Ambientalistas apopléticos com vitória de Trump

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O aparato ambientalista internacional reagiu com estupor e histeria à eleição de Donald Trump para a Presidência dos EUA. Durante a sua campanha, o magnata se mostrou um ferrenho crítico dos excessos das regulamentações ambientais prejudiciais às atividades econômicas, em especial, das referentes ao fenômeno do aquecimento global, que o futuro presidente considera – corretamente – ser inexistente. Entre outras declarações polêmicas a respeito do assunto, ele prometeu cortar os gastos federais com programas climáticos internacionais e retirar os EUA do Acordo de Paris, assinado no ano passado pelo presidente Barack Obama.

“Nós vamos colocar a América em primeiro lugar. Isto inclui cancelar bilhões em gastos com mudanças climáticas para as Nações Unidas, número que [a candidata democrata] Hillary [Clinton] quer aumentar e, em vez disto, usar o dinheiro para incentivar a infraestrutura estadunidense, incluindo água limpa, ar limpo e segurança. Nós estamos dando bilhões e bilhões e bilhões de dólares”, disse Trump, em um comício em Michigan, em 31 de outubro ((Alerta Científico e Ambiental, 3/11/2016).

De fato, juristas consultados pela agência Reuters afirmam que o futuro presidente poderá fazer uso de mecanismos jurídicos em vigor para retirar os EUA do Acordo de Paris em um prazo de um ano. Embora o Artigo 28 do Acordo estabeleça um prazo de quatro anos para a saída de qualquer país interessado, Trump poderia fazê-lo em bem menos tempo, se o Congresso aprovasse uma lei específica neste sentido, o que não seria grande dificuldade, já que o Partido Republicano passou a controlar tanto o Senado como a Câmara dos Deputados (Reuters, 10/11/2016).

Em Marrakech, Marrocos, onde delegados do mundo inteiro estão reunidos para a 22ª Conferência Climática das Nações Unidas (COP-22), a notícia da vitória de Trump caiu como uma bomba.

“Um terço das pessoas aqui estão andando como zumbis, como os mortos caminhantes, sem saber o que fazer. Trump disse que é contra tudo em que temos avançado, desde a transição para sair do carvão até sermos um líder internacional no clima”, disse o delegado estadunidense Daniel Kammen, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley (San Francisco Chronicle, 9/11/2016).

Com ele fez coro Tom Steyer, bilionário californiano que criou a ONG NextGen Climate, para mobilizar eleitores jovens para ações referentes ao clima: “O planeta está em perigo. Se eles, de fato, fizerem o que estão dizendo – livrar-se do Plano de Energia Limpa, retirar-se do Acordo de Paris, reduzir a EPA [Agência de Proteção Ambiental] à metade –, isto é absolutamente contrário ao que é melhor para o planeta.”

“O presidente eleito Trump deve escolher se ele será lembrado por colocar os EUA de volta ao caminho do desastre climático”, disse o diretor-executivo do Sierra Club, Michael Brune.

Em Amsterdam, Holanda, o Greenpeace Internacional divulgou uma dramática declaração assinada pelas suas duas diretoras-executivas, Jennifer Morgan e Bunny McDiarmid, a qual diz em parte:

Evitar uma catástrofe climática acaba de se tornar mais difícil, mas não impossível. O presidente eleito Donald Trump pode ser a ameaça mais infame e poderosa ao clima, porém não desistiremos. Vamos trabalhar ainda mais e convidar outras pessoas a se unirem a nós nesse poderoso movimento. O risco para esta e as futuras gerações é muito alto e não temos tempo a perder.
Não vamos permitir que o governo Trump desvie o mundo de uma conjuntura favorável à revolução energética, que beneficia o clima, a saúde pública, a criação de empregos e a segurança global.
A transição para as energias renováveis é inevitável. China, Índia e outros países estão disputando a liderança na geração de energia limpa. Donald Trump vai se dar conta de que os Estados Unidos não podem ficar para trás.

Subindo o tom, o Friends of the Earth (Amigos da Terra) convocou a “resistência ambiental” para se opor a Trump, em uma nota assinada por Erich Pica, presidente da sua filial estadunidense:

Os próximos quatro anos não serão fáceis, mas nós já combatemos administrações hostis antes. (…) Nós teremos que aproveitar a nossa nova energia, reunir-nos e usar cada estratégia disponível para lutar contra o ódio, a cobiça e a destruição ambiental. Embora eu desejasse que tivéssemos uma luta diferente diante de nós, devemos lutar a que se nos apresenta. O futuro do nosso país e do nosso planeta dependem disso.

Com uma nota mais sóbria, o World Resources Institute (WRI) afirmou que a “transição global para uma economia de baixo carbono e resiliente ao clima é incontornável”. Por isso, preferiu oferecer uma “lição” a Trump:

Na medida em que o presidente eleito Trump constrói a sua administração, esperamos que a sua equipe comece a entender que a ação climática inteligente promove o crescimento econômico, trazendo bons empregos a todo o interior dos EUA. A administração também virá a entender que a ação climática é, agora, uma parte essencial da diplomacia estadunidense. O país se comprometeu com o Acordo de Paris e seguir adiante com este pacto global é crítico para preservar a confiança e a credibilidade dos EUA no mundo.

No sítio da sua ONG Climate Reality Project, o indefectível ex-vice-presidente Al Gore, um dos paladinos do catastrofismo climático, disse esperar que Trump venha a trabalhar “com a esmagadora maioria de nós, que acreditamos que a crise climática é a maior ameaça que enfrentamos como nação”. Igualmente, se colocou à disposição para “fazer o que puder para trabalhar com ele e sua administração, para assegurar que a nossa nação continue sendo uma líder no esforço global para enfrentar esse desafio”.

Pelo que se sabe do futuro presidente, é pouco provável que a oferta será aceita.

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