Reeleição de Orbán é golpe duro nos “eurocratas de Bruxelas”

A reeleição do primeiro-ministro Viktor Orbán para um quarto mandato, conseguida com uma consagradora votação de 53% dos eleitores e sem necessidade de segundo turno, sinaliza dores de cabeça para os “eurocratas de Bruxelas”, a tecnocracia não eleita da União Europeia (UE), que tem nele um dos seus bichos papões e é igualmente detestada pelo líder húngaro.

“Quase se podia ouvir as batidas coletivas de corações da UE baqueando na noite de domingo, enquanto Viktor Orbán fazia o seu discurso de vitória”, escreveu a editora de Europa da BBC, Katya Adler.

“Nós tivemos uma tal vitória que pode ser vista da Lua, mas certamente pode ser vista de Bruxelas”, disse ele em seu discurso de vitória, na noite do domingo 3 de abril.

Mas os “eurocratas” não foram os únicos alvos da desforra de Orbán – também sobraram farpas para uma coleção de opositores: “A esquerda em casa, a esquerda internacional em toda parte, os burocratas de Bruxelas, o império de [o megaespeculador George] Soros com todo o seu dinheiro, a grande mídia internacional e, no final, até mesmo o presidente ucraniano [Volodymyr Zelensky] (CNBC, 04/04/2022).”

A menção a Zelensky foi uma resposta a uma provocação feita por ele na cúpula da UE em março, quando criticou a recusa de Orbán em juntar-se ao coro de declarações histéricas e sanções contra a Rússia. Na ocasião, disse Zelensky: “Ouça, Viktor, você sabe o que está acontecendo em Mariupol? E você hesita se impõe sanções ou não? E você hesita se deixa armas entrarem ou não? E você hesita se continua comerciando com a Rússia ou não? Não é tempo de hesitar. Já é tempo de decidir (Balkan Insight, 04/04/2022).”

Completando, Orbán não deixou de observar o impacto político de sua vitória além das fronteiras do país e até europeias: “O mundo inteiro viu esta noite, em Budapest, que as políticas democráticas cristãs, as políticas cívicas conservadoras e as políticas patrióticas venceram. Nós estamos dizendo à Europa que isto não é o passado; isto é o futuro. Este será o nosso futuro europeu comum.”

Em relação às sanções anti-russas, Orbán não usou o poder de veto húngaro para impedir as sanções decretadas pelo bloco europeu, mas ameaçou vetá-las se forem estendidas ao setor energético, além de recusar-se a interromper a expansão da central nuclear de Paks, cujo financiamento e obras estão a cargo da estatal nuclear russa Rosatom.

De forma significativa, o presidente russo Vladimir Putin foi o primeiro líder internacional a cumprimentar o premier húngaro pela vitória eleitoral.

Na quarta-feira 6 de abril, Orbán afirmou que seu país poderá pagar pelas importações de gás natural russo em rublos, como está sendo exigido por Moscou (Business Insider, 06/04/2022). A Hungria é o terceiro país da UE, depois da Bulgária e da Eslováquia, a romper com o pacto do bloco de ceder à exigência anunciada por Putin. Na véspera, a Comissão Europeia anunciou a intenção de cortar boa parte dos fundos europeus destinados à Hungria, por alegadas violações das suas normas pelo governo de Orbán (Business Insider, 06/04/04).

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