Fundação das Nações Unidas treina jornalistas “sustentáveis”

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A Fundação das Nações Unidas (UNF, na sigla em inglês) está preparando um time internacional de jornalistas de 33 países para promover uma melhor divulgação da agenda ambientalista em todo o mundo. A iniciativa, anunciada em abril último, é uma parceria com as fundações Thomson Reuters e Jynwel, com vistas a apoiar os dois grandes eventos da agenda ambientalista das Nações Unidas este ano: o estabelecimento das novas Metas de Desenvolvimento Sustentável, em setembro, e a Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP-21), em dezembro.
Para a UNF, tais eventos representam “o maior desafio e oportunidade de comunicações na nossa geração” (UNF, 23/04/2015).

Nas palavras da presidente da Fundação, Kathy Calvin:

Em um ano em que há tanta coisa em jogo para o mundo, comunicações robustas e inovadoras têm que estar no centro das discussões das novas metas globais. Estamos todos contando com organizações inovadoras que estão comprometidas com uma conversação robusta e honesta sobre essas novas metas. Nós damos as boas-vindas a parcerias que possibilitem que todas as vozes sejam ouvidas e que ofereçam a organizações da mídia, da sociedade civil e a especialistas, as ferramentas para se unir de uma maneira informada e autêntica, como parte do processo.

A iniciativa, que tem um orçamento de 6 milhões de dólares, tem como focos principais: 1) parcerias que incentivam níveis ampliados de reportagens; 2) capacitação e treinamento para jornalistas, organizações de mídia e porta-vozes; e 3) engajamento e ação em torno das conversações para 2015.

Em outras palavras, assim como outras fundações oligárquicas, em especial as da família Rockefeller, a UNF está investindo na criação e adestramento de um esquadrão de jornalistas simpáticos à agenda ambientalista, com bolsas de apoio para a participação em cursos e seminários internacionais e outros mimos, que costumam resultar em um alinhamento semiautomático com as suas diretrizes, em paralelo com uma drástica redução do senso crítico e de qualquer sentido de objetividade.

Ao contrário do que o nome sugere, a UNF nada tem a ver oficialmente com a Organização das Nações Unidas (ONU), tendo sido criada em 1988, pelo magnata das telecomunicações Ted Turner, um dos principais patrocinadores da agenda malthusiana disfarçada de proteção ambiental, com uma dotação inicial de nada menos que 1 bilhão de dólares.

A Thomson Reuters Foundation, sediada em Londres, é a entidade “filantrópica” da empresa jornalística do mesmo nome, e a Jynwel Charitable Foundation é o braço igualmente “filantrópico” da Jynwel Capital, grupo de investimentos sediado em Hong Kong.

Por isso, no trabalho dos profissionais agraciados com as bolsas do programa encabeçado pelo UNF, é melhor não esperar que “todas as vozes sejam ouvidas”, pois os egressos das iniciativas do gênero costumam ser um tanto surdos em relação às posições que divirjam da agenda ideológica e política adotada por eles.

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