Dilma e o forfait no Dia da Vitória

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A lamentável e injustificável decisão da presidente Dilma Rousseff de cancelar a sua participação na cerimônia dos 70 anos do final da II Guerra Mundial na Europa, no Rio de Janeiro, mostra o seu total isolamento político e perda de sentido de realidade. A despeito da ameaça de protestos populares, como chefe de Estado de um dos países que derramaram sangue contra o nazifascismo, a sua presença seria obrigatória em um evento cuja dimensão histórica deixa em plano secundário as tribulações momentâneas decorrentes do desgaste político. Com um pouco mais de determinação, ela poderia até mesmo enfrentar eventuais protestos com uma preleção sobre o significado da ocasião aos que desconhecem a História. Desafortunadamente, a presidente e seus assessores se apequenaram, pois será a última celebração com data redonda que contará com um número significativo de sobreviventes do conflito.

Ademais, a ausência pode sinalizar uma rendição às crescentes pressões dos EUA para realinhar o Brasil à agenda do “livre comércio” e enfraquecer a posição do País no grupo BRICS. Antes, Dilma já havia cancelado a sua presença na cerimônia do Dia da Vitória em Moscou, no sábado 9, a pretexto da necessidade de permanecer no País para as negociações políticas no Congresso sobre o ajuste fiscal.

Sintomaticamente, um artigo do jornalista José Carlos de Assis denuncia que o Banco Central, “em mais uma ação de cabal subordinação à finança anglo-americana”, está “dificultando com a evidente intenção de sabotar a capitalização da parte brasileira no Banco dos BRICS, sob o pretexto imbecil de proteger as reservas internacionais” (Monitor Mercantil, 5/05/2015). Onde há fumaça, costuma haver fogo.

Com o seu forfait, Dilma transmite ao mundo a mensagem de que o Brasil está renunciando às responsabilidades de um global player e refugiando-se em um bisonho enquadramento paroquial, que não faz justiça às enormes potencialidades do País.

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