Histeria sobre Amazônia e clima não tem a ver com Ciência, mas com hegemonia

Ninguém se iluda: a histeria global sobre as mudanças climáticas e a suposta “devastação” da Amazônia não tem nada a ver com evidências científicas ou fatos reais, mas com a preservação a qualquer custo da agenda hegemônica das antigas potências dominantes do Hemisfério Norte. Hegemonia que se acha mortalmente ameaçada pela instabilidade intrínseca do sistema financeiro internacional baseado no dólar estadunidense e pela emergência inexorável do eixo eurasiático encabeçado pela China e a Rússia, com sua proposta para um novo sistema internacional de cooperação para o desenvolvimento compartilhado, baseado em uma visão “ganha-ganha”, o qual vem de encontro aos esforços próprios que um grande número de países têm feito nas últimas décadas para superar o subdesenvolvimento. Quadro em tudo contrário às ideologias de “soma zero” promovidas pelo moribundo eixo euroatlântico capitaneado pelos EUA e seus apêndices da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), criadores e controladores do movimento ambientalista-indigenista internacional, um dos seus instrumentos favoritos de intervenção política em países colocados na lista de alvos.

A “financeirização” – ou melhor, “dolarização” (com o euro em papel subordinado) – das questões ambientais em geral, e climáticas em particular, constitui uma peça-chave do esforço de dar uma sobrevida ao sistema financeiro internacional em sua presente forma hiperespeculativa, sobre o qual paira a volatilidade intrínseca de instrumentos financeiros sem qualquer vínculo com a economia real, cujo montante é estimado na casa de 1,5-2 quatrilhões de dólares, 20-25 vezes maior que o Produto Interno Bruto (PIB) de todos os países somados.

Toda essa cordilheira de ativos intangíveis (ou fictícios) precisa ser rapidamente convertida em ativos “tangíveis”, como títulos e investimentos coloridos de “verde”, com os quais os grandes fundos de gestão de ativos, megabancos, “bancos paralelos” e outras entidades que integram o sistema financeiro globalizado, possam manter o seu controle sobre uma grande parcela da economia global, nos países que aceitarem acriticamente as novas regras do jogo.

Por sua vez, a China e a Rússia vem convertendo rapidamente os seus ativos denominados em dólares em atividades produtivas reais, com destaque para os grandes projetos de infraestrutura da Iniciativa Cinturão e Rota chinesa – fator que reforça a pressa dos controladores do sistema hegemônico, no circuito Washington-Nova York-Londres-Bruxelas-Frankfurt-Basileia, para implementar e consolidar a sua agenda “verde-carbônica”.

O componente ambiental/climático, também rotulado de “sustentabilidade”, é um elemento central do chamado “Grande Reset”, com o qual as elites econômicas e financeiras globais pretendem configurar a reconstrução da economia mundial dos efeitos da pandemia de Covid-19.

Daí, e não de uma crise climática artificial e desprovida de fundamentação científica, vem a motivação principal da criação e consolidação rápida de uma “economia de carbono”, baseada em conceitos artificiais de “eficiência”, “neutralidade”, “conteúdo” de carbono e outros, além de rótulos meramente propagandísticos, como a alardeada sigla ESG (meio ambiente, responsabilidade social e governança corporativa), uma repaginação das normas ISO da década de 1990, então apontadas como o Santo Graal das práticas empresariais.

Escusado dizer que nada disso tem qualquer relação funcional com os requisitos das atividades produtivas da economia real, principalmente, na esteira da devastação socioeconômica gerada pela pandemia, cuja reversão não será possível sem maciços investimentos públicos e privados em atividades produtivas multiplicadoras de valores de toda ordem, orientados pelos interesses nacionais dos diversos países, e não pelos apetites insaciáveis dos mercados financeiros, com ou sem rótulos “verdes”.

Em paralelo com esses desdobramentos, o atual governo dos EUA está empenhado em entronizar a suposta crise climática no centro da sua política externa e de segurança nacional, o que coloca um desafio adicional para países em desenvolvimento como o Brasil, já pressionado pelos promotores corporativos das “finanças verdes”, aos quais não são alheias motivações protecionistas disfarçadas de preocupações ambientais.

Desde a sua origem, há mais de seis décadas, o movimento “verde-indígena” internacional tem sido um poderoso instrumento político a serviço da agenda neomalthusiana e antidesenvolvimentista do Establishment oligárquico internacional, em especial, o seu componente anglo-americano e suas ramificações europeias. De início, seu objetivo primário era o de colocar obstáculos para a expansão da industrialização em todo o mundo, para “preservar” os recursos naturais – considerados escassos – para as suas próprias economias. A demonização dos combustíveis fósseis serve perfeitamente a esse propósito, além de funcionar como boia de salvação do sistema financeiro “globalizado” e instrumento geopolítico contra países desafiadores da ordem hegemônica, com a China, Rússia e Irã ocupando lugares de destaque.

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