Sinais de pânico no sistema bancário internacional

Os analistas da corretora Liberty, Gold and Silver, especializada em metais preciosos, fizeram uma listagem de dez eventos que, em sua avaliação, são evidências de um clima de pânico crescente que se manifesta no sistema bancário internacional, diante do agravamento da crise global. Em um artigo publicado no sítio Market Oracle, em 26 de fevereiro, eles afirmam que, “se forem tomados independentemente, cada evento poderia ser insignificante. Porém, quando examinados coletivamente, eles pintam uma advertência bastante sombria para a segurança dos depósitos bancários em toda parte. Naturalmente, a maioria deles recebeu pouca ou nenhuma cobertura da grande mídia. Isto seria de se esperar”.

Afinal, diz o texto, “a função número um da grande mídia é sempre ofuscar quaisquer notícias potencialmente perigosas que possam assustar os investidores ou depositantes. Pois o objetivo do cartel mundial de bancos e do esquema de pirâmide de ativos é manter os depositantes e investidores relaxados e passivos, em suas zonas de conforto, até que o colapso completo de suas posições seja inevitável”.

A seguir, reproduzimos a lista dos eventos destacada pelos analistas:

1) 3 de outubro de 2013 – Receando inadimplências, bancos dos EUA estocam dinheiro vivo. O Financial Times disse hoje que dois dos maiores bancos do país estão estabelecendo um “roteiro” de preparação para um possível pânico bancário. Um alto executivo bancário afirmou que o seu banco entregou 20-30% mais dinheiro vivo que o de costume, para o caso de que clientes em pânico tentassem retiradas em massa.

2) 12 de outubro de 2013 – Problema com cupons de alimentação provoca motins em lojas do Wal-mart na Louisiana. O problema técnico que eliminou os limites de gastos em cartões de débito de alimentação deflagrou um bizarro frenesi de compras em lojas da rede de supermercados, na Louisiana.

3) 2-8 de novembro de 2013 – Problema de computador paralisa caixas eletrônicos e operações online em grande escala. Paralisações de operações bancárias online ocorreram no Alabama, Arizona e Califórnia, afetando bancos como o Wells Fargo, JP Morgan Chase, Bank of America, Compass, Chase Fairwinds Credit Union, American Express e outros. Os clientes tiveram grandes dificuldades para efetuar até mesmo transações simples, como retiradas de dinheiro vivo e conferências de saldos. Na internet, circularam rumores de que os bancos estão usando estas paralisações temporárias como testes para um futuro “feriado bancário” em grande escala.

4) 17 de novembro de 2013 – JP Morgan Chase interrompe transferências internacionais dos EUA, para muitas empresas pequenas. Igualmente, o banco alertou os seus clientes empresariais menores de que, a partir dali, as operações totais com dinheiro vivo (o total combinado dos depósitos em dinheiro e retiradas feitas em agências e caixas eletrônicos do banco) seria limitado a um total de 50 mil dólares por cliente, para cada ciclo de faturamento [geralmente, entre 20-45 dias].

5) 16 de janeiro de 2014 – Relatos de Hong Kong indicam outro escândalo com o HSBC: uma queda de capitalização de 80 bilhões de dólares. A Forensic Asia, empresa de consultoria baseada em Hong Kong, divulgou uma “recomendação de venda” para o banco HSBC, devido a “ativos questionáveis” em seus balanços. O Daily Telegraph de Londres afirmou que, segundo a empresa, o HSBC “tinha entre 63,6 e 92,3 bilhões de dólares de ‘ativos questionáveis’ em seus balanços, variando entre reservas para empréstimos ruins e juros agregados a impostos diferidos”.

6) 24 de janeiro de 2014- HSBC impõe restrições a retiradas em dinheiro vivo no Reino Unido. Notícias circularam, informando que os clientes britânicos do HSBC não puderam fazer retiradas em dinheiro vivo em valores tão baixos como 3 mil libras esterlinas. O HSBC admitiu que não informou os seus clientes sobre a mudança repentina. Funcionários do banco sugeriram que se tratava apenas de uma medida “para a proteção dos seus clientes”.

7) Problemas bancários da China em rápida escalada. O ICBC de Pequim, o maior banco do mundo em ativos, anunciou que não assumirá plena responsabilidade por um fundo de investimentos de 500 milhões de dólares, que poderá quebrar. O banco, um dos “quatro grandes” da China, pode estar ligado a um processo de inadimplências de empréstimos bastante similar ao que precipitou a crise do Lehman Brothers, em 2007.

De fato, isto pode ser apenas a ponta do iceberg que poderá derrubar todo o mundo bancário chinês. O “fundo de investimentos” é, na verdade, um dos integrantes de um vasto esquema de empréstimos que constitui o sistema bancário “sombra” da China. Estima-se que a dívida total deste sistema “sombra” ultrapasse hoje os 4,7 trilhões de dólares – um número impressionante para qualquer mercado, ainda mais um que não é regulado. Acredita-se que grande parte deste sistema secreto de empréstimos esteja repleto de empréstimos a juros altos e de alto risco, que têm uma grande possibilidade de inadimplência. Qualquer problema maior neste mercado só poderá ter um desfecho catastrófico, não apenas para os mercados chineses, mas para todos os tipos de mercados em todo o mundo.

8 ) 28 de janeiro de 2014 – Um dos maiores emprestadores da Rússia, o My Bank, impede retiradas de dinheiro vivo durante uma semana. A razão alegada foi o grande número de clientes pretendendo trocar o declinante rublo por outras moedas.

9) 17 de fevereiro de 2014 – O JP Morgan Chase impõe novos controles de capital aos depósitos à vista. O banco alertou os clientes de que, agora, eles devem apresentar uma identidade valida ao efetuar qualquer depósito em dinheiro vivo e que, a partir de 3 de março, apenas poderão ser feitos depósitos em suas próprias contas. Alguns analistas especulam que tais medidas são um sinal de que os bancos estão se preparando para turbulências econômicas e possíveis corridas bancárias.

10) 20 de fevereiro de 2014 – O Royal Bank of Scotland (RBS) anuncia a demissão de 30 mil funcionários nos próximos meses. O Financial Times relata que o maior emprestador do Reino Unido reduzirá o seu quadro de funcionários em 30 mil profissionais e se retirará de “dúzias dos 38 países” em que opera. Como a Bloomberg relatou inicialmente (posteriormente revisado na edição online), esta dramática medida do RBS, que é 80% controlado pelo governo, foi fortemente incentivada pelo premier britânico David Cameron, preocupado com a sobreextensão das atividades do banco em mercados externos.

Os analistas da corretora finalizam, afirmando que tais fatos apontam para outro colapso bancário, ao estilo do Lehman Brothers, Islândia ou Chipre, com uma forte possibilidade de confiscos de depósitos dos clientes.





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