Novas experiências reforçam origem abiogênica dos hidrocarbonetos

A hipótese da origem abiogênica dos hidrocarbonetos na crosta terrestre ganhou um novo reforço, com uma série de experiências efetuadas na Universidade da Califórnia em Davis, EUA. As experiências, feitas por uma equipe encabeçada pela físico-química Giulia Galli, demonstram que longas cadeias de hidrocarbonetos podem ser formadas no interior da crosta terrestre apenas com moléculas de metano (CH4), o hidrocarboneto mais simples conhecido, ou seja, sem necessidade de material biológico (Inovação Tecnológica, 10/05/2011).

A teoria tradicional da gênese do petróleo afirma que este é resultado de um processo geológico, no qual organismos soterrados, comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre, sofrem transformações químicas até resultar no petróleo, gás natural e outras substâncias afins. Apesar de a corrente principal das geociências admitir também a hipótese da formação inorgânica desses produtos, até há pouco não havia qualquer evidência experimental dela.

Segundo a Dra. Galli, “as nossas simulações mostram que as moléculas de metano podem se combinar para formar moléculas de grandes hidrocarbonos quando expostas às pressões e temperaturas muito alas do manto superior da Terra”. As moléculas de hidrocarboneto são importantes, pois constituem o bloco fundamental que forma o petróleo e o gás natural. Para a pesquisadora estadunidense, em condições adequadas de temperatura e pressão, é plenamente possível a formação de hidrocarbonetos abiogênicos na crosta terrestre.

Os pesquisadores simularam o comportamento dos átomos de carbono e hidrogênio, sob pressões e temperaturas próximas às encontradas a uma profundidade entre 65 e 150 km de profundidade. Os cientistas observaram a formação de hidrocarbonetos com múltiplos átomos de carbono a partir de átomos de metano, uma molécula com apenas um átomo de carbono e quatro de hidrogênio. Tal fenômeno ocorreu a partir de temperaturas superiores a 1.500 K e pressões acima de 50 mil vezes a pressão atmosférica – condições observáveis a partir de 110 km de profundidade.

A pesquisa da Dra. Galli vêm se somar a uma série crescente de evidências que reforçam a hipótese da formação de hidrocarbonetos a grandes profundidades na crosta terrestre, como experiências semelhantes feitas nos EUA e na Suécia (Alerta Científico e Ambiental, 22/09/2011). A relevância dessa orientação fica evidenciada pelo fato de que a pesquisa da Dra. Galli foi financiada pela Shell.

One comment

  1. A teoria abiótica é bem antiga, e é tida na Rússia como a verdadeira….

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