossas fronteiras e soberania. (…)

Determinado a fazer do caso um exemplo, o WWF-Brasil recorreu à instância superior, mas, em agosto de 2004, a 14ª. Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a decisão, por três votos a zero. Inconformada com o resultado, a ONG real recorreu e, em fevereiro de 2005, o desembargador Celso Guedes, do TJ-RJ, admitiu o recurso especial impetrado pelo WWF-Brasil, o que levou o processo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. No STJ, a vitória do MSIa foi mais apertada: três votos a dois contra o recurso especial do WWF-Brasil, obtida em junho de 2008. Ainda assim, a ONG entrou com três recursos (Embargo de Declaração, Embargo de Divergência e Agravo Regimental), de modo que apenas em agosto de 2009 a sentença transitou em julgado e o caso foi encerrado.

Com semelhante histórico, não se deve estranhar se alguns dos conceitos que orientam os ambientalistas de hoje, por mais bem intencionados que possam ser, se assemelharem a outros que justificaram algumas das maiores atrocidades cometidas por seres humanos nos últimos séculos.

x

Check Also

O MPF, a Funai e o fantástico mundo dos “espíritos”

Os indígenas brasileiros poderão agora pleitear indenizações por “danos espirituais” decorrentes de ações dos homens ...