Bispos amazônicos pregam “evangelho verde”

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Sem nenhum apego à verdade e contaminados pela ideologia da aparato ambientalista-indigenista internacional, um grupo de bispos da Amazônia fez uma série de críticas às grandes hidrelétricas construídas na região, em especial às usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, sugerindo que estariam contribuindo para a cheia histórica do rio Madeira, que tem castigado dramaticamente a região e suas populações.

Em nota divulgada no último dia 29 de março, o Regional Noroeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reúne bispos do Acre, Rondônia e Sul do Amazonas, expressou assim a sua preocupação com a cheia do rio Madeira e o seu impacto junto às comunidades ribeirinhas e urbanas:

A enchente histórica de 2014 que inundou centenas de comunidades ribeirinhas e urbanas, expulsando milhares de famílias e submergindo inúmeras plantações à beira do Rio Madeira trouxe muito sofrimento. Sabemos que catástrofes naturais ameaçam a vida no nosso planeta desde o princípio. A Terra é um planeta vivo que se reconfigura continuamente. No entanto, acreditamos que há novos fatores como o aquecimento global, que acelera o descongelamento das geleiras das montanhas, desmatamentos e processos erosivos no solo, a formação de represas para geração de energia elétrica (sic).

As águas abundantes que descem das montanhas da Bolívia e do Peru aumentaram consideravelmente os reservatórios das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio. A construção dessas duas obras no Alto Rio Madeira, além de sofrer um atraso de mais de um ano, segundo especialistas, apresenta erros no estudo de impacto ambiental. A inundação das BRs 364 e 425 isolou o Estado do Acre, a região de Guajará-Mirim e toda a área do Abunã. O difícil abastecimento de suas populações, com combustíveis e alimentos, mostra a urgência de novos estudos.

Sem desconsiderar o esforço do governo para oferecer à população do País energia elétrica de qualidade, lamentamos a falta de cuidado com os estudos de impacto ambiental que, por sinal, não contemplaram o médio e o Baixo Madeira. A falta de interesse em fontes alternativas de energia, tais como a solar, eólica e de biomassa, abundantes no Brasil, nos faz questionar: Por que? (CNBB, 29/03/2014)

Entre os signatários do documento, estavam o presidente do Regional Noroeste, Dom Mosé João Pontelo, bispo de Cruzeiro do Sul (AC), o vice-presidente Dom Joaquín Pertiñez, bispo de Rio Branco (AC), e o arcebispo de Porto Velho (RO), Dom Esmeraldo Barreto de Farias.

Ao colocarem as suas assinaturas em tal diatribe – muito provavelmente, redigida por elementos do aparato ambientalista-indigenista próximos à CNBB -, os prelados não apenas desfecham um ataque ao desenvolvimento socioeconômico do País, como aderem às teses anticientíficas que sustentam a insidiosa agenda do ambientalismo, derivada direta do malthusianismo que a Igreja tanto tem combatido – a tese de que a população da Terra é incompatível com os seus recursos naturais e, portanto, teria que ser drasticamente reduzida.

Além disso, ao questionar os atrasos na conclusão das usinas, suas eminências passam por cima da contribuição decisiva do aparato ambientalista-indigenista para provocá-los, inclusive, com a promoção de motins e sabotagens, como os que atingiram os canteiros de obras de Jirau, em 2011 e 2012. Igualmente, fingem ignorar a ativa participação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão oficial da própria CNBB, na manipulação das causas indígenas contra numerosos projetos de infraestrutura fundamentais para o desenvolvimento da Região Amazônica.

Igualmente, os bem intencionados bispos amazônicos demonstram uma ignorância crassa sobre certos aspectos técnicos dos projetos hidrelétricos do rio Madeira e das tecnologias energéticas que defendem como alternativas à geração hidrelétrica. Entre eles:

1) devido às pressões dos ambientalistas, as usinas de Jirau e Santo Antônio praticamente não têm reservatórios, sendo do tipo conhecido como “a fio d’água”; com isto, além de se reduzirem as suas capacidades de geração, perdeu-se também a função de regularização das vazões do rio, o que atenuaria os efeitos da cheia recorde;

2) as fontes solares e eólicas não são adequadas para a geração de eletricidade contínua e em grande escala, a chamada geração de base, que, em todo o mundo, é confiada apenas às fontes termelétricas, hidrelétricas e nucleares, as quais não dependem de fatores oscilantes, como a luz solar e os ventos;

3) a despeito de todo o alarido pseudocientífico a respeito, inexistem quaisquer evidências físicas de que as mudanças climáticas ocorridas desde a Revolução Industrial do século XVIII, quando a humanidade começou a queimar combustíveis fósseis em grande escala, sejam anômalas em relação às ocorridas antes, no passado histórico e geológico; sem esta constatação, não se pode falar em influência humana no clima global (tal influência se limita às cidades e seus entornos).

Enfim, em lugar de pregarem o “evangelho verde”, os preocupados bispos do Regional Noroeste deveriam fazer, pelo menos, o dever de casa, esquivando-se de aparecer como opositores do desenvolvimento nacional.

Curiosamente, os prelados amazônicos parecem ignorar as numerosas manifestações da cúpula da Igreja Católica contrárias ao catastrofismo ambientalista, como as descritas a seguir.

Vaticano condena a idolatria da natureza

N. dos E. – O texto a seguir foi originalmente publicado como um capítulo do livreto Os desvios da Campanha da Fraternidade 2011: a idolatria da natureza promove a pobreza, a fome e o malthusianismo, publicado pelo Movimento de Solidariedade Ibero-americana (Capax Dei, 2011).

Em abril de 2007, realizou-se no Vaticano um seminário internacional sobre Mudanças Climáticas e Desenvolvimento. O evento, promovido pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz, teve a participação de 80 especialistas de áreas diversas provenientes de 20 países de todos os continentes. No discurso de encerramento da reunião de dois dias, ao apresentar as conclusões dos debates, o cardeal Renato Raffaele Martino, presidente do Conselho, transmitiu uma mensagem clara e direta: o Vaticano reconhece a importância das mudanças climáticas, mas rejeita alarmismo inconsequente que tem dominado o assunto.

Em entrevista à Rádio Vaticano, Martino foi enfático: “Nem todo o mundo científico está proclamando o desastre. Há um bom número de cientistas que, consistentemente, não vê essas mudanças climáticas sob um ângulo negativo e, de fato, dizem que esses fenômenos são recorrentes ao longo dos anos e das eras e, às vezes, podem apresentar resultados favoráveis para a agricultura e o desenvolvimento.”

Por outro lado, Martino dedicou grande parte do seu discurso a uma veemente crítica à idolatria da natureza. Segundo uma nota divulgada pela agência Zenit.org (27/04/2007), ele enfatizou que “a natureza é para o homem e o homem é para Deus” e criticou o que denominou “formas de idolatria da natureza que perdem de vista o homem”.

“Também na consideração dos problemas relativos às mudanças climáticas teremos que recorrer a Doutrina Social da Igreja, que não avaliza nem a absolutização da natureza nem sua redução a mero instrumento”, afirmou. Para ele, “a natureza não é um absoluto, mas uma riqueza depositada nas mãos responsáveis e prudentes do homem”, e isto também significa que “o homem tem uma indiscutível superioridade sobre a criação e, em virtude de ser pessoa dotada de uma alma, não pode ser equiparada aos demais seres vivos, nem muito menos considerado elemento de perturbação do equilíbrio ecológico naturalista. O homem não tem um direito absoluto sobre ela, ainda que sim um mandato de conservação e desenvolvimento dentro de uma lógica do destino universal dos bens da Terra, que é um dos princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja, principio que tem de ser compatibilizado sobre tudo com a opção preferencial pelos pobres e pelo desenvolvimento dos países pobres”.

“A Igreja propõe uma visão realista. Tem confiança no homem e em sua capacidade sempre nova de buscar soluções aos problemas que a historia apresentam. Capacidade que lhe permite opor-se com frequência às recorrentes, infaustas e improváveis previsões catastrofistas”, prosseguiu.

Nas conclusões, Martino lembrou que, “segundo a conceição da ecologia humana desenvolvida por João Paulo II, a ecologia não é só uma emergência natural, mas uma emergência antropológica, na que tem um papel decisivo a relação do homem consigo mesmo e, sobretudo, com Deus. O erro antropológico é, portanto, teológico.”

Em setembro do mesmo ano, durante a apresentação do livro “Recurso ambiente: uma viagem na cultura do fazer” (Risorsa Ambiente. Um viaggio nella cultura del fare), foi ainda mais enfático, ao denunciar quatro dos perigos em que se pode incorrer na abordagem dos problemas ambientais. Em sua exposição, Martino explicou que a Doutrina Social da Igreja rejeita o biologismo, o catastrofismo, o naturalismo e a ideologia malthusiana, propondo, ao contrário, uma ecologia humana como a mais harmônica com o bem comum.

Martino criticou o “biologismo” (no Brasil, mais conhecido como “biocentrismo”), porque não distingue a diferença substancial entre o homem e os animais, remontando todas as funções humanas apenas a bases biológicas e genéticas. Para ele, o biologismo “não é uma ciência, é uma ideologia que se contrapõe ao antropocentrismo”.

Sobre “a ideologia do catastrofismo”, explicou que suas origens remontam aos relatórios do Clube de Roma sobre os “limites do desenvolvimento”. O catastrofismo, afirmou, “é uma ideologia quando se nutre de um tal pessimismo antropológico que nunca aponta o homem como recurso… O pessimismo e a suspeita sobre o homem se convertem em confiança extrema nas técnicas seletivas, inclusive o aborto e a esterilização maciça”.

Ao criticar o malthusianismo, Martino recordou que, por ocasião da Conferência da ONU sobre População e Desenvolvimento, realizada no Cairo em 1994 e, depois, na dedicada às Mulheres em Pequim, no ano seguinte, “a ação diplomática exercida pela delegação da Santa Sé entrou em singular sintonia com os países pobres do planeta, interessados em denunciar a ideologia neomalthusiana que propunha planificar de modo centralizado os nascimentos, violentando assim a vontade das mulheres”.

O cardeal Martino explicou que a Doutrina Social da Igreja não admite a ideologia do naturalismo egoísta, ou seja, do “retorno à natureza”, nas diversas formas de “esoterismo naturalista, narcisismo físico, busca de um bem-estar psicológico e emotivo confundido com bem-estar espiritual”.

“São formas de naturalismo que confinam com a New Age, alimentam o supermercado da religiosidade, entendem de modo panteísta a biosfera como um todo único e indiferenciado, e perdem definitivamente de vista a natureza entendida como diálogo entre o homem e Deus”, explicou.

Frente a essas ideologias, Martino recordou que os problemas ambientais são uma questão social e que a Doutrina Social da Igreja usa o conceito de “ecologia humana”, como assinalado pelo papa João Paulo II na encíclica Centesimus annus (1991). No documento, o Pontífice escreveu: “Com freqüência, nos interessamos pelo ambiente natural, enquanto não há um empenho semelhante por salvaguardar o meio ambiente humano. Há pouco empenho em salvaguardar as condições morais para uma autêntica ecologia humana.”

“A expressão ecologia social, para a Igreja não significa só que o meio ambiente natural deva ser humanizado, encaminhado ao bem do homem de hoje e das gerações futuras. Quer dizer também e sobretudo que o meio ambiente humano – a salvaguarda da vida, da família, o trabalho, a cidade – exige o respeito a uma ecologia própria, a um funcionamento físico, a uma natureza própria”, disse Martino.

O cardeal concluiu, afirmando: “Nesse sentido, a ecologia humana é um conceito em harmonia com o bem comum, sendo este o conjunto daquelas condições sociais que permitem e favorecem nos seres humanos o desenvolvimento integral de sua pessoa.”

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