Maurice Strong: FIESP recebe “Sr. Carbono”

Definitivamente, quando se dispõe a discutir a questão ambiental, grande parte do empresariado brasileiro ainda se deixa seduzir pelo discurso ilusório das estrelas do ambientalismo internacional, que, geralmente, têm pouco ou nada a contribuir para qualquer discussão séria dos aspectos relevantes dos impactos ambientais das atividades humanas e das reais necessidades da sociedade brasileira. Quase como regra, limitam-se a repetir as platitudes habituais dos propagandistas do movimento ambientalista e, além de embolsar polpudos cachês, limitam-se às oportunidades para fotografias com os anfitriões e a proporcionar a participantes deslumbrados a possibilidade de dizer, posteriormente, que lhes fizeram pessoalmente esta ou aquela pergunta.

Em setembro último, esteve em São Paulo (SP) o ex-vice-presidente estadunidense Al Gore, convidado pelos organizadores do Global Agribusiness Forum para “abrilhantar” o evento. Na ocasião, Gore (que não costuma sair de casa por menos de 170 mil dólares) desfilou o habitual rosário de obviedades e mistificações com os quais promove a hipótese do aquecimento global causado pelo homem, da qual é um dos paladinos mundiais (Alerta Científico e Ambiental, 4/10/2012).

Agora, é a vez de seu parceiro de negócios e tramoias ambientalistas, o empresário canadense Maurice Strong, vir ao Brasil para “iluminar” seus pares nacionais com a sua vasta experiência de virtual “executivo-chefe” do ambientalismo internacional, papel que desempenhou durante mais de três décadas. Convidado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Strong esteve na capital paulista em 27 de novembro último, para proferia uma palestra magna sobre o tema “Perspectiva sustentável para o Brasil no mundo globalizado e suas vantagens competitivas”.

Em sua longa trajetória à frente do movimento ambientalista, de que foi um dos “pais fundadores”, Strong ocupou uma pletora de cargos, em órgãos internacionais e fundações e empresas privadas, tendo sido um dos mentores da agenda do aquecimento global antropogênico, pelo que merece a alcunha “Sr. Carbono”.

Entre outros postos, foi o secretário-geral das conferências ambientais das Nações Unidas, em Estocolmo, em 1972, e Rio de Janeiro, em 1992. Foi fundador e o primeiro diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), posição a partir da qual lançou as agendas do banimento das substâncias que, supostamente, afetariam a camada de ozônio e das restrições aos combustíveis fósseis, posteriormente, consolidadas nos protocolos de Montreal e Kyoto. Foi, também, um dos idealizadores do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Igualmente, ocupou numerosas posições nos conselhos diretores de organizações ambientalistas, como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e o World Resources Institute (WRI), além de entidades privadas que as sustentam, como as fundações da família Rockefeller. Mesmo de forma sintética, seu currículo de articulador internacional é longo demais para ser reproduzido aqui (os leitores interessados podem fazer a sua própria pesquisa na Internet).

Evidentemente, como bom empreendedor, Strong, que atualmente reside em Pequim, aproveitou a visita para fazer negócios, possivelmente, visando a exportação etanol brasileiro para a China, a julgar pelas reuniões com empresários do setor, na União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) (Agência Indusnet Fiesp, 27/11/2012).

Na própria conferência, Strong insistiu bastante no tema chinês. Como escreveu em seu blog o jornalista Richard Jakubaszko, um dos convidados para o evento: “Nos 45 minutos de palestra falou mais das oportunidades na China e de como os chineses se preparam para ser a maior nação do mundo, da experiência de ter morado na China, etc., do que das questões ambientais.

Na oportunidade, Strong tratou de cativar os anfitriões, afirmando que, embora não fosse a sua primeira visita ao Brasil, era, certamente, a mais importante. “Não existe uma única organização no mundo que tenha tanto comprometimento com a implementação da sustentabilidade nas indústrias como a FIESP”, afirmou (Agência Indusnet Fiesp, 27/11/2012).

Da mesma forma, rasgou-se em elogios ao Brasil, que considera um líder mundial em sustentabilidade: “Apesar de o Brasil não ser um país desenvolvido, tornou-se uma capital no debate sobre a sustentabilidade”.

Um dos pais do “aquecimentismo”, Strong não poderia deixar de dar o recado da alegada necessidade de limitação do uso dos combustíveis fósseis: “Precisamos fazer o nosso futuro, porque se não, teremos um futuro que não queremos. Já estamos muito além quanto às emissões de gases carbônicos, por exemplo, e não devemos ficar nesse curso.”

Durante os debates, ao ser solicitado por Richard Jakubaszko a apresentar uma única evidência do aquecimento global antropogênico, Strong respondeu: “O degelo dos polos.”

Como se sabe, não está ocorrendo qualquer degelo anormal nos pólos do planeta – de fato, a cobertura de gelo da Antártica está aumentando há décadas -, mas a resposta de Strong é o padrão dos argumentos falaciosos manipulados por ele e seus pares ambientalistas, para justificar a desorientada agenda da “descarbonização” da matriz energética mundial.

Em síntese, assim como afirmamos no caso de Gore, seguramente, a FIESP teria à disposição opções bem melhores e mais relevantes para discutir com a devida seriedade os problemas ambientais que, realmente, afligem os brasileiros e como o País pode e deve se orientar em relação a estes e outros temas cruciais, neste grave momento de crise sistêmica global.

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