Copiloto da Germanwigs era “narcisista maligno”

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A grande imprensa mundial e os governos europeus diretamente afetados pela morte dos 150 ocupantes do Airbus da companhia alemã Germanwings têm tratado de explicar o ato deliberado do copiloto Andreas Lubitz, apenas como decorrente de uma enfermidade mental – depressão psicológica e tendência ao suicídio. Com isto, tem sido omitido do problema o desvio de personalidade e a conduta moral de Lubitz, como se a morte de mais de uma centena de pessoas fosse consequência apenas de uma doença mental, e não um problema de malignidade.

Contra essa versão simplista ou reducionista, o renomado psiquiatra espanhol Francisco Toledo fez contundentes declarações ao diário La Crónica, em 30 de março, afirmando que Lubitz não tinha apenas uma doença mental, mas era uma pessoa maligna. Segundo ele:

Nem todos os transtornos de conduta inexplicáveis são, necessariamente, transtornos mentais. Existem pessoas boas, porém, existem pessoas más que não possuem qualquer transtorno mental. Para que uma pessoa derrube um avião não é necessária uma doença mental, e sim, que seja uma pessoa má.

Não creio que tivesse depressão, pois esta doença acarreta uma ideia de culpabilidade e, inclusive, de autoagressão, mas nunca para fora, nunca para com as demais pessoas. Uma pessoa que se suicida se retira de um meio para não sofrer e para que os demais não sofram. O caso do copiloto não tem nada a ver com a depressão, nem com doenças mentais. Tudo indica que foi premeditado e responde a uma personalidade narcisista de caráter maligno, que atuou dessa maneira diante de uma frustração não superada. Ao que parece, ele mesmo disse que ia fazer algo pelo qual seu nome seria conhecido em todo o mundo, e isto é próprio de um narcisista maligno, de um transtorno de personalidade. Esses indivíduos são conscientes do que fazem em todo momento. São pessoas más. A psiquiatria não tem resposta para a maldade.

(A entrevista completa, em espanhol, pode ser lida neste link. http://www.lacronicadelpajarito.es/region/copiloto-no-tenia-depresion-ni-era-un-enfermo-mental-era-un-narcisista-maligno)

Reforçando a visão que Lubitz foi movido por uma motivação assassina de maldade, o jornal alemão Bild, tendo como fontes membros da equipe de investigação do caso, afirma que, entre os dias 16 e 23 de março, período imediatamente à queda do avião, ele teria procurado na internet informações sobre a segurança da cabine do avião e sobre transtornos bipolares e depressão maníaca, sob o codinome “Diabo do Céu” (Skydevil).

Como se sabe pelas gravações das caixas pretas, Lubitz trancou o piloto Patrick Sonderheimer do lado de fora e, sozinho na cabine blindada do avião, ajustou o piloto automático para mergulhar o avião e aumentar a velocidade na descida, tudo isso sem demonstrar qualquer alteração em seus sinais vitais.

http://www.bild.de/bild-plus/news/inland/pilot/co-pilot-nannte-sich-skydevil-40423756,var=a,view=conversionToLogin.bild.html

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