Novo navio de pesquisas dará grande avanço à Ciência brasileira

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Apenas um ano e meio após o anúncio da sua aquisição, a Marinha do Brasil (MB) acaba de incorporar o ultramoderno Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira, que possibilitará ao País um importante salto na sua capacidade de pesquisas oceanográficas e hidrográficas. A cerimônia de batismo foi realizada no cais da empresa Keppel Marine, em Cingapura, em 24 de março. O navio foi construído pelo estaleiro chinês Guangzhou Hantong Shipbuilding and Shipping, e passou por testes, adequações técnicas e instalação de equipamentos em Cingapura. A viagem para o Brasil está prevista para maio, após novos testes que serão realizados na Indonésia, com previsão de chegada em julho.

O novo navio representa um importante reforço para as pesquisas oceanográficas e hidrográficas no País, sendo dotado dos mais modernos equipamentos e laboratórios para pesquisas físicas, químicas, geológicas, biológica e ambientais.

“O Vital de Oliveira está equipado com o que há de mais avançado em termos de tecnologia, permitindo o acesso à parte geológica e biológica para experimentações e retirada de amostras”, disse o coordenador para o Mar e a Antártica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MTCI), Andrei Polejack. Segundo ele, o navio permitirá a realização de pesquisas tanto em águas brasileiras como internacionais (Portal Brasil, 27/03/2015).

Polejack afirma, ainda, que a embarcação é uma das cinco melhores plataformas de pesquisa hidroceanográfica do mundo. No Hemisfério Sul, garante, apenas a Austrália tem um navio equivalente.

Em uma sinergia de esforços das mais oportunas, entre o governo federal e o setor privado, o navio foi adquirido em 2013, a um custo equivalente a R$ 162 milhões, como parte de um acordo firmado entre o MCTI, o Ministério da Defesa (MD) e as empresas Petrobras e Vale.

O navio foi batizado em homenagem ao capitão-de-fragata Manoel Antonio Vital de Oliveira, comandante do monitor encouraçado Silvado, morto no bombardeio a Curupaiti, na Guerra do Paraguai, em 2 de fevereiro de 1867.

O Vital de Oliveira tem um deslocamento de 3.500 toneladas, 78 metros de comprimento, cinco laboratórios, tripulação de 90 homens e poderá levar 40 cientistas, em viagens de até 60 dias. Um dos seus equipamentos é um veículo de operação remota (ROV, na sigla inglesa), um submarino robô que pode operar a até 4 mil metros de profundidade. Apesar de já existirem no País várias empresas que operam ROVs, a maioria como apoio à exploração marítima de petróleo e gás, o Vital de Oliveira será o primeiro navio da MB a contar com um deles.

A sua aquisição terá reflexo direto na ampliação da geração de conhecimento nacional sobre o ambiente marinho no Atlântico Sul, além do desenvolvimento de tecnologias e de inovação em produtos e serviços. Além disso, permitirá estudos que reduzam a nossa vulnerabilidade e os riscos decorrentes de eventos extremos sobre a zona costeira, além de auxiliar a formação de recursos humanos ligados à pesquisa científica marinha.

A compra do navio se deu no âmbito da implementação do Instituto Nacional de Pesquisas Oceanográficas e Hidroviárias (Inpoh), criado naquele ano, em uma articulação entre o MCTI, a MB, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e a Secretaria de Portos da Presidência da República.

O instituto, em fase de organização, terá quatro centros de pesquisa, sendo dois focados em pesquisa oceanográfica, um no Nordeste e outro no Sul do País, um terceiro de pesca e aquicultura e outro na área de portos e hidrovias (MCTI, 6/12/2014).

Em outra inovação interessante, o Inpoh será uma Organização Social (OS), um tipo de associação civil apta a assinar contratos de gestão com o poder público e a iniciativa privada. O instituto deverá funcionar de forma semelhante ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, OS que gerencia quatro laboratórios nacionais em Campinas – de luz síncrotron, biociências, biotecnologia do etanol e nanotecnologia.

Assim, o instituto poderá firmar contratos com o MCTI para gestão de projetos e programas específicos, sem fazer parte do organograma da pasta, o que o livrará de várias amarras burocráticas e legais que costumam atravancar o funcionamento da máquina pública (O Estado de S. Paulo, 27/05/2013).

Em uma etapa posterior, seria de grande relevância que se considerasse a aquisição de um minissubmarino tripulado, como o Shinkai 6500 japonês, usado no programa de prospecção submarina do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), em um convênio com o governo do Japão, em 2013. Tanto a Federação Russa como a China dispõem de minissubmarinos de alto desempenho capazes de mergulhar a profundidades superiores a 6000 metros, e a parceria com ambos os países no grupo BRICS poderia facilitar um acordo para a compra de uma dessas naves avançadas, talvez, até mesmo envolvendo transferências tecnológicas.

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