Demissão de “aquecimentista-chefe” na Alemanha é revés para o alarmismo climático

Além de enfrentar as consequências do rigoroso inverno europeu, os defensores do alarmismo climático na Alemanha acabam de experimentar outro revés: o encerramento do mandato do Dr. Hans-Joachim Schellnhuber, o principal assessor científico e “guru” da desastrosa política ambiental do governo da chanceler Angela Merkel. Por pressões do Partido Democrático Liberal (FDP, na sigla em alemão), Schellnhuber não teve renovado o seu mandato para um novo período de quatro anos à frente do Conselho Alemão de Assessoramento sobre Mudnças Globais (WBGU), o que pode significar uma importante reorientação da entidade, afastando-a do radicalismo que tem marcado as questões climáticas (Spiegel Online, 2/05/2013).

O WBGU é um órgão assessor que responde diretamente à chancelaria e tem uma grande influência em decisões relacionadas com o meio ambiente e os temas climáticos. O órgão é constituído por 10 cientistas de destaque diversas especialidades, mas, desde que assumiu o posto, Schellnhuber vinha imprimindo nele a sua marca registrada de radicalismo ambiental.

Por sua vez, o FDP, que integra a coalizão de governo de Angela Merkel e defende os interesses do setor industrial alemão, se mostrava cada vez mais insatisfeito com o direcionamento e a visão do WBGU, em especial, com a militância radical de Schellnhuber. Como é notório, o agora ex-todo-poderoso conselheiro científico de Merkel é um ferrenho defensor de uma drástica redução das emissões de carbono, além de exibir um discurso alarmista que lhe rendeu a fama de dogmático e de ter perdido o “senso da realidade” (Spiegel Online, 2/05/2013).

Um exemplo é um vídeo de 2008, no qual Schellnhuber afirma que a Terra “explodiria” se a população humana chegasse a 9 bilhões de pessoas. No ano seguinte, ele afirmou que, se os seus apelos contra o consumo de carbono e pela redução populacional fossem ignorados, a população da Terra seria “devastada”, acrescentando ainda que “a capacidade de suporte do planeta é de menos de um bilhão de pessoas” (ao que responderíamos, se lá estivéssemos: “Sieg Heil!”). Segundo ele, as emissões de dióxido de carbono (CO2) irão aquecer o planeta em 6°C até 2100, a menos que o seu plano de cortes drásticos nas emissões seja implementado.

Schellnhuber é, também, o inventor do mítico número de “dois graus centígrados” de temperaturas sobre os níveis pré-industriais, que, segundo os alarmistas climáticos, não poderia ser superado, sob pena de que as temperaturas “saiam de controle”. Em uma célebre entrevista à Spiegel (17/10/2010), ele mesmo admitiu que o número era uma criação “política”, sem base científica, cuja finalidade era apenas a de satisfazer os políticos que lhe solicitavam um valor para sustentar as discussões das políticas ambientais e climáticas.

Entretanto, o mais impactante era o plano do ex-chefe do WBGU para “A Grande Transformação” da sociedade global, rumo a uma economia de baixo carbono: segundo ele, para assegurar um mundo “sustentável”, a humanidade deveria caminhar para formas mais autoritárias de governo, os quais deveriam se basear na supressão sistemática da democracia e na marginalização dos ditos “céticos”, como ele e sua caterva qualificam os críticos do alarmismo climático (outra vez: “Sieg Heil!”).

O climatologista Hans von Storch, professor da Instituto de Meteorologia da Universidade de Hamburgo, qualifica tal projeto, em que a cidadania e a sociedade em geral não teria nada a dizer, limitando-se a ouvir a casta científica estabelecida descrever a situação do mundo e definir as políticas que deveriam ser implementadas, como “um entendimento político quase medieval”.

Seguramente, Schellnuber, que nasceu em 1950, veio ao mundo com pelo menos quatro décadas de atraso, pois teria tido uma carreira promissora se fosse adulto na Alemanha da década de 1930.

Porém, ele conseguiu se superar, ao fazer com que o WBGU cooperasse com o Ministério da Educação e Pesquisa para publicar uma história em quadrinhos de 140 páginas, intitulada “A Grande Transformação – Meio Ambiente – É assim que enfrentamos a curva”, na qual ele e seus colegas do WBGU são retratados como super-heróis que salvam a humanidade dos vilões que provocam o aquecimento global (blog No Tricks Zone, 3/02/2013).

Com a saída do “super-herói”, espera-se que o Conselho volte a adquirir um caráter menos ideológico e mais condizente com a sua função original de orientar o governo com base no melhor conhecimento verdadeiramente científico disponível – que passa bem longe do catastrofismo “aquecimentista”.

Porém, a exclusão de Schellnhubber não deve ser entendida como uma derrota definitiva do “aquecimentismo” no governo alemão. A própria Spiegel destaca que Merkel tem exibido um duplo discurso sobre o clima: ao mesmo tempo em que demanda um acordo climático internacional para 2015, como fez em um discurso proferido em 7 de maio, ela se recusa a fazer qualquer pressão para um plano de salvamento do moribundo mercado de carbono europeu, cujas cotações estão flutuando no menor patamar de sua história.

Analistas, contudo, acreditam que a chanceler está apenas postergando a decisão sobre o mercado de carbono europeu para após as eleições parlamentares alemãs de setembro próximo. No mês passado, o Parlamento Europeu recusou a proposta de recolher 900 milhões de títulos de emissões de carbono, proposta que ficou conhecida como “backloading”, de modo a promover uma alta artificial das ações negociadas no Esquema de Comécio de Emissões (ETS).

De qualquer maneira, Merkel deixou transparecer um ambiente de cansaço na Europa quanto à pretensão de liderar a agenda mundial da “descarbonização”, enquanto o resto do mundo se mostra cada vez menos disposto a segui-la. Como disse, no dia 7, “o nosso problema… é que estamos fazendo tudo sozinhos, e estamos enfrentando uma situação econômica difícil ao mesmo tempo”.

Nada como um choque de realidade (quanto ao seu ex-conselheiro Schellnhuber, só podemos lamentar que no Brasil não tenhamos um FDP do gênero).

One comment

  1. Sinceramente, é difícil de acreditar que em pleno século XXI ainda tenhamos pessoas com idéias tão radicias como esse ex-conselheiro. Será que é o planeta que precisa de nós ou nós é que precisamos do nosso planeta? Sim, porque o homem em sua arrogância coloca-se como ser supremo assim de tudo, inclusive acima de forças naturais extraordinárias que estão além de nosso controle e que nem bem entendemos ainda. Essa dos “9 bilhões de pessoas e o planeta explode” é para rir e chorar. Esse slogan “verde” ainda vai dar muito o que falar….. aliás, faz um tempinho que não tenho mais ouvido falar em superaquecimento global….por quê será?? Será que o IPCC errou em suas previsões nostradamunológicas?

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