O iminente “ponto de inflexão” da Ciência

N.dos E. – A seguir, publicamos extratos de um recente artigo do físico e engenheiro eletrônico australiano Wallace Thornhill, no qual apresenta importantes considerações sobre o estado atual da Ciência. Embora voltado para a Astronomia e a Cosmologia, as suas precisas observações se aplicam a várias outras áreas científicas, como a Climatologia, hoje dominada pelo dogma do chamado aquecimento global antropogênico. Thornhill é cofundador do sitio Thunderbolts.info, dedicado a promover um novo modelo cosmológico, o chamado Universo Elétrico, baseado na preponderância da eletricidade como força fundamental, em vez da gravidade. O artigo original pode ser consultado no sítio citado e os subtítulos são do próprio autor.

O iminente “ponto de inflexão” da Ciência

Wallace Thornhill

Na Ciência, um “ponto de inflexão” [tipping point, no original] deve ocorrer quando o peso das evidências contra uma teoria desequilibra o prato da balança da opinião contra ela. Mas, nesta era espacial, nos maravilhamos com a “realidade virtual” gerada por computadores e o intenso brilho tecnológico da Ciência aplicada. Por isso, alguns podem se surpreender ao tomar conhecimento de que a moderna Ciência teórica está em crise. A pirâmide invertida da Ciência atual se baseia na matemática de partículas e energia imaginárias, descritas por uma teoria quântica acausal, que ninguém pode explicar. Ocasionalmente, cientistas mais sinceros admitem que não entendem fenômenos básicos, como a massa, a gravidade, o magnetismo, os relâmpagos, as galáxias e até mesmo o Sol! Assim, não surpreende que planetas, estrelas e galáxias estejam sendo descobertas onde “não deveriam existir” e a maior parte do Universo visível parece ser uma mera impureza avassalada por misteriosas “matéria escura” e “energia escura”. Em seu papel como um sistema de crenças consensual, a “ciência estabelecida” de hoje está sendo confrontada com contradições surpreendentes e de uma frequência tal que supera a capacidade de serem ajustadas aos dogmas prevalecentes. E, como os mistérios fundamentais persistem como não reconhecidos, os prêmios Nobel de Fisica são conferidos por descobertas puramente imaginárias. A natureza exótica destas descobertas deveria servir-nos como advertência de que a Ciência se encontra à beira de um ponto crítico de uma magnitude sem paralelo.

Ciência disfuncional

A Ciência encontra-se em um ponto de inflexão, porque, tendo-se fragmentado em especialidades e subespecialidades, ela não está mais equipada para lidar com a falsificação de dados.* As barricadas do jargão técnico e das políticas que beneficiam os interesses restritos impedem que os especialistas vejam o que seria bastante óbvio, quando visto de uma perspectiva superior. Tal sistema é avesso aos desafios externos daqueles “que transcendem o convencional” e as principais autoridades se sentem à vontade para ignorá-los. Evidentemente, antes que as barreiras modernas fossem erigidas, foram aceitas contribuições científicas cruciais de “intrusos” [outsiders, no original], como William Herschel, Michael Faraday e outros daqueles que “devem estar livres dos dogmas e preconceitos atuais e são capazes de ver o mundo com novos olhares” (Albert Einstein). Poucas universidades têm demonstrado a coragem de insistir em um quadro amplo e equilibrado do conhecimento atual ou em uma comparação balanceada de pressupostos teóricos e alternativas disponíveis. Hoje em dia, aplicar tais critérios básicos implicaria no risco de desacreditar departamentos inteiros.

Educação disfuncional

Na verdade, poderíamos estar tão distantes de uma “teoria de tudo” significativa, como o homem da Idade da Pedra estava de colocar os pés na Lua. As nossas universidades fomentam uma marcha sincronizada teórica e estreita. A essencial autocorreção requereria o oposto, um horizonte mais amplo, com olhos abertos para idéias e fatos críticos que se apresentassem através de várias fronteiras disciplinares. De fato, isto significaria um retorno aos caminhos interdisciplinares da Filosofia Natural. O conhecimento deveria ser aberto à crítica e a crítica não deveria ser limitada aos pares mais próximos. Uma das maiores falhas da educação moderna é o fato de os estudantes não serem incentivados a cultivar o pensamento crítico, ou explorar possibilidades mais amplas. Ao “bom estudante” de hoje, é pedido que se conforme e absorva o conhecimento pré-empacotado, como se fosse uma espécie de “fast food” intelectual. Porém, em lugar de certezas, deveríamos alimentar os estudantes com dúvidas e mistérios, para ajudá-los a estimular a imaginação e motivar a pesquisa individual. Este é o caminho para a obtenção de inovações.

“A educação científica intensiva e estreita garante que quem se submete a ela jamais fará uma descoberta científica… Nós devemos forjar uma educação pioneira, cujo propósito seja produzir os generalistas imaginativos que podem nos levar a um futuro desconhecido.” (Robert e Michèle Root-Bernstein – Centelhas de gênios: como pensam as pessoas mais criativas do mundo.)

Jogos de computadores e a mídia

Os pesquisadores de hoje têm computadores para simular quase tudo que possam imaginar. A combinação da capacidade de processamento de dados com a imaginação produz os jogos de computadores mais avançados, um mundo virtual onde a fantasia desenfreada pode florescer. “Você pode vender qualquer coisa, se ela for vestida corretamente… Você pode dar um resultado que é um lixo completo, mas, se for tomado fora do contexto, os revisores não podem perceber a diferença”, disse um astrofísico. Palavras duras? Não se se leem os numerosos artigos em que simulações são apresentadas como “provas” de uma teoria. Cada descoberta “surpreendente” resulta em modelos computadorizados ad hoc, construídos a partir de ideias “de prateleira” e softwares que são forçados para fazer aproximações do que se imagina ter sido descoberto. Atrativas “impressões artísticas” geradas por computador ajudam na obtenção de verbas. O projeto dos laboratórios de pesquisa giram em torno das tecnologias de simulação e visualização, como no caso do Grande Colisor de Hádrons. Com isso, as bibliotecas científicas são entupidas com um excesso de literatura técnica ilegível e que permanece sem ser lida, enquanto a distinção entre a própria natureza e os “mundos virtuais” da mídia popular se torna cada vez menos nítida. Neste círculo vicioso mortal, o mundo virtual ganha publicidade e verbas. Enquanto isso, declina, progressivamente, a inspiração que atrai as mentes jovens para as verdadeiras descobertas.

No livro “Como Einstein arruinou a Física” (How Einstein Ruined Physics), Roger Schlafly, ele próprio um doutor em Matemática pela Universidade da Califórnia em Berkeley, escreve: “A Física moderna foi tomada por pesquisadores acadêmicos que se autodenominam físicos teóricos, mas que, na verdade, fazem ficção científica. Eles não são matemáticos que provam os seus resultados com a Lógica, e não são cientistas que testam as suas hipóteses com experiências. Eles fazem afirmativas grandiloquentes sobre como as suas fórmulas criativas vão explicar como o mundo funciona e, ainda assim, não proporcionam qualquer meio de se verificar se existe alguma validade em suas ideias.”

A Matemática é uma grande ferramenta, mas não é Física. Um lucrativo prêmio foi recentemente conferido a um astrofísico australiano que incentivava os estudantes a imitá-lo e a “ver as coisas como problemas matemáticos, em vez de como problemas físicos”. Isto, vindo de uma pessoa que nos deu a imaginária “matéria escura”, para permitir o acerto matemático para o problema físico. Para seu crédito, Albert Einstein demonstrava um entendimento melhor, ao dizer que, “na medida em que as leis da Matemática se referem à realidade, elas não são verdadeiras; e, na medida em que elas são verdadeiras, não se referem à realidade”.

Financiamento das pesquisas

A ciência do consenso e a necessidade desesperada de publicar artigos em umas poucas revistas “reconhecidas” são os combustíveis da censura da revisão de pares, da publicação seletiva de dados, das tendências confirmatórias e, em alguns casos, da fraude. Os pedidos de verbas para pesquisas deveriam ser submetidos ao escrutínio público. Se a pesquisa não puder ser explicada e justificada perante árbitros qualificados e submetida à crítica qualificada, qual é a base para a confiança depositada nas multibilionárias aventuras científicas de hoje? O “confiem em nós, somos os especialistas”, não é aceitável. A confiança cega nos levou a questionáveis projetos multibilionários como o Grande Colisor de Hádrons, de 9 bilhões de dólares, e o Reator Experimental Termonuclear Internacional (ITER), de 16 bilhões e 30 anos – que, quando analisados de forma crítica, ficam longe das justificativas científicas de que o público tem todo o direito de esperar.

A Cosmologia como um mito

A Cosmologia atual, ao tentar proporcionar-nos o quadro maior, compete com a Religião, ao investir em um mito alternativo da criação, que passa por cima das leis da Física observadas. O mito é o chamado “Big Bang”, e ele não faz sentido. O que observamos é que a matéria “tranca” a energia eletromagnética, que se manifesta como massa, de acordo com a fórmula E = mc2 (não se necessita de qualquer hipotético bóson de Higgs). Mas não temos nenhuma ideia de como a energia pode criar a matéria (seja lá o que isto acabar sendo). Então, nada podemos dizer sobre a criação do Universo. Embora pareça explicar certos fenômenos observados, o Big Bangrequer que racionalizemos um imenso campo de anomalias que se acumulam, forçando os cosmologistas a devotar a maior parte do seu tempo a inventar maneiras de contornar as contradições, com a introdução de construções puramente teóricas, como a matéria escura, a energia escura, os buracos negros e muitas outras. O vocabulário exótico que tem emergido disto falha em todos os testes racionais da “navalha de Occam”.** Os resultados inesperados são enfrentados com soluções ad hoc. Há sempre uma resposta.

O mito do Big Bang, com o seu bizarro retrato da nossa situação no Universo, afeta a sociedade com a sua desesperança e o desperdício de dinheiro e recursos. A Cosmologia moderna se expõe como uma religião secular competidora, com o seu próprio criacionismo e os cenários de fim do mundo. A Ciência ainda não se livrou das algemas do nosso passado incompreendido.

Cosmologia por modelos computadorizados

Um critério para uma cosmologia bem sucedida é a sua capacidade de prever novas prováveis descobertas e caminhos de pesquisa em outras disciplinas. A cosmologia do Big Bang não passa neste teste. Hoje, as incessantes surpresas causadas pelos dados astronômicos discordantes nunca provocam um repensamento radical das premissas básicas. O “de volta à prancheta”, nunca significa começar de novo. Os mistérios mencionados anteriormente ficam intocados. Ninguém lê os artigos originais dos quais o dogma emergiu. As surpresas, simplesmente, alimentam o circuito ciência-mídia-financiamento, para promover absurdos improvisados – “provados” pelos modelos computadorizados. Mas os modelos computadorizados não podem provar nada. A maioria deles se baseia em conceitos inválidos, como o de tratar o plasma espacial como um gás magnetizado, e têm tantos parâmetros ajustáveis que os modelos não são “falsificáveis”. Os físicos são treinados para trabalhar em um vácuo intelectual. O resultado é uma falta de progresso real, que se disfarça por cabeçalhos científicos crescentemente bizarros e promessas de sucessos futuros, que nunca chegam. Considere-se, por exemplo, as promessas velhas de décadas da energia termonuclear limpa e ilimitada, “como o Sol”. O fracasso de se obtê-la nunca provocou quaisquer novos conceitos sobre o Sol. Mas isto poderia ser uma pista.

* O método da “falsificabilidade” foi elaborado pelo filósofo da ciência austríaco-britânico Karl Popper (1902-1994). Segundo ele, as hipóteses ou teorias científicas devem ser permanentemente submetidas a testes e críticas, para detectar-lhe os erros ou falhas. O papel dos testes seria o de demonstrar a falsidade das proposições, e não a sua exatidão. – N. dos E.

** A “navalha de Occam” é um princípio lógico atribuído ao franciscano inglês Guilherme de Occam (séc. XIV), segundo o qual a explicação de qualquer fenômeno deve considerar apenas as premissas estritamente necessárias para tanto, descartando-se as que não teriam qualquer influência aparente sobre eles. Ou, em outras palavras, se as várias explicações de um fenômeno forem idênticas em tudo o mais, a mais simples é a melhor. – N. dos E.

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