“Folha de Boa Vista” fala com Lorenzo Carrasco

Na edição de 22 de janeiro, o jornal Folha de Boa Vista publicou uma entrevista com Lorenzo Carrasco, membro do conselho editorial do Alerta em Rede, na qual volta a fazer contundentes denúncias contra o movimento indigenista no Brasil. Segundo ele, os recentes conflitos entre indígenas e não-indígenas em vários estados são um movimento orquestrado por organizações não-governamentais (ONGs), com o objetivo principal de desestabilizar o País, e a tensão pode se agravar, caso o governo federal mantenha a sua atitude diante do problema.

Na entrevista, Carrasco, que é coautor do livro Quem manipula os povos indígenas contra o desenvolvimento do Brasil: um olhar nos porões do Conselho Mundial de Igrejas (Capax Dei, 2013), ressaltou o histórico do indigenismo no mundo, afirmando que “a política indigenista foi criada pelo Conselho Mundial de Igrejas. Em 1972, durante reunião de antropólogos, em Barbados, no Caribe, patrocinaram uma nova antropologia, revolucionária, como diretores de uma rebelião indígena. Isso consta em documentos que registraram a reunião. Meses depois, foi criado o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), sob a influência dessa nova antropologia”. Ele destacou ainda que o CIMI não está preocupado em evangelizar os índios, mas sim em “manipulá-los como massa de manobra para dividir o País”.

Nesse sentido, Carrasco ressaltou que as ONGs indigenistas buscam “expulsar os brasileiros de dentro das reservas, qualificá-los como intrusos. Uma verdadeira barbaridade contra o País. Tirar pequenos e médios produtores de suas terras, como aconteceu em Mato Grosso, no ano passado, e está para acontecer no Maranhão, suscitando que a população, por conta própria, defenda seus direitos. Nessas condições, pode haver conflitos diretos, como aconteceu em Humaitá, há duas semanas”.

O jornalista enfatizou que o Brasil é um país completamente mestiço, que acolhe povos descendentes das mais diversas regiões do planeta, e afirmou que a pretensão indigenista de separar populações indígenas inteiras, com base no conceito de pureza racial, é um crime contra a integridade cultural nacional, na medida em que tenta desqualificar a mestiçagem. Carrasco ainda afirmou que esta concepção pretende introduzir uma ideia de “higiene racial” no País, com a pretensão de “manter a pureza dos silvícolas, em uma clara política que já foi condenada pela humanidade no século passado”.

Em sua visão, o isolamento dos povos indígenas pretendido por tais ONGs “é também um crime de lesa-humanidade, no momento em que retira das populações indígenas três direitos inalienáveis. Um é a liberdade, porque eles ficam confinados, não podem sair da reserva. Segundo, não têm direito ao desenvolvimento pleno de sua própria vida, vivem em condições de silvícolas, com média de vida inferior a de não indígenas. Terceiro, não têm como prosperar, estão proibidos”.

Em sua conclusão, Carrasco deixou claro que os efeitos dessa nefasta campanha do indigenismo, em vários estados brasileiros, está provocando uma escalada no potencial de conflitos nessas regiões: “São mais de dez áreas onde podem ocorrer conflitos.” Ele lembrou ainda que a homologação da reserva indígena Raposa Serra do Sol (RR) foi um marco do movimento indigenista no Brasil, e ressaltou resultado dessa medida para a região: “Roraima já foi entregue e está inviabilizado como estado. Quebraram o setor produtivo, e a mesma lógica está acontecendo no País”.

One comment

  1. O jornalista Lorenzo Carrasco foi extremamente feliz e oportuno ao afirmar que as ações do movimento indigenista fazem parte de um processo de “higiene racial”.
    Essa ideia nos leva inconscientemente a pensar em genocídio.
    Pesquisando a respeito podemos ler no Código Penal Militar do Brasil (que foi a primeira legislação brasileira a tratar de genocídio) o texto abaixo

    “Art. 208. Matar membros de um grupo nacional, étnico, religioso ou pertencente a determinada raça, com o fim de destruição total ou parcial desse grupo:

    Pena – reclusão, de quinze a trinta anos.

    Casos assimilados

    Parágrafo único. Será punido com reclusão, de quatro a quinze anos, quem, com o mesmo fim:

    I – inflige lesões graves a membros do grupo;

    II – SUBMETE O GRUPO A CONDIÇÕES DE EXISTÊNCIA, FÍSICAS OU MORAIS, CAPAZES DE OCASIONAR A ELIMINAÇÃO DE TODOS OS SEUS MEMBROS OU PARTE DELES;

    III – FORÇA O GRUPO À SUA DISPERSÃO;

    IV – impõe medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo;

    V – efetua coativamente a transferência de crianças do grupo para outro grupo.”

    Veja que interessante! A FUNAI promove a dispersão de não indígenas (a famigerada desintrusão) forçando um grupo (no caso não indígena) a sair de um território onde muitas vezes estavam legalmente. Isso sem falar na não indenização ou sub-indenização, no caso menos grave. Não foi isso que ocorreu em Roraima, na Reserva Raposa – Serra do Sol? Não seria o caso de enquadrá-la no inciso III do Art 208 do CPM?

    No caso dos indígenas, a FUNAI, com o apoio do IBAMA, cria obstáculos para os índios desenvolverem atividades econômicas viáveis para seu progresso levando-os a cometerem atos desesperados tais como violações de direitos individuais de toda ordem para obterem recursos para sobreviverem. Foi isso que vimos na reportagem. Não seria o caso de enquadrar o IBAMA e a FUNAI como copartícipes nesse crime, enquadrado no inciso II do mesmo artigo?

    Existe ainda a Lei nº 2889/56, de 1º de outubro de 1956, que também tipifica com a mesma redação o crime de genocídio no seu artigo 1º e dá outras definições.

    Parabéns pela matéria. É fácil concluir que a política indigenista no Brasil é genocida e suas vítimas são o cidadão comum e os próprios índios.

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