Deu no New York Times: Putin acha que aquecimento global é fraude

484422259_e9d00ed990

O presidente russo Vladimir Putin, quem diria, é um crítico do catastrofismo climático – pelo menos, a se dar crédito ao New York Times. Na edição de 29 de outubro, o jornal novaiorquino publicou uma reportagem (“Mídia russa pega deixas do cético Putin”, em inglês), na qual lamenta que a mídia do país não dá devida atenção aos problemas e às consequências das mudanças climáticas, como os grandes incêndios florestais na Sibéria, em grande medida, devido à posição crítica de Putin sobre o tema.

Diz o jornal (cujo mote é “todas as notícias dignas de serem impressas”):

A indiferença reflete as dúvidas generalizadas do público, de que as atividades humanas desempenhem um papel significativo no aquecimento global, linha dada pelo presidente Vladimir Putin, que tem oferecido apenas vagos e modestos compromissos de cortes de emissões, diante da cúpula climática da ONU, em dezembro, em Paris.

A visão oficial russa parece ter mudado pouco desde 2003, quando Putin disse, em uma conferência climática internacional, que temperaturas mais quentes significariam que os russos “gastariam menos em casacos de peles”, enquanto “especialistas agrícolas dizem que a nossa produção de grãos aumentaria, e damos graças a Deus por isso”.

O presidente acredita que “não existe aquecimento global, que isso é uma fraude para restringir o desenvolvimento industrial de muitos países, inclusive a Rússia”, diz Stanislav Belkovsky, um analista político e crítico de Putin. “É por isso que esse assunto não é um tema de discussões para a maioria da mídia e da sociedade russas, em geral”. (…)

E com a mídia russa enfocada no aperto econômico doméstico e os eventos na Ucrânia e na Síria, no exterior, a ausência de uma robusta conversação midiática sobre as mudanças climáticas significa que o seu ceticismo permanece, em grande medida, sem contestação.

“É difícil gastar recursos editoriais em coisas que, agora, têm uma baixa prioridade em meio à crise econômica”, diz Galina Timchenko, ex-editora-chefe do bem sucedido sítio noticioso Lenta.ru. Timchenko, agora, dirige o Meduza, um sítio popular que cobre notícias russas mas dedica pouco espaço aos temas climáticos.

“Infelizmente, as mudanças climáticas não são muito interessantes para o público”, diz ela.

Adiante, a reportagem cita um dos mentores da posição “oficial” do Kremlin sobre o tema, o economista Andrei Illarionov, ex-assessor de Putin:

O ceticismo de Putin data do início da década de 2000, quando a sua equipe “fez um trabalho bastante extensivo, tentando entender todos os lados do debate climático”, disse Andrei Illarionov, na época, alto assessor econômico de Putin e agora, pesquisador sênior no Cato Institute em Washington.“Nós descobrimos que, embora as mudanças climáticas existam, elas são cíclicas e o papel antropogênico é muito limitado”, disse ele. “Ficou claro que o clima é um sistema complicado e que, até agora, as evidências apresentadas para [justificar] a necessidade de se ‘combater’ o aquecimento global são um tanto infundadas.”

No Brasil, resta-nos invejar um governo que, a todas as luzes, fez o dever de casa elementar em relação a um assunto com tamanhas repercussões socioeconômicas, como a insidiosa agenda da “descarbonização” da economia mundial pretendida pelos catastrofistas climáticos, e cujo chefe de Estado não se melindra em defender publicamente tal posição, sem receio do patrulhamento politicamente correto.

x

Check Also

A “retomada verde” da OTAN

Por Lorenzo Carrasco e Geraldo Luís Lino Desde a implosão da União Soviética e do ...