Fábrica de índios da Funai

Por Adauto Carneiro*

As delegacias da Polícia Federal de Guaíra, de Cascavel e de Foz do Iguaçu instauraram inquéritos para investigar possíveis irregularidades na emissão dos chamados Ranis (Registros Administrativos de Nascimento Indígena) em cartórios de todos os municípios cobertos por essas delegacias.

Até o momento, já foi identificada mais de uma centena de irregularidades e fraudes para a emissão e obtenção desses documentos, além de revelar um possível envolvimento de servidores da Funai (Fundação Nacional do índio), que facilitariam o acesso dos documentos aos paraguaios.

O documento, que questiona a forma como áreas vêm sendo invadidas por indígenas em todo o cinturão oeste do Paraná e que estão prestes a serem demarcadas como terras indígenas pelo governo federal, ilustra inúmeras apurações de indígenas que possuíam Ranis como nascidos no Brasil e em sua maioria possuem documentos atestando a origem paraguaia.

Os documentos possibilitariam a estada dos indígenas na região oeste do Paraná, sobretudo em municípios como Guaíra e Terra Roxa, em áreas a serem demarcadas como territórios indígenas. Uma das alegações dos próprios indígenas para a demarcação é a de que esse entorno foi habitado pelos seus ancestrais e, por isso, lhes pertenceria. Contudo, se os registros forem de fato falsificados, esse argumento cai por terra.

Segundo o delegado da PF em Cascavel, Marco Smith, os inquéritos devem seguir pelo menos até o fim do ano, pois quase diariamente surgem novos elementos às investigações. “Pelo que temos apurado, essas situações têm ocorrido em toda a região da fronteira com o Paraguai, aqui, no Paraná, e no Mato Grosso do Sul. Temos mais de uma centena de casos e estamos caminhando para quase duas centenas”, revela.

Dentre as interceptações feitas, que constam no relatório e que são apuradas pela PF, há um fato registrado no dia 17 de dezembro de 2017, quando dois veículos, uma van e um táxi, ambos com placas paraguaias, foram interceptados no posto de fiscalização da PRF (Polícia Rodoviária Federal) na cabeceira da Ponte Ayrton Senna, em Guaíra. Tanto motoristas quanto ocupantes disseram às forças de segurança que estavam indo ao Paraguai exercer o seu direito ao voto. Ocorre que, durante a inspeção, observou-se que se tratavam todos de cidadãos paraguaios, apresentando, inclusive, as identidades do país de origem, mas também possuíam certidões brasileiras, como se tivessem nascido do lado de cá da fronteira. Este fato ajuda a corroborar a tese de documentos falsificados para justificar a presença de indígenas paraguaios no Brasil.

* Antropólogo e consultor de empresas.

 

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