Índios sequestram: até quando?

Em meados de outubro, índios das etnias kayabi, apiacá e munduruku mantiveram sete pessoas sequestrados durante seis dias, na aldeia Kururuzinho, na região de Alta floresta, divisa dos estados do Pará e Mato Grosso. O motivo alegado pelos indígenas para a agressão foi um protesto contra o projeto de construção do complexo hidrelétrico do rio Teles Pires, além de pressionar pela demarcação da terra indígena Kayabi.

O grupo seqüestrado era composto por quatro funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), dois representantes da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e um antropólogo que foi contratado pela EPE para realizar uma pesquisa junto à tribo (Agência da Notícia/G1-MT, 24/10/2011).

Em carta divulgada à imprensa, o líder dos indígenas, Taravy Kayabi, afirmou que os índios estão sendo “sumariamente desrespeitados”. Segundo ele, “estamos sendo atropelados pelo governo, que pretende construir várias barragens no entorno de nossa terra (Terra Magazine, 20/10/2011)”. Além disto, ele alega que as principais reivindicações do grupo, como a demarcação de sua terra indígena, não foram atendidas.

Apesar de, fora das malocas, ser considerado como crime hediondo, o sequestro proporcionou um bom retorno aos indígenas, resultando em uma negociação direta entre as suas lideranças e o secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, Paulo Matos. Em decorrência dela, os sete detidos foram libertados na manhã do último domingo, 23 de outubro, após a suspensão das audiências públicas de licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica de São Manoel, a primeira a ser construída no rio Teles Pires, em área próxima à pretendida pelos índios a compor a sua reserva. Além disso, os índios obtiveram o compromisso da Presidência da República de acelerar o processo de demarcação e homologação de suas terras (Agência Brasil, 21/10/2011).

Além da agressão intolerável contra os direitos elementares de cidadãos brasileiros a serviço do governo, que não cometeram qualquer ato de violência que justificasse uma eventual autodefesa, é inaceitável que os indígenas se escudem por trás da sua inimputabilidade legal para cometer atos que, em qualquer outro lugar, resultariam em sentenças judiciais. Em pleno século XXI, cedo ou tarde, o Brasil se verá forçado a rever a sua nefasta política indigenista, que considera intrinsecamente os indígenas como indivíduos incapazes de progredir no processo civilizatório, para considerar uma orientação que contemple a sua integração gradual à sociedade brasileira como um todo, de acordo com as especificidades culturais de cada povo indígena. No frigir dos ovos, a orientação atual, que os mantém em ilusórias redomas artificiais e acirra os antagonismos com o “mundo exterior”, serve muito pouco aos interesses de longo prazo dos próprios indígenas e, menos ainda, aos da sociedade brasileira em geral. Seus únicos beneficiários são algumas lideranças indígenas que já incorporaram alguns dos traços mais oportunistas dos “brancos”, antropólogos ideologicamente motivados e uma agenda intervencionista ditada do exterior.

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