Macron quer “moratória verde” para reindustrializar França… enquanto a UE cria mais obstáculos à agropecuária brasileira

Pimenta nos olhos dos outros é sempre refresco, diz o ditado, principalmente, quando vem com o rótulo “verde” do radicalismo ambientalista instrumentalizado politicamente pelas potências industrializadas do Hemisfério Norte. Esta é a lição que fica mais uma vez evidente com a descarada admissão do presidente francês Emmanuel Macron, de que o excesso de regulamentações ambientais é bastante prejudicial às atividades produtivas.

Macron quer nada menos que uma “pausa regulatória europeia” nas restrições ambientais, argumentando que a União Europeia (UE) já fez “mais que todos os vizinhos” nessa área e, agora, “precisa de estabilidade”. As declarações foram feitas em uma entrevista coletiva em 11 de maio, na qual discutiu os seus planos para a “reindustrialização” da França, que inclui incentivos fiscais e outras medidas para apoiar as indústrias “verdes”, inclusive a produção de veículos e baterias.

“Em termos regulatórios, nós já estamos à frente dos estadunidenses, dos chineses e de qualquer outra potência no mundo”, afirmou, acrescentando que “nós não devemos fazer novas mudanças nas regras”, o que geraria “riscos” ao “financiamento” dos projetos.

Os alvos principais de Macron são as políticas protecionistas do governo dos EUA em favor da chamada “transição energética” e a crescente capacidade produtiva da China.

No Brasil, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) criticou o posicionamento do presidente francês.

“Imagine-se a gritaria mundial se o governo brasileiro solicitasse uma pausa nas regulamentações ambientais hoje em vigor, alegando que precisa de mudanças em sua economia. Com certeza, haveria um protesto internacional veemente, enfurecido – Greenpeace, Greta [Thunberg], Leonardo DiCaprio, ONGs. Sem falar, é claro, dos governantes de países europeus. Todo mundo estaria estarrecido”, disse ele, em um pronunciamento no Senado (Agência Senado, 17/05/2023).

Igualmente, o senador lembrou que a França não é praticante solitária da “hipocrisia ambiental”, citando a Alemanha e os EUA: “Esses países ricos que nos contestam e oprimem em questão ambiental, se descobriram ambientalistas depois que ficaram ricos. Isso é hipocrisia! Trata-se, mais uma vez, de uma armadilha. Os países já desenvolvidos não se envergonham de usar esses recursos naturais como bem lhe aprazem: caso de Macron, caso da Alemanha, caso dos Estados Unidos. Fica aqui, portanto, o registro de um senador que não se cansa de protestar, de se opor aos ‘trombeteiros do apocalipse’. Em momento algum contesto a necessidade de preservação do nosso meio ambiente. Mas não aceito que venham nos impor limites quando eles próprios agem no sentido contrário quando isso lhes traz benefícios.”

Enquanto isso, em Bruxelas… 

Enquanto o presidente Emmanuel Macron pede uma “moratória ambiental” na França, a União Europeia (UE) lança mais barreiras “verdes” à importação de produtos agropecuários de países detentores de grandes extensões florestais.

Em 16 de maio, entraram em vigor as novas sanções impostas pelo Conselho da União Europeia aos produtos provenientes de áreas desmatadas desde o início de 2021, independentemente de se o desmatamento for legal ou ilegal. Os produtos citados são soja, carne, café, madeira, borracha, produtos de couro, móveis e cosméticos.

Segundo Mário Sérgio Lorenzetto, do sítio Campo Grande News (17/05/2023), não é difícil perceber que o Brasil é o alvo principal das novas sanções.

Após 18 meses da publicação da lei, a Comissão da UE fará uma reavaliação do risco de desmatamento para classificar os países em uma escala que irá de “baixo risco” (para produtos que terão algum tipo de concessão) a “alto risco” (submetidos a fortes controles). A lista de produtos submetidos aos controles será revisada regularmente, podendo ser reduzida ou ampliada.

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