Belo Monte e o “ecoterrorismo”

Os atos de vandalismo que estão se tornando rotineiros nos canteiros de obras de usinas hidrelétricas brasileiras, como os que paralisaram os trabalhos em Belo Monte, no rio Xingu, não são meras ações de protesto de trabalhadores insatisfeitos. Assim como ocorreu, em março de 2011, nas obras das usinas de Jirau (RO) e São Domingos (MS), e novamente em Jirau, em abril deste ano, tratam-se de ações adredemente planejadas e executadas em momentos de negociações trabalhistas, por agentes interessados em obstaculizar a implantação de grandes obras de infraestrutura no País, em especial, na Região Amazônica. Como afirmamos, na ocasião, o movimento ambientalista-indigenista internacional é uma peça chave dessa estratégia de guerra irregular e “ecoterrorismo” contra o desenvolvimento socioeconômico da região, cujo objetivo é consolidá-la como uma autêntica “zona de exclusão ambiental” (Alerta Científico e Ambiental, 24/03/2011 e 31/03/2011).

Nos três casos, o padrão foi o mesmo: um grupo de homens encapuzados, com bom conhecimento da disposição dos canteiros de obras e dos seus pontos mais vulneráveis, provoca incêndios e depredações, atuando sob a cobertura de reivindicações trabalhistas, enquanto as entidades representativas dos trabalhadores negociavam com as empresas concessionárias.

Em Jirau, em 2011, os próprios trabalhadores informaram que os encapuzados que incitaram o motim não eram funcionários das empresas responsáveis pela obra. Na ocasião, uma credenciada fonte de inteligência disse ao Alertaque a informação era coerente com a necessidade de planejamento e disposição prévia dos meios necessários a uma ação daquele porte, como a estocagem de galões de combustível em locais específicos.

Em São Domingos, no rio Verde, alvo de ação idêntica, uma semana depois, o próprio Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada de Mato Grosso do Sul qualificou o motim como um movimento “isolado” e de “vandalismo”. Segundo o sindicato, as reclamações de trabalhadores sobre a melhoria das condições de trabalho, feitas na semana anterior ao tumulto, já haviam sido objeto de um termo de compromisso assinado com a concessionária Eletrosul e estavam sendo atendidas pelo consórcio construtor.

Em Belo Monte, no sábado 10 de novembro, um grupo de cerca de 30 encapuzados incendiou e saqueou instalações do chamado Sítio Pimentel, uma das frentes de obras da usina. No dia seguinte, dois outros canteiros foram atacados por grupos de 20 encapuzados, o que levou o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) a suspender os trabalhos, na segunda-feira 12. Na terça-feira 13, a Polícia Civil do Pará deteve cinco suspeitos de participação nos ataques, aparentemente, ligados à organização Central Sindical e Popular (Conlutas).

Fundada em 2010, a Conlutas é um agrupamento de grupelhos radicais engajados em campanhas em favor dos sem-terras, sem-teto e quilombolas, jactando-se de ser “a maior central sindical que faz oposição, à esquerda e a nível nacional (sic), ao governo Dilma”. Embora, em seu sítio, não se encontrem referências às suas fontes de financiamento, o fato de dispor de escritórios em 13 estados sugere que tem à disposição recursos consideráveis, sendo, com sua ideologia extremista e a militância adestrada em ações radicais, o tipo de entidade que poderia proporcionar ao aparato ambientalista-indigenista o elemento humano para semelhantes ações antinacionais.

Não obstante, independentemente da confirmação da participação da entidade em tal agenda, vale repetir a advertência de que se coloquem os melhores recursos investigativos do Governo Federal, para a necessária elucidação dos fatos e a identificação das forças insidiosas que estão por detrás de tais ataques.

2 comments

x

Check Also

A “retomada verde” da OTAN

Por Lorenzo Carrasco e Geraldo Luís Lino Desde a implosão da União Soviética e do ...