Japoneses batem recorde em transmissão de eletricidade sem fio

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Cientistas da Agência Japonesa de Exploração Espacial (JAXA) bateram um recorde na transmissão de energia elétrica por meio de microondas. Utilizando um transmissor de alta precisão, os pesquisadores lograram enviar 1,8 kilowatts a uma distância de 55 metros, sem usar fios, façanha até então inédita em todo o mundo.

Ainda que a quantidade de energia enviada não seja extraordinária, tendo em conta que é a quantidade de kilowatts consumida por uma cafeteira, os cientistas esperam que, futuramente, a tecnologia ajude a conseguir um dos mais ambiciosos sonhos após a conquista do espaço: fornecer energia elétrica à Terra a partir de usinas de energia solar que orbitem ao redor do planeta. “É a primeira vez que alguém consegue enviar quase 2 kilowatts de energia elétrica por meio de microondas até um alvo pequeno, utilizando um dispositivo de enfoque pequeno”, disse um porta-voz da agência (AFP, 13/03/2015).

Segundo ele, a JAXA tem trabalhado no desenvolvimento da transmissão de eletricidade sem fio há anos, no âmbito de seu programa de usinas solares espaciais: “Mas pode levar décadas antes que vejamos aplicações práticas dessa tecnologia- talvez em 2040 ou mesmo depois. (…) Há um grande número de desafios a superar.”

O programa Space Solar Power Systems da agência teve início em 2009, e é sendo financiado pelo poderoso Ministério do Comércio Internacional e Indústria (MITI). O conceito de construção de usinas solares no espaço surgiu nos Estados Unidos, na década de 1960, e especialistas apontam que esta opção tem muitas vantagens em relação à geração solar na superfície terrestre, como a disponibilidade permanente de gerar energia sem a interferência de fatores climáticos e sem a suspensão da geração à noite. Entretanto, ainda não há soluções para problemas técnicos diversos, como a manutenção dos equipamentos instalados no espaço.

No entanto, outra perspectiva que pode estar mais próxima com a façanha tecnológica dos cientistas japoneses é a sonhada pelo inventor e engenheiro Nikola Tesla (1856-1943). Tesla propunha o fornecimento de eletricidade sem fio a todos os povos do planeta, como forma de promover a paz e o desenvolvimento humano, além de impulsionar a educação, a ciência e a tecnologia. Em uma série de experiências, realizadas no final do século XIX e início do XX, Tesla, que nasceu na atual Croácia mas se naturalizou estadunidense, logrou sucesso na transmissão de eletricidade sem fios a curtas distâncias, mas nunca conseguiu desenvolver a tecnologia em escala comercial, em grande medida, devido à oposição de financistas, como John Pierpoint Morgan (1837-1913) e outros, que já começavam a estender o seu domínio à nascente indústria de geração elétrica. Alguns biógrafos de Tesla registram a reação de Morgan, que financiou alguns experimentos de Tesla, ao ser comunicado da sua intenção de levá-los à escala industrial. “Se for assim [pelo ar], onde é que vou colocar o medidor?”.

Tesla foi, também, um dos pioneiros nas pesquisas sobre a possibilidade de extração direta da energia do que hoje se conhece como o vácuo quântico – na época, o “éter”. Em uma célebre conferência proferida em 1892, ele afirmou:

Antes que muitas gerações se passem, a nossa maquinaria será movida por uma energia que se pode obter em qualquer ponto do Universo. Esta ideia não é nova. Desde há muito tempo, os homens têm sido levados a ela pelo instinto ou a razão. Nós a encontramos no delicioso mito de Anteu, que retira o seu poder da terra; nós a encontramos entre as sutis especulações de um dos seus esplêndidos matemáticos e em muitas pistas e declarações de pensadores da época atual. Em todo o espaço há energia. A questão é se esta energia é estática ou cinética. Se for estática, as nossas esperanças são em vão; se for cinética, e temos como certo que assim é, então, é uma mera questão de tempo até que os homens consigam ligar a sua maquinaria às próprias engrenagens da natureza (“Experiments with alternate currents of high potential and high frequency”, February 1892).

Em muitos países, pesquisadores e inventores, em sua maioria, trabalhando isoladamente e sem apoio institucional, têm se empenhado em concretizar tais conceitos, mesmo enfrentando a rejeição e, com frequência, o desprezo da corrente principal da Ciência. Não obstante, resultados encorajadores têm sido obtidos por muitos deles (inclusive no Brasil), os quais deixam em aberto um grande potencial de desenvolvimento rumo ao que poderá vir a ser parte importante da solução definitiva para os problemas energéticos da humanidade.

One comment

  1. Nederlanda e Turquia tiveram cada um apagao total nacional catastrofico durante horas nas semanas pasadas. A “midia grande” brasileira o tem reportado “bastante” ?

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