Crime de lesa humanidade: o abandono do Parque da Serra da Capivara

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No Globo de hoje, mais uma das muitas manifestações cabais do desleixo nacional com um patrimônio que não é apenas do Brasil, mas de toda a humanidade: o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, que abriga os mais antigos registros da presença do Homo sapiens nas Américas. Com uma área de 130 mil hectares (1300 km2), o parque tem mais de mil grupos de pinturas rupestres que remontam a até 30 mil anos e, por este motivo, foi eleito Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Ciência, Cultura e Educação (UNESCO).

Criado em 1979, o parque é administrado em conjunto pela Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), dirigido pela arqueóloga Niède Guidon, e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Entretanto, a falta de recursos poderá fazer com que a Fundação tenha que fechar as portas até o final do ano. Dos 270 funcionários do parque, restam apenas 50 e, como parece ser regra geral no País, as autoridades responsáveis lavam as mãos quanto ao problema.

Em qualquer país minimamente consciente da importância do seu patrimônio cultural, principalmente, uma parte dele que tem relevância universal, já que se refere à própria história da evolução humana, o Parque da Serra da Capivara seria uma atração turística de primeira linha, o que por si só asseguraria grande parte dos recursos necessários para a sua conservação e desenvolvimento como centro de estudos científicos. Porém, as dificuldades de acesso e infraestrutura fazem com que apenas 25 mil turistas o visitem anualmente, número irrisório para o seu potencial de atração (qualquer sítio arqueológico relevante com um mínimo de infraestrutura, em qualquer país, recebe este número em uma semana ou menos).

Resta-nos esperar por um milagre que impeça o catastrófico desfecho antecipado na reportagem.

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