Ex-astronauta quer transformar Roraima em “ecoestado”

O estado de Roraima já tem mais de 80% do seu território demarcados como áreas de proteção ambiental ou terras indígenas, formando um mosaico que praticamente inviabiliza qualquer plano de desenvolvimento baseado na agregação de valor aos seus recursos naturais. Autoridades federais, como o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, já admitiram publicamente que tais níveis de “proteção” representam um preço a ser pago pelo “compromisso” internacional do País com a proteção do bioma Amazônia – em detrimento dos interesses maiores da sociedade roraimense, em particular, e brasileira, em geral. Por isso, causa surpresa a proposta do ex-astronauta Marcos Pontes, que sugere converter Roraima no primeiro “ecoestado” do planeta.

A proposta foi apresentada pelo brasileiro para a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), durante o Fórum de Energia de Viena, no final de maio. Pontes, que é tenente-coronel da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) e embaixador da Boa Vontade da UNIDO, apresentou o plano a funcionários da agência, que, segundo Pontes, estão elaborando projetos similares para países africanos. A decisão final sobre os projetos que terão apoio da agência será divulgada no segundo semestre.

Em entrevista à Rádio ONU, Pontes declarou: “Eu propus o estado de Roraima por causa da sua localização dentro da Amazônia, que já chama a atenção, naturalmente, para a questão da sustentabilidade. Pelo estágio de desenvolvimento do estado que também é muito propício para um direcionamento sustentável. E também pelo número de cidades. Eu acho que é um estado, um bom local para desenvolver”.

Segundo ele, “a ideia é trazer e integrar tecnologias e metodologias já testadas em projetos da ONU no mundo todo. E, a partir daí, integrá-las num local só. Coisa que a gente não tem ainda no planeta” (Rádio ONU, 31/05/2013).

Em 2006, integrando a chamada Missão Centenário, em homenagem aos 100 anos do vôo da aeronave 14-Bis, de Alberto Santos-Dumont, promovida pela Agência Espacial Brasileira (AEB), Pontes protagonizou a primeira viagem de um brasileiro ao espaço, a bordo da nave russa Soyuz TMA-8 e passando oito dias na Estação Espacial Internacional – a um custo de 10 milhões de dólares (depois que a AEB gastou cerca de 30 milhões de dólares nos seus oito anos de treinamento na Agência Nacional de Aeronáutica e Espaço-NASA estadunidense). Contudo, o “primeiro astronauta brasileiro” causou um grande constrangimento ao comando da FAB e uma enorme decepção à maioria dos brasileiros, quando, apenas um mês após o retorno do espaço, pediu passagem para a reserva, para se dedicar a atividades privadas, com palestras, consultorias técnicas e publicidade. Atualmente, ele é sócio de uma empresa que promove pacotes de passeios em caças russos MiG-29, mergulhos oceânicos em minissubmarinos e aventuras do gênero.

Já que não demonstrou qualquer preocupação com o retorno dos vultosos investimentos feitos pelo Estado brasileiro em sua formação e preparação, Pontes bem poderia obsequiar-nos com o seu silêncio, em relação aos problemas do desenvolvimento do País. Muitos roraimenses, pelo menos, agradeceriam penhorados.

6 comments

  1. Gostaria de explicar alguns pontos sobre a metéria em questão e informar ao escritor do artigo algumas informações que lhe faltaram conhecimento:
    1 – Marcos Pontes não é um “EX-ASTRONAUTA” como está identificado no título da matéria. Pontes ainda é astronauta e está a serviço da AEB para outra missão espacial ou algum projeto que envolva sua carreira.
    2 – O Astronauta Brasileiro em nenhum momento pediu para ir para a reserva da FAB, ele foi convidado a sair, pois, Pontes é tenente coronel pela FAB, ou seja, é um Militar. A função de astronauta é uma carreira Civil, portanto, Marcos teve de deixar a FAB para se dedicar ao treinamento de astronauta na NASA. E depois que ele retornou do espaço, ele não poderia voltar a FAB, já que não seria mais possível ele “subir de cargo”, na carreira militar, virar um brigadeiro ou até um coronel, nem mesmo com o treinamento civil na NASA.
    3 – Justamente por Roraima ter todos estes atributos mencionados, que é o lugar perfeito para desenvolver o projeto, o Estado de Roraima será modelo no mundo.

    Acho que ficou tudo esclarecido!!!

    • Na época, a imprensa informou que Pontes foi para a reserva por iniciativa própria (como está relatado no seu verbete da Wikipedia) e que o fato causou grande constrangimento ao comando da FAB. Quanto a Roraima ser “modelo no mundo”, é um conceito bastante pessoal; conhecendo de perto a realidade local, posso assegurar-lhe que os roraimenses trocariam de bom grado o seu estado atual de “vitrine ambiental e indígena” por alguma perspectiva de desenvolvimento à moda antiga, baseada em atividades produtivas, não necessariamente causadoras de impactos ambientais elevados.

  2. Por exemplo: a GTZ, ONG alemã, foi quem financiou por décadas todas as iniciativas de demarcação de terras indígenas no Brasil. Praticamente todas as demarcações ocorridas na década de 90 foram financiadas pela agência alemã de cooperação.Revista Infovias: Então há interesses internacionais em frear o desenvolvimento do Brasil?Edward: As provas e evidências que eu coletei até o momento, indicam que sim. Há um crescente interesse no controle e domínio de recursos naturais nacionais. Tais interesses excusos se escondem por trás de iniciativas e atividades aparentemente legítimas, como por exemplo, demarcar terras indígenas, criação de territórios quilombolas, de comunidades tradicionais e unidades de conservação.

  3. Está tudo esclarecido, perdemos o estado de Roraima e nossos políticos e autoridades concordaram em unanimidade. Agora vão para o Amazonas e Pará com as milhares de Ongs lotearem o resto da riqueza que nos resta e entregar para os gringos em troca de algumas miçangas.

  4. Esse pontes devia ser preso igual ao EUA fazem com os soldados dele

  5. Pontes nunca saiu dos militares por conta própria e foi posto na Reserva pela própria FAB (já que não é possível ter um astronauta – atividade civil – e militar). Por seu trabalho na missão espacial, ao tentar salvar a cara do Brasil lá fora e seus projetos educacionais, esse cara devia ser um herói nas escolas brasileiras.

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