Amazônia: não basta falar grosso, é preciso exercer plenamente a soberania nacional

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, rebateram com firmeza e até rispidez as “preocupações” da chanceler alemã Angela Merkel com o desmatamento no Brasil e as críticas do presidente francês Emmanuel Macron à política ambiental brasileira.

Em visita ao Parlamento alemão, na quarta-feira 26 de junho, ela afirmou que pretendia “ter uma discussão clara” com Bolsonaro sobre o assunto, durante a cúpula do G-20, em Osaka, (28-29 de junho).

Ao chegar a Osaka, Macron afirmou que o pretendido acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, negociado há anos, não sairá se o Brasil abandonar o acordo climático de Paris, como Bolsonaro chegou a ameaçar, antes de sua posse na Presidência.

Já no Japão, Bolsonaro retrucou: “Eles [alemães] têm a aprender muito conosco. O presidente do Brasil que está aqui não é como alguns anteriores que vieram para serem advertidos por outros países. Não, a situação aqui é de respeito para com o Brasil. Não aceitaremos tratamento como no passado de alguns casos de chefes de Estado que estiveram aqui (Veja27/06/2019).”

Por sua vez, Heleno foi ainda mais enfático, afirmando existir uma estratégia “de preservar o meio ambiente no Brasil, para mais tarde eles (estrangeiros) explorarem”, com a ajuda de organizações não-governamentais (ONGs) “sabidamente a serviço de governos estrangeiros”. Segundo ele, Bolsonaro “não vai aceitar determinadas reprimendas ao Brasil”, acrescentando que o Brasil deve ter uma política ambiental de interesse do País. “Esses países que criticam? Vão procurar sua turma!” – disparou (O Globo27/06/2019).

Dias antes, na terça-feira 25, foi a vez do senador Marcio Bittar (MDB-AC) disparar contra o Fundo Amazônia, cujo questionamento pelo governo tem sido motivo de muita polêmica com os representantes da Noruega e Alemanha, principais financiadores do Fundo. Em discurso no plenário do Senado, Bittar afirmou que o Fundo foi criado para impedir o desenvolvimento da Amazônia brasileira e pediu uma investigação a respeito.

“O Brasil não está à venda”, disse ele, acrescentando que os convênios assinados com os órgãos ambientais de municípios e estados amazônicos têm por finalidade que estes órgãos passem a atuar como “correia de transmissão” de interesses estrangeiros no País.

É sempre positivo ver altas autoridades nacionais se manifestando contra as insidiosas maquinações do aparato ambientalista-indigenista internacional, alvo das denúncias do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa) desde a sua fundação, em 1992. Entretanto, falar grosso não é suficiente, é fundamental que as palavras enérgicas sejam acompanhadas de ações igualmente determinantes. Como temos enfatizado à exaustão, a principal vulnerabilidade do Brasil frente ao aparato é a dependência de recursos externos para o financiamento parcial das políticas ambientais, o que dificulta a adoção de uma agenda ambiental voltada para as necessidades reais do País.

Este foi o caso, por exemplo, do celebrado Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, mais conhecido como PPG-7, ativo entre 1992 e 2009 e funcionando como um importante fator de enquadramento do País na agenda “verde-indígena” ditada de Washington, Londres, Berlim e outras capitais do Hemisfério Norte. Em seus 17 anos de funcionamento, o Brasil recebeu um total de 463 milhões de dólares, 45% dos quais provenientes de agências do governo alemão. Em comparação, o Fundo Amazônia, quase totalmente financiado pelos governos da Noruega e da Alemanha, recebeu quase 1,3 bilhão de dólares desde 2009. Como se percebe, recursos nada desprezíveis, dos quais a tecnocracia governamental reluta em abrir mão, dada a prioridade absoluta conferida ao serviço da dívida pública no orçamento federal.

E, como já ressaltamos, apesar da disposição do atual governo em confrontar essa insidiosa estrutura de “governo mundial” mal disfarçada de movimento em defesa do meio ambiente e dos povos indígenas, é preocupante constatar que tal dependência prossegue, como nos casos recentes dos 96,5 milhões de dólares recebidos do Fundo Climático Verde (Green Climate Fund) da Organização das Nações Unidas (ONU), e do convênio de 100 milhões de dólares assinado com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), para promover o uso sustentável de produtos florestais na Amazônia.

Vale repetir: enquanto não se decidir a cortar de vez esses vínculos financeiros com o exército irregular verde-indígena do “governo mundial”, o Brasil não se verá livre de chantagens e pressões indesejáveis contrárias aos seus planos de desenvolvimento e utilização dos recursos físicos do seu território.

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