Entidades empresariais do Pará querem fim do Fundo Amazônia

As repercussões do deplorável episódio do corte dos repasses financeiros do governo da Noruega ao Fundo Amazônia estão motivando bem-vindas reações de setores institucionais brasileiros. Depois de o general da reserva do Exército Augusto Heleno manifestar o desconforto das Forças Armadas com a posição dependente do Brasil para o financiamento da sua política ambiental, o Fórum das Entidades Empresariais do Pará enviou uma carta ao presidente Michel Temer, pedindo a suspensão do Fundo, por considerá-lo alheio aos interesses nacionais. O Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa), que tem criticado reiteradamente tais ingerências externas na formulação das políticas públicas nacionais, endossa plenamente a iniciativa dos empresários paraenses e espera que ela seja imitada pelos seus pares de outras regiões do País.

A seguir, o texto da carta, assinada pelo presidente do Fórum, José Conrado Santos:

“O Fórum das Entidades Empresariais do Pará, na sua condição de legítimo representante da parte maior do setor produtivo do Estado do Pará, vem à presença de Vossa Excelência solicitar a imediata suspensão do Fundo Amazônia, cuja atuação na contramão do que dele se esperava vem obstruindo os setores produtivos do Pará e da Amazônia como um todo, pois submissos a propósitos alienígenas utilizam os seus recursos nos financiamentos de organizações não-governamentais, desprovidas de conhecimento local, prejudicando, assim, a todo custo, que o desenvolvimento chegue às comunidades secularmente interiorizadas para dar a possibilidade de sua inserção social, sem ofensa ao patrimônio natural.

“Senhor Presidente, é imperativo que, de forma sumária, se reformule esse tipo de conduta ou se acabe com o Fundo Amazônia, como forma de recuperarmos o respeito internacional, pois o que sentimos hoje é o desrespeito à nossa condição de amazônida e, com isso, ver a nação brasileira ser humilhada quando de sua presença na Noruega, pois, é em Oslo, sua capital, que hoje se discute a soberania da Amazônia, um absurdo, uma tutela não solicitada, depreciativa.

“Outrossim, é importante ressaltar que a Noruega, situada no continente europeu, que a seu modo inscreve cerca de mais de 97% de autodevastação florestal, afora os exemplos deixados na sua atuação no continente africano, cujo retrato é um rastro de destruição e pobreza, não a recomendando, portanto, como digna de proferir lições para nós, brasileiros.

“Certos de que é desta forma que diremos ao mundo que a decisão sobre o que fazer da Amazônia brasileira é nossa, da sociedade brasileira e, particularmente, da sociedade amazônica.

“Com respeito, mas indignados, subscrevemo-nos.”

 

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