Combate à corrupção não pode colocar em risco patrimônio tecnológico e 1 milhão de empregos

O conhecimento tecnológico adquirido pelos brasileiros na construção pesada, ao longo de mais de seis décadas, estará ameaçado de se perder se as grandes empreiteiras envolvidas nos processos por corrupção em curso forem economicamente inviabilizadas. A advertência é do engenheiro Pedro Celestino Pereira, diretor e candidato à presidência do Clube de Engenharia, em entrevista ao jornalista Mário Sérgio Conti, na Globo News.

“O combate à corrupção é de todos, não só no Brasil. Em outros países, as empresas foram punidas com multas pesadíssimas, os responsáveis, após o processo legal, foram punidos também, mas as empresas foram preservadas. As empresas são patrimônios desses países. Nós corremos o risco, se esse setor for desmontado, de perder o patrimônio tecnológico acumulado ao longo de 60 anos e um milhão de empregos”, afirmou ele.

“Há dez anos o país não tinha engenheiros na faixa de idade de 30 a 35 anos capacitados a gerir empreendimentos de grande porte. Esse processo, que fez com que as escolas de engenharia voltassem a ser procuradas e a engenharia voltasse a ter prestigio foi abruptamente paralisado, seja pela operação Lava Jato, seja por uma política econômica que só vê o aspecto financeiro e não vê o aspecto da manutenção do investimento. Que se punam os responsáveis, que se punam as próprias empresas, mas que não se as destrua. Porque se as destruímos não teremos condições de construir o Brasil, ou seremos pasto das empresas estrangeiras”, disse o veterano engenheiro.

A entrevista (23 min) pode ser vista no Youtube e é altamente recomendável, sobretudo, como esclarecimento para os cidadãos – justamente – indignados com os desdobramentos das evidências da captura do Estado brasileiro por grupos de interesses políticos e privados – que, diga-se de passagem, vem de muito antes de 2003.

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