Reino Unido: tempestade política contra eólicas

Na primeira semana de fevereiro, 101 parlamentares do Partido Conservador britânico encaminharam uma carta ao primeiro-ministro David Cameron, exigindo cortes drásticos nos subsídios à construção de centrais eólicas em terra. A rebelião parlamentar ocorreu quase simultaneamente à renúncia do secretário de Energia e Mudanças Climáticas Chris Huhne, em meio a um escândalo onde desponta como suspeito de obstrução da justiça. Sendo Huhne o grande defensor, no governo, das políticas de subsídios às eólicas, a sua queda representa uma oportunidade para os que se opõem, no Reino Unido, à esquizofrênica política energética que privilegia as chamadas “fontes renováveis”.

Diante da manifestação, o governo britânico já admite rever os seus planos com relação à construção e aos subsídios de eólicas instaladas em terra. Para os parlamentares, os 400 milhões de libras esterlinas gastos anualmente em subsídios às eólicas devem ser drasticamente reduzidos. Além disto, defendem a criação de mecanismos que deem mais poder aos residentes em regiões alvo para a instalação de novas turbinas, para que tenham maior influência no processo decisório – podendo, inclusive, impedir a construção de novas usinas (Sunday Telegraph, 5/02/2012).

Até agora, os planos do governo incluíam não apenas a manutenção dos subsídios, como a construção de novas 4.500 usinas eólicas, tanto em terra como no mar. Porém, a pressão dos opositores, manifestada na carta, promete tirar o sono do substituto de Huhne, Ed Davey.

Os críticos da política de subsídios às eólicas afirmam que estas são caras e ineficientes, em especial, devido ao fato de serem fontes de geração intermitente, deixando de gerar energia com ventos estão muito fracos e sendo desativadas com ventos muito fortes. Além disto, para compensar a sua intermitência, as eólicas necessitam da construção de usinas termelétricas a gás suplementares – que emitem mais carbono do que as turbinas, supostamente, ajudam a reduzir.

Segundo o Gabinete de Mercados de Gás e Eletricidade (Ofgem, na sigla inglesa), o regulador de energia britânico, no biênio 2009-2010, os contribuintes do país pagaram 1,1 bilhão de libras em impostos para subsidiar os produtores de energias renováveis, dos quais 522 milhões foram direcionados às fazendas eólicas, a maioria situada em terra. Grande parte deste montante foi parar nas contas de companhias de energia e fundos de investidores estrangeiros.

A saída de Huhne deixou muitos britânicos esperançosos por uma reviravolta na política de subsídios às eólicas. Todavia, tal mudança de política pode demorar mais do que o desejável: o novo secretário de Energia, Ed Davey, é do mesmo partido de Huhne, o Liberal Democrata, agremiação entusiasta da “economia de baixo carbono”, e o próprio Davet já afirmou que pretende promover uma “economia verde”. De fato, o ex-líder do partido, Menzies Campbell, alertou recentemente que a credibilidade do partido junto aos seus truculentos ativistas será severamente danificada, caso Davey ceda às pressões dos conservadores em relação às eólicas.

Entretanto, o fato é que a economia do Reino Unido não está em condições de permitir que tal desorientação tenha uma longa sobrevida. Com os sinais de uma nova recessão e o crescente descrédito público em relação ao alarmismo climático, é possível que os britânicos se vejam forçados, se não a abandonar de vez, pelo menos, a reduzir o uso de tais fontes energéticas à sua legítima proporção de fontes complementares às tradicionais.

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