Índia denuncia influência externa em protestos antinucleares

Aos poucos, os governos nacionais começam a superar o receio de confrontar o aparato supranacional de ONGs que, sob a capa da defesa do meio ambiente, das populações indígenas ou dos direitos humanos, ocultam uma agenda intervencionista a serviço de potências estrangeiras. Mesmo com o conhecimento de que tais entidades representam interesses políticos e econômicos alienígenas, os governos temem confrontações abertas com elas, exatamente, por temer contrariá-los.

O mais novo membro do clube é o governo da Índia, que perdeu a paciência com as intervenções externas contra o bem sucedido programa nuclear do país, orientadas contra a construção de dois novos reatores, em Koodankulam, no estado de Tamil Nadu, no sul do país. Em entrevista, o próprio primeiro-ministro Manmonah Singh afirmou que a Índia está sendo vítima de uma intensa campanha de grupos estrangeiros, que estão por trás das manifestações contra a construção das novas usinas nucleares (World Nuclear News, 24/02/2012).

Sem mencionar os seus nomes, Singh afirmou que “aqui existem ONGs, a maioria financiadas desde os Estados Unidos e países escandinavos, que não compreendem totalmente os desafios que o nosso país enfrenta para se desenvolver”. E acrescentou: “Por exemplo, o que está ocorrendo em Koodankulam. O programa de energia atômica tem enfrentado dificuldades por causa destas ONGs, a maioria das quais baseadas nos Estados Unidos, e que não apreciam os esforços do nosso país em aumentar a geração de energia.”

O projeto de Koodankulan, que contempla a construção simultânea de duas usinas nucleares com reatores de 1.000 MW, remonta a 1988, objeto de um acordo assinado entre o então primeiro-ministro Rajiv Gandhi e o presidente da URSS Mikhail Gorbatchov. A construção dos dois reatores de água pressurizada (PWR) foi concluída logo após o acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em março de 2011. Entretanto, alguns meses depois, já na fase de comissionamento das usinas, grandes protestos locais emergiram, subitamente, na região, contra a operação da central nuclear.

Em resposta, o governo indiano determinou o congelamento dos ativos bancários de quatro ONGs envolvidas nos protestos, lideradas pela People’s Movement Against Nuclear Energy (Movimento Popular contra a Energia Nuclear). Segundo o secretário do governo indiano, Raj Kumar Singh, o Escritório Central de Investigação federal (CBI, na sigla inglesa) e a polícia local de Tamil Nadu registraram ações judiciais contra estas ONGs, por “violar as disposições da Lei de Regulamentação das Contribuições Estrangeiras” (BBC, 29/02/2012). Além disso, esclareceu que a determinação de congelar os bens das ONGs foi tomada depois que “se identificou que elas estavam aplicando o dinheiro que haviam recebido dos seus doadores externos, para financiar os protestos contra as usinas de Koodankulam”.

Outra medida do governo foi a deportação do alemão Sonnteg Reiner Hermann, que estava na Índia com um visto de turista e foi preso pela polícia de Tamil Nadu, por ter ajudado a organizar os protestos na região. O chefe de gabinete do premier, V. Naryanasamy, afirmou que Hermann violou os termos do seu visto de entrada no país e esteve “ativamente envolvido” nos protestos. “Trata-se de um evidente caso de dinheiro estrangeiro sendo usado abusivamente pelas ONGs em Koodankulam. Os protestos foram, obviamente, arquitetados”, disse ele ao jornal Indian Express (28/02/2012).

One comment

  1. Finalmente estao entendendo o tamanho do problema dar credito a estas ong’s que so querem o atraso de nacoes que lutam pelo desenvolvimento.
    COLONIALISMO, este e o nome desta avalanche ong’s.

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