Brasil: exportadores – finalmente – reagem contra parasitismo financeiro

Finalmente, alguns setores da economia começam a despertar para a imperiosa necessidade de confrontar os abusos do rentismo parasitário institucionalizado no País. Como reportou o jornal O Estado de S. Paulo de 5 de abril, os exportadores brasileiros pretendem processar os bancos envolvidos na manipulação do câmbio entre 2007 e 2013, pleiteando uma indenização de cerca de R$ 70 bilhões, pelos prejuízos sofridos no período.

“Os exportadores receberam menos real por dólar e alguns até ficaram no prejuízo”, disse ao jornal o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Roberto Giannetti da Fonseca.

O caso, mencionado outras vezes nesta Resenha (a última, na edição de 16 de março), está sendo investigado desde meados de 2015 pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e envolve um conchavo de 30 operadores de 15 bancos internacionais para manipular as taxas de câmbio do real, do dólar estadunidense e outras moedas, no período mencionado. Os bancos envolvidos são o Banco Standard de Investimentos, Banco Tokyo-Mitsubishi UFJ, Barclays, Citigroup, Crédit Suisse, Deutsche Bank, HSBC, JP Morgan Chase, Merril Lynch, Morgan Stanley, Nomura, Royal Bank of Canada, Royal Bank of Scotland, Standard Chartered e UBS – como se percebe, a nata da alta finança “globalizada”.

Os operadores, divididos em dois grupos emblematicamente intitulados “A Máfia” e “O Cartel”, faziam acordos para influenciar as cotações das moedas, trocando informações e conluios por intermédio do sistema de chat da agência Bloomberg. Segundo o Cade, os operadores atuavam como um único player nos mercados de câmbio à vista e de futuros.

Diante da denúncia, o UBS se antecipou e delatou o esquema, sendo premiado com a isenção de qualquer punição pecuniária. Em dezembro último, cinco outros bancos firmaram acordos com o Cade e receberam multas irrisórias, em relação à magnitude dos prejuízos causados aos exportadores: Citigroup (R$ 80 milhões); Deutsche Bank (R$ 51,4 milhões); Barclays (R$ 21,1 milhões); HSBC (R$ 18,1 milhões); e JP Morgan Chase (R$ 11,1 milhões) (O Estado de S. Paulo, 08/12/2016).

A AEB estuda o melhor momento de ingressar com a ação judicial, uma vez que o caso ainda não foi encerrado pelo Cade. Porém, Giannetti acredita que os exportadores já conseguiram o mais difícil, que era comprovar a existência do cartel de manipuladores. Procurados pelo jornal, nenhum dos bancos envolvidos no esquema quis se manifestar.

A iniciativa da AEB é das mais bem-vindas. A lamentar apenas que não tenha ocorrido antes, mas antes tarde do que nunca.