Em uma bombástica entrevista coletiva, na sexta-feira 16 de janeiro, bem a tempo para as edições de sábado dos grandes jornais do planeta, o diretor do Centro Goddard de Estudos Espaciais (GISS), Gavin Schmidt, anunciou ao mundo que 2014 fora “o ano mais quente já registrado”. Previsivelmente, o meme foi repetido à exaustão nas primeiras páginas e nos horários nobres dos noticiários de todos os continentes e, como é fácil de se gravar, já está se consolidando como mais uma suposta evidência da influência das atividades humanas no clima global. O problema é que, como a virtual totalidade das evidências apresentadas pelos defensores da hipótese em seu favor, ela não passa no teste do método científico.
De início, chama a atenção que tamanho escarcéu tenha sido feito por conta de um alegado aumento de 0,04oC – isso mesmo, quatro centésimos de grau centígrado – sobre a média de 2010, até então considerado “o ano mais quente”. Ademais do valor irrisório, como observou prontamente o jornalista David Rose, do jornal inglês Mail on Sunday(18/01/2015), o boletim de imprensa de Schmidt deixou de mencionar que a análise envolvia uma margem de erro estimada por cientistas consultados por ele em cerca de 0,1oC – ou seja, cinco vezes maior que o alegado “aquecimento” de 2014.
Diante dos fatos, Schmidt foi obrigado a admitir que o GISS passou a considerar que a probabilidade de que 2014 tenha sido o ano mais quente era de apenas 38% – o que, evidentemente, não gerou manchetes sequer aproximadas das primeiras.
Além disso, a expressão “já registrado” é bastante dúbia em si mesma, uma vez que os registros nos quais o GISS se baseia retrocedem apenas a 1880, quando já havia um certo número de estações meteorológicas disponíveis para as medições de temperaturas com termômetros. Ocorre que os registros paleoclimáticos, embora não se comparem às medições com termômetros e de satélites (de longe as mais precisas), possibilitam uma precisão razoável para a avaliação das temperaturas do passado histórico e geológico. Por exemplo, é conhecimento consolidado que, no chamado Período Quente Medieval (séc. X-XIII), as temperaturas atmosféricas chegaram a ser 1-2oC superiores às atuais – cinco séculos antes da Revolução Industrial (evidência que levou alguns cientistas “aquecimentistas” a extremos de desonestidade para “apagar” o PQM dos registros).
Como se não fosse bastante, um blogueiro inglês interessado em assuntos climáticos, Paul Homewood, que mantém o blog Notalofpeopleknowthat, observou uma curiosa tendência em alguns dados sul-americanos utilizados pelo GISS na sua avaliação das temperaturas recordistas: embora os dados corrigidos para três estações meteorológicas do Paraguai mostrassem um aquecimento da atmosfera desde a década de 1950, os dados originais sinalizavam um resfriamento!
Na estação de Mariscal Estigarribia, o pico de 25,4oC registrado na década de 1950 foi “reajustado” para 22,5oC. Em San Juan Bautista e Puerto Casado, os ajustes foram da ordem de 2oC para baixo (vide abaixo os gráficos de Puerto Casado).

Dados originais de temperaturas atmosféricas na estação meteorológica de Puerto Casado (GISS).

Gráfico “ajustado” das temperaturas na estação meteorológica de Puerto Casado (GISS).
É claro que existem motivos para se efetuarem correções nas séries de temperaturas mais antigas, devido às relocalizações das estações meteorológicas, ao efeito da “ilha de calor urbana” e outros fatores, mas, como numerosos pesquisadores já apontaram, tais ajustes embutem um alto nível de subjetividade, pois não existem fórmulas precisas para eles. E, quando a subjetividade entra em cena, assim como outros cientistas já eliminaram fraudulentamente o Período Quente Medieval e ocultaram numerosos dados contrários ao cenário “aquecimentista” (como revelou o escândalo “Climategate”), não surpreenderia que “o ano mais quente já registrado” se revelasse mais uma fabricação.

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Msia Informa
