A falácia da “emergência climática”

As chuvas intensas que têm caído sobre a Região Sudeste, principalmente, em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, têm proporcionado um campo fértil para os militantes do ambientalismo radical desfilarem os seus cenários apocalípticos sobre uma suposta “emergência climática”, que, por sua vez, oferece um pretexto dos mais convenientes para autoridades administrativas e políticas acomodadas e acadêmicos que fizeram do alarmismo ambiental um meio de vida.

O temporal que desabou sobre a capital paulista, nos últimos dias 9 e 10, ocasionando uma virtual paralisação da cidade e prejuízos ainda não totalmente avaliados, foi realmente incomum; em 24 horas, caíram sobre a cidade 60 mm de chuvas, cerca de um terço do total esperado para todo o mês de fevereiro. No entanto, o próprio noticiário registrava que foi o segundo maior volume de água em fevereiro, nos últimos 37 anos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Ora, se foi o segundo maior em 37 anos, é evidente que o recente aguaceiro nada teve de inusitado ou infrequente, que justifique as desculpas que proliferam, quanto a uma alegada frequência maior de “eventos extremos” causados pelo suposto aquecimento global que se deveria às emissões de carbono das atividades humanas.

Paulistanos, cariocas e outros habitantes das grandes cidades brasileiras convivem desde há muito com chuvas fortes, e as mais recentes nada têm de um “novo normal”. Para qualquer uma delas, isto pode ser constatado com uma breve consulta aos registros jornalísticos e fotográficos antigos, remontando às primeiras décadas do século XX (o portal UOL disponibilizou uma ilustrativa coleção de fotos de enchentes na capital paulista, desde a década de 1920, quando a histeria climática sequer despontava no horizonte).

Um exemplo de caso dessa histeria foi a nota divulgada pelo Greenpeace Brasil, em 10 de fevereiro, intitulada “São Paulo em Emergência Climática”, que diz:

As chuvas intensas que caíram em poucas horas em São Paulo mostram a gravidade dos efeitos que as mudanças climáticas já estão trazendo. Nossos governantes têm a tarefa urgente de tomar medidas concretas para evitar danos à população, à cidade e ao meio ambiente… O aumento da intensidade das chuvas no estado de São Paulo não deveria surpreender. Já era previsto por muitos cientistas que alertam sobre os efeitos do excesso de gases de efeito estufa que nós, humanos, temos jogado na atmosfera, causando o aquecimento global. Agora, estamos apenas diante dos fatos, tendo que lidar com uma nova realidade em nosso cotidiano (grifos nossos).

Entre as respostas elencadas pela ONG, claro, estão a Política Estadual de Mudanças Climáticas adotada por São Paulo em 2009, e o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, adotado pelo governo federal em 2016, ambos incluindo um vasto elenco de “soluções”, entre as quais se destaca a redução das emissões de carbono.

Evidentemente, nenhuma iniciativa de redução de emissões representa uma solução sequer parcial para os riscos enfrentados pelas 3,2 milhões de pessoas que, segundo o IBGE, vivem em locais propensos a deslizamentos de terra e enchentes, em oito capitais brasileiras. Em todas elas, verificaram-se reduzidas execuções dos já limitados orçamentos destinados à prevenção de acidentes em tais áreas (O Globo, 21/01/2020).

Da mesma forma, não se pode esperar que até mesmo as políticas públicas mais avançadas possam neutralizar mais que uma razoável fração dos impactos de episódios meteorológicos como chuvas fortes, que ocorrem desde sempre e continuarão ocorrendo. Não obstante, é possível e necessário evitar os seus efeitos mais devastadores, algo que, desafortunadamente, ainda parece distante do cenário brasileiro – e os diagnósticos equivocados sobre as causas dos problemas apenas agravam tal perspectiva.

Este Alerta, juntando-se a numerosos estudiosos do clima, engenharia, urbanismo e políticas públicas, tem enfatizado que os problemas ambientais – tanto no sentido literal como no mais estrito do termo – das grandes metrópoles brasileiras, pouco ou nada têm a ver com uma inexistente “emergência climática”, mas com uma combinação fatal de políticas públicas equivocadas com a atávica tendência nacional de protelar indefinidamente o enfrentamento a sério dos problemas maiores, que, com frequência, exigem a determinação política de superar a acomodação ao status quo e abalar os “negócios como sempre”.

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