Os nazistas também protegiam a natureza

“A sorte mais dura é, sem dúvida, a do homem que julga poder vencer a natureza e, na realidade, a natureza escarnece dele. A réplica da natureza se resume, então, em privações, infelicidades e moléstias!”

O autor destas palavras era vegetariano, amante dos animais, opondo-se ao seu uso em experimentos científicos, e tão preocupado com a natureza que, ao assumir o governo do seu país, aprovou rigorosas leis de proteção dos animais e das florestas, baseadas no princípio “biocêntrico”, que considera a natureza como uma entidade de direito próprio. Quanto às fontes energéticas, via com ressalvas o uso do poluente carvão, preconizando que o futuro pertenceria à água, ao vento, às marés e ao hidrogênio. Seu nome era Adolf Hitler.

A influência do culto à natureza na ideologia do nacional socialismo tem sido estudada por numerosos pesquisadores. Alguns se surpreendem com o contraste entre certas orientações e iniciativas do regime, que em nada ficavam a dever às dos atuais ambientalistas e defensores de direitos dos animais, e o desprezo absoluto pelos direitos e as vidas de opositores políticos e minorias consideradas indesejáveis, como judeus, ciganos, homossexuais e deficientes físicos e mentais.

Walter Darré, ministro da Agricultura nazista entre 1933 e 1942, implementou um programa de agricultura orgânica em grande escala, preconizando a redução do uso de fertilizantes químicos. Por outro lado, foi um dos mais fervorosos adeptos do conceito de “sangue e terra”, um dos pilares do nazismo, em cujo regime não via lugar para os “não-arianos”. 

E a atração pelo culto à natureza não se restringia às elites do regime. Um estudo das listas de membros das principais organizações de proteção da natureza alemãs revelou níveis de adesão ao Partido Nazista da ordem de 60%, em 1939, contra apenas 10% da média da população adulta masculina. Naquele ano, a truculência dos nazistas com opositores e “indesejáveis” já era explícita, embora ainda não houvesse atingido o paroxismo posterior.

Hoje, muitos dos autoproclamados defensores da natureza costumam colocar-se em posição de superioridade moral sobre os que não compartilham do mesmo fervor pela causa e, com base no que consideram a justiça intrínseca da mesma, com frequência, ignoram os princípios basilares da organização social, como o respeito às normas legais. Desafortunadamente, nestes tempos de hegemonia da “correção política” sobre o bom senso e o bem comum, uma parcela da sociedade se deixa seduzir pela mensagem daqueles pseudopaladinos e perde de vista as implicações maiores de atos que, em quaisquer circunstâncias, se qualificam como ilícitos. Nas últimas semanas, dois deles se destacam.

O primeiro foi a detenção de militantes do Greenpeace na Rússia, depois de tentarem “ocupar pacificamente” uma plataforma petrolífera da estatal Gazprom no Mar de Pechora, como forma de protesto contra a exploração de hidrocarbonetos no Ártico. Entre os “salvadores da natureza” está a bióloga gaúcha Ana Paula Maciel, que tem sido atração diária na mídia nacional e motivo de intervenções de autoridades como a presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro e o presidente do Senado, Renan Calheiros, que anunciou a intenção de enviar à Rússia uma delegação parlamentar para interceder pela sua libertação – como se o Congresso não tivesse problemas bem mais relevantes a merecer atenção.

O segundo foi a surreal invasão do laboratório do Instituto Royal, em São Roque (SP), por militantes de direitos dos animais, para “libertar” cães da raça beagle, utilizados em experiências científicas para a produção de medicamentos. Além de roubar 178 animais, os invasores depredaram as instalações e roubaram equipamentos e materiais, causando enormes prejuízos.

O mais bizarro é que tudo foi feito diante de policiais militares, que não só não impediram a invasão (para “evitar colocar em risco a integridade física das pessoas”, como declarou depois um porta-voz da PM), mas ainda apressaram os invasores a esvaziar o prédio o mais rapidamente possível.

Nos dois casos, os piedosos cruzados da natureza cometeram atos que em qualquer país do mundo são qualificados como delituosos. Porém, para eles, trataram-se de ações “redentoras” e justas, motivadas por uma visão distorcida e quase mística da natureza, cuja “proteção” colocam em plano superior aos requisitos do bem-estar e do progresso das sociedades humanas. Mas o mais sério é que autoridades que deveriam zelar pelo respeito e o cumprimento das leis se mostram mais preocupadas em não melindrar os seus perpetradores – ou, talvez, em aproveitar os holofotes midiáticos para faturar junto à opinião pública.

O deputado federal Protógenes Queiroz, delegado licenciado da Polícia Federal e nomeado coordenador de uma comissão especial prontamente criada pelo presidente da Câmara, Henrique Alves, para investigar os maus tratos a animais, visitou o laboratório depredado e comentou: “O ambiente que eu vi lá é um ambiente de tortura. Desculpem, mas aquilo parecia um campo de concentração nazista (Congresso em Foco, 22/10/2013).”

Não deixa de ser irônico que ele tenha mencionado um campo de concentração. Em realidade, os que lembram o Terceiro Reich, em ideologia e métodos, são os transgressores do bem comum, das leis e dos direitos alheios.

3 comments

  1. Observado desde for a do Brasil: A Greenpeace nao mexe contra EUA nem contra Bretanha (jamais “seriamente”, viu ?…). A Bretanha tem projeto duma usina nuclear gigante – mas a Greenpeace nao faz protestos na Bretanha. – Os PM e os caes do laboratorio: Devido a onda de protestos hoje e muito mais em 2014 – a PM parece tem de limitar sua intervencao contra casos de violencia – para evitar mais critica desde os adversarios domesticos e “internacionais” do Brasil. Pode ser uma tatica defensiva devido ao poder dos adversarios dum Brasil “independente”. —- Para entender o que chegara em 2014, e interesante olhar os planos da “Esquerda Falsa Alema” (false flag operation) que tem sua agencia geopolitica em Sao Paulo como “Fundacao Rosa Luxemburg”. O plano e em alemao – mais interesante olhar a dimensao dos preparativos de “Esquerda Falsa de Alemanha” (false flag operation) para “apoiar” os protestos contra todos e contra todo no Brasil : O pdf aparece buscando em Google como : latein amerika nachrichten Ln dossier 9 Im Schatten der Spiele. Os autores sao Gerhard Dilger, agente geopolitico da “Fundacao Rosa Luxemburg” Sao Paulo, e o dirigente geral da propaganda esquerda-ambientista alema contra of Brasil – Christian Russau (Berlim). Tambem esta involuncrada uma alemana com nome Lucie Matting que esta ativa em Rio como contato entre a Esquerda Falsa Alema em Berlim e grupos de arruaceiros em Rio.

  2. Adolf Hitler que era um demente psicopata e mesmo assim conseguia sentir piedade dos animais então porque é que nós humanos temos que tratar os animais do mesmo jeito que ele tratou os seres humanos que tinha a infelicidade de estar no caminho desse demente.Ai vamos virar a cara para os animais que morrem aos poucos de fome de sede ou morto a facadas a tiros, estuprados, queimados vivos.Se ele que era um monstro sentia piedade dos animais porque nós que somos seres humanos não sentimos ?

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