Quem transformou o Mediterrâneo em “Mare Monstrum”?

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No auge do poderio do seu império, os romanos chamavam o Mediterrâneo de “Mare Nostrum”, o nosso mar. Quase dois milênios depois, diante da monstruosa tragédia dos naufrágios e mortes em massa de africanos desesperados para fugir das guerras e da miséria de seus países, “Mare Monstrum” parece ser uma qualificação mais apropriada.

Enquanto a União Europeia discute sobre a maneira de responder à hecatombe humana que se desenrola no seu litoral e nas suas fronteiras, convém recordar que grande parte da responsabilidade recai sobre ela própria, que agora paga – muito caro – a conta da sua submissão à agenda geopolítica dos círculos belicistas de Washington e Londres. Em particular, aí está a macabra fatura da destruição da Líbia de Muamar Kadafi – reduzida aos escombros de um clássico “Estado falido” – e da tentativa de repetição de tal agenda na Síria de Bashar al-Assad – aventuras irresponsavelmente apoiadas pelos mesmos governos que professam comoção e indignação diante da catástrofe.

A contribuição europeia para a tragédia dos fugitivos se acrescenta à sua parcela de responsabilidade para o surgimento do Estado Islâmico, que emergiu das ruínas de um Iraque devastado pela invasão liderada pelos EUA, em 2003, e da devastação provocada na Síria pelas forças insurgentes apoiadas pelas potências da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e as petromonarquias do Golfo Pérsico. Significativamente, estas últimas estão criando uma nova catástrofe humana no Iêmen, o mais pobre dos países árabes, que vêm submetendo a constantes bombardeios aéreos, nas últimas semanas.

E os europeus são, igualmente, cúmplices da devastação causada no Leste da Ucrânia pelo regime neofascista de Kiev, que já causou a morte de mais de 5 mil habitantes da região, sem falar de um número desconhecido – mas significativo – de mortos e feridos entre as forças militares e paramilitares ucranianas.

Tudo isso, pela atitude pusilânime de preferirem se manter como uma virtual satrapia de Washington, que defende a sua hegemonia decadente com a ameaça de provocar um novo conflito de grandes proporções no território europeu, ao insistir na presente escalada de provocações contra a Federação Russa. Em síntese, caso insista neste caminho (e as suas principais lideranças não dão sinais de que pretendam mudar de atitude), o Velho Continente deverá enfrentar novos abalos, no futuro imediato.

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