Por que George Soros está histérico com a Ucrânia?

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O megaespeculador George Soros está apoplético com a situação na Ucrânia e quer que a União Europeia (UE) e os EUA façam “tudo o que estiver ao seu alcance” para ajudar o governo de Kiev a derrotar militarmente os insurgentes do Leste do país. Embora faça a ressalva de que a sugestão não inclua o envolvimento em um confronto militar direto com a Federação Russa, muitos observadores do conflito ucraniano avaliam que tal desfecho seria inevitável, diante de um apoio ocidental mais direto a Kiev, por exemplo, com o envio de armamentos pesados.

Em um artigo divulgado pelo Project Syndicate e publicado em vários jornais do mundo, inclusive o brasileiro Valor Econômico (“Última chance para Ucrânia e Europa”, 31/03/2015), Soros investe ferozmente contra a Federação Russa, responsabilizando o governo do presidente Vladimir Putin pela crise:

A Rússia de Vladimir Putin é o agressor, e a Ucrânia, ao se defender, está defendendo os valores e princípios que alicerçam a construção da UE. Mas a UE trata a Ucrânia como mais uma Grécia.

O que Soros não diz é que o atual governo de Kiev, recheado de radicais neofacistas, nada tem a ver com “os valores e princípios” que motivaram a integração europeia, muito ao contrário. E, tampouco, que a crise ucraniana foi fomentada, em grande medida, pela constelação de ONGs vinculada às redes do “Projeto Democracia” estadunidenses e ao seu próprio Open Society Institute, que, nas últimas décadas, têm se especializado em promover “revoluções coloridas” em numerosos países, de acordo com a agenda geopolítica do eixo Washington-Londres.

O próprio Soros não faz segredo disso, já tendo admitido que as suas ONGs ucranianas têm tido uma participação relevante nos acontecimentos no país, como fez em uma entrevista ao apresentador da rede CNN Fareed Zakaria, em 25 de maio de 2014.

A rede de Soros opera na Ucrânia desde 1989, dois anos antes da implosão da União Soviética. Desde então, a International Renaissance Foundation (IRF) e o Open Society Institute investiram mais de 100 milhões de dólares, para criar e apoiar ONGs locais, com treinamento, seminários e outros meios, com o objetivo expresso de promover a integração da Ucrânia à UE e afastá-la da influência da Rússia.

A apoplexia do vetusto megaespeculador sugere que os acontecimentos não estão tomando o rumo esperado por ele e seus pares oligárquicos.

5 comments

  1. Toda a guerra, historicamente, ao longo da aventura humana neste planeta, decorre de interesses econômicos. Embora, às vezes, apareça maquiada por outras motivações, religiosas, libertária, ideológica etc, mas no fundo sempre estará a motivação econômica.

    Ora, se vivemos num mundo em que a metade ou mais da capacidade industrial das grandes potencias está voltada para a indústria bélica, é elementar o entendimento de que a guerra é vital para estes países a fim que mantenham sua indústria funcionando portando realizando o lucro.

    A Paz, no modelo que está aí é um tiro no pé do Sistema planetário vigente.
    Portanto sempre teremos uma paz precária.

    Ainda não ocorreram as 3a. 4a. etc guerras mundiais, por um paradoxo “salvador”, o poder dissuasório da arma atômica. . .

  2. Os americanos de tanta ambição por poder e dominação vão herdar uma terra contaminada de irradiação. Queria saber se já não basta ser rico, tem que se meter também no quintal dos outros. A minha antipatia só aumenta.

  3. Talvez Putin estivesse “historicamente correto” ao anexar a Crimeia, pois a sua incorporação à Ucrânia fosse apenas uma “balinha para adoçar” a boca da Ucrânia após o Holomodor. Mas apoiar separatistas como ele tem feito mostra como esse senhor tem tendências tão facistas (ou mais) que esses elementos que hoje fazem parte do governo ucraniano.
    Vejo essa briga entre Soros e Putin apenas como briga entre quadrilhas que disputam uma área para poderem exercer suas atividades criminosas livremente. Vemos todos os dias essas coisas acontecerem na Cidade do Rio de Janeiro, infelizmente.

  4. A Russia nao tem que ficar esperando por tempo ruim, e deve atraves do serviço secreto destruir todas as ongs que estejam na Ucrtania e jamais permitir que o imperialismo americano domine a regiao, se isso acontecer os RUSSOS vao ficar muito mau.Putin deve se empenhar ao maximo com sua KJB para destruir esses facistas que depuseram um presidente legitimamente eleito pelo povo.

  5. Russia e alvo permanente para desmembramento. EUA tem o objetivo final uma Siberia mais ou menos anexada aos EUA. Uma Siberia triturada em “independencias etnicas” e como “Associated States” ao estilo como a Micronesia, Ilhas Marshall, e Palau. O objetivo nao e somente contra Russia, mas tambem para ter control do norte da Asia acima das fronteiras da China. Siberia e a luta durante o seculo e posivelmente no seculo proximo. A Franca de Sarkozy tinha apoiada os terroristas islamistas nos conflitos na Chenchenya. Finlandia apoia “ops” na Karelia russa. Ha outras “ops” para estimular resistencia ( dentro de Raipon) e entre as etnias no artico russo. Russia somente tem solucao de lutar. Nisto parece pode contar com o apoio da China que e tambem e alvo de desmembramento, e interesada de manter a fronteira norte sem control desde “parceiros” dos EUA. A recuperacao da Crimeia tem sido un golpe mestre estrategico. Mas o problema economico da Russia e um problema sistemico muito critico, porque provoca emigracao de cientistas e tecnicos.

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