Atlas faz “alertas” sobre a Amazônia (ou cuidado com quem financias…)

Com grande alarde, um consórcio de onze organizações de oito países amazônicos, inclusive o Brasil, acaba de lançar um conjunto de prognósticos alarmistas sobre o futuro da Amazônia e uma série de acusações contra os planos de desenvolvimento econômico e social dos países da região.

O documento, intitulado Atlas Amazônia sob pressão, foi elaborado pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG). Segundo o antropólogo Beto Ricardo, coordenador geral da Rede e um dos responsáveis pelo trabalho, “a Amazônia está vivendo uma fase de supressão… [e] está desaparecendo (Valor Econômico, 4/12/2012)”.

Como é de praxe em publicações ambientalistas, o Atlas pinta um quadro extremamente alarmista sobre a situação atual da Amazônia, dando ênfase no desmatamento de cerca de 240 mil quilômetros quadrados de florestas, entre 2000 e 2010, e considerando que os principais responsáveis seriam o Brasil, Bolívia, Colômbia e Equador. Com o desflorestamento, diz o texto, o mundo perde “diversidade ambiental, rios florestas, culturas e tradições” e, se continuar assim, metade da Amazônia poderá desaparecer. Os responsáveis – obviamente – seriam os planos de desenvolvimento dos países amazônicos.

O documento cita que, atualmente, existem na região 171 usinas hidrelétricas em operação ou em construção na região, além de outras 246 planejadas ou em fase de estudo – o que considera uma ameaça de mais desmatamento. Para dar um tom ainda mais grave aos seus prognósticos, os autores utilizam termos como “arco do desmatamento”. Segundo Beto Ricardo, a este fator “está se somando um arco de hidrelétricas, de exploração de petróleo e de mineração… Essa pressão configura um futuro onde a paisagem da Amazônia será substituída por outro tipo de cenário”.

Com isso, outras iniciativas econômicas na região, além das hidrelétricas, foram colocadas no banco dos réus: os planos de interligação do Atlântico com o Pacífico, por rodovias; a exploração de petróleo e gás; a operação da Alunorte (a maior refinaria de alumínio do mundo, situada no estado do Pará); e o desenvolvimento de atividades mineradoras. O relatório acusa, ainda, os projetos de construção de rodovias e a geração de empregos industriais na região, como alguns dos culpados pelo crescimento da população na Amazônia, gerando “pressões” contra a floresta.
Além disso, a mineração desponta, no Atlas, como uma das maiores “vilãs” da floresta, na medida em que 21% do território amazônico têm áreas em que o setor de mineração tem interesses e que, de todas as áreas de pesquisa mineral solicitadas situadas em reservas indígenas amazônicas, 79% estão no Brasil.

A mensagem geral do Atlas é a de que o desenvolvimento econômico, resultante de grandes projetos de infraestrutura, do crescimento da atividade industrial, agropecuária e mineradora, é o grande inimigo da Floresta Amazônica. Como sintetiza Beto Ricardo: “Se todos os interesses econômicos que se sobrepõem se concretizarem nos próximos anos, a Amazônia vai se tornar uma savana com ilhas de floresta.”

O que é a RAISG

Por trás da edição do Atlas – definido como uma “contribuição da sociedade civil ao debate democrático sobre as pressões na Amazônia” -, está a RAISG, entidade que reúne dez ONGs e a Direção Regional de Meio Ambiente da Guiana Francesa, instituição ligada ao Ministério do Meio Ambiente da França (ou seja, não é tão “sociedade civil” assim, já que inclui um órgão de um governo europeu). E, por detrás dela, está o indefectível Instituto Socioambiental (ISA), uma das ONGs que encabeça o aparato ambientalista-indigenista no Brasil, que coordenou a criação da rede, em 1996. Uma visita ao sítio do ISA permite observar a sua rede internacional de patrocinadores, que inclui, entre outros, a Embaixada da Noruega, a Fundação Ford e a Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID). Entre os patrocinadores brasileiros, destaca-se a Fundação Vale, ligada à gigante mineradora e costumeira direcionadora de doações “politicamente corretas” para ONGs ambientalistas.

Outra integrante da RAISG é o Instituto Centro de Vida (ICV), sediado em Cuiabá (MT) e criado em 1991, para promover a agenda ambiental em Mato Grosso. Os seus patrocinadores são os habituais: Fundação Ford, USAID, WWF-Brasil, União Europeia e outros. Em seu relatório anual mais recente, referente a 2008-2009, o ICV informa ter recebido R$ 2.128.471,00, em doações internacionais, em 2008, e R$ 2.804.952,00, em 2009.

O terceiro integrante brasileiro da RIASG é o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém (PA). No seu relatório institucional mais recente, de 2011, a organização informa que, no seu orçamento de 2012, incluem-se, entre outras, as seguintes doações: R$ 368.818,00, da Embaixada Britânica no Brasil; R$ 797.000,00, da Fundação Ford; R$ 404.750,00, do Departamento de Agricultura (USDA) e do Serviço Florestal dos EUA; R$ 2.266.749,00, da Gordon and Betty Moore Foundation. Uma doação particularmente interessante é a do USDA, já que o Imazon, como a maioria das ONGs ambientalistas que atuam na Amazônia, tem as atividades agrícolas como um dos seus alvos principais; que motivações terá o órgão agrícola estadunidense para financiar uma entidade contrária à agricultura?

Entretanto, ainda mais curioso é o fato de que os maiores doadores/contratantes do Imazon em 2012 são o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Fundação Vale, respectivamente, com R$ 6.160.017,00 e R$ 5.699.329,00. A participação do BNDES é particularmente intrigante, já que o Imazon é um importante integrante da rede ambientalista contrária aos projetos de infraestrutura amazônicos que são financiados pelo banco, como a usina hidrelétrica de Belo Monte e outros. O mesmo argumento se aplica à Fundação Vale, recentemente eleita a “pior empresa do mundo” por um consórcio de ambientalistas. Tais fatos demonstram a desorientação dos tomadores de decisões nacionais, que, com esse tipo de doações, creem poder “apaziguar” os ambientalistas ou apresentar uma faceta “politicamente correta” para as suas atividades. Com frequência – e sem surpresa -, essas iniciativas acabam sendo um tiro no pé.

3 comments

  1. A resposta e: Vc. nao pode “apaziguar” as ONGs – porque sao instrumentos da GEOPOLITICA – dos “adversarios” geopoliticos e geostrategicos do Brasil como pais mas grande na Sul-America – que esta numa luta para a “independencia” contra o neo-colonialismo de EUA&”parceiros”da OTAN. Nisto pelo momento Alemanha e o “cavalo de Troia” mas ativo com centenas de “ativistas” no Brasil e miles na Alemanha contra o Brasil. EUA agora devido aos “wikileaks” fica mas discreto e deixa seus “alemaos” atuar dentro do Brasil e Sul America: Os sul-americanos nao suspeitam dos germanos como suspeitam aos gringos anglos (EUA, Bretanha). Masde 60,000 mil soldados de EUA seguem em 80+ bases para sempre ocupando Alemanha, e o Ministerio de Relacoes Exteriores, e o BND (servico de intelligencia fundado pelo general nazista Gehlen) e as FA da Alemanha tem sua “orientacao” geopolitica desde a CIA e o Pentagono. Exemplo: O embaixador alemao no Pagaguai desde 2010 e o mesmo quem foi embaixador em Bagdad, onde agentes do BND alemao selecionaram, desde a embaixada, os alvos para o bombardeo dos EUA “shock&awe” 2003. O primeiro ministro Gerhard Schroeder da Alemanha era opositor contra a guerra do Iraque – e contra a politica do presidente Bush dos EUA – mas o embaixador do Ministerio de Relacoes Exteriores e o BND atuaram pela CIA. Mesmo: Hoje a industria alema e muito colaborativa com o Brasil, mesmo para Belo Monte – ao contraste do Ministerio de Relacoes Exteriores e do BND e as ONGs deles ativos contra o Brasil e Sul-America: O governo da Alemanha fica neutralicado e impotente. A situacao e parecida na Franca – o governo e a industria querem colaborar com o Brasil mas o ministerio de relacoes exteriores e os agentes geopoliticos da CIA na Franca – soboteam a relacao entre Franca e o Brasil. Todos os partidos politicos da Alemanha tem “fundacoes” para sua geopolitica, assim dentro do Brasil atua “Fundacao Heinrich Boell” do Partido Verde para sabotear o desenvolvimento do Brasil, a “Fundacao Konrad Adenauer” do CDU como agente da EUA para a “expansao da OTAN ao Atlantico Sul”. “Fundacao Friedrich Naumann” do FLP (neoliberal) apoia os golpistas. “Friedrich Ebert” do SPD quer mexer nos sindicatos. “Fundacao Rosa Luxemburg” do Partido Esquerda apoia as ONGs contra o desenvolvimento e a esquerda “contra” (falsa de CIA) que luta contra o governo de coligacao do Brasil.

  2. E logico que o USDA (Ministerio de Agricultura de EUA) apoia as ONGs (da CIA) para paralisar a agricultura no Brasil: Veja no internet FARMS HERE FORESTS THERE – o plano oficial dos EUA para Amazonia: Pagando aos brasileiros ums dolares para desistir da agricultura “tropical” – para mas obter mas ainda oportunidades de espansao de exportacao para a agricultura dos EUA. Assim calcularam podem ganhar EXTRA ate 2030 – $ 270+ bilhoes ! E importante saber na luta contra as ONGs estrangeiras – hoje 2012-13 – os conservadores nacionalistas (ate na oposicao) e os socialistas nacionalistas ( no governo da coligacao )CONCORDAM : O Brasil esta ameacado e numa luta geopolitica continua para sua independencia de desenvolvimento, e soberania territorial. Isto e uma luta continua…

  3. Em 2012 o Brasil ameça racionar energia por causa do baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. O que seria do Brasil se todas as usinas fossem construídas a “fio d’agua como querem as ONG$ internacionais que doutrina o Ibama e o Governo?
    Estaríamos a consumir carvão e produzir energia mais cara reduzindo a nossa competitividade no comércio exterior.

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