Guerra irregular às vésperas da Copa

Flechas Brasilia 27 5 14 Reuters

As manifestações ocorridas esta semana, em Brasília (DF), evidenciaram uma inusitada, mas previsível, aliança entre o movimento indigenista e os grupos que protestam contra o custo e as prioridades atribuídas à Copa do Mundo no Brasil. Na terça-feira 27 de maio, entre 500 e 600 indígenas de dezenas de etnias participaram das manifestações, que redundaram em um confronto com a Polícia Militar, do qual várias pessoas saíram feridas, inclusive um policial atingido na perna por uma flecha disparada por um indígena – fato que provocou numerosas discussões sobre o absurdo privilégio concedido aos indígenas e negado à quase totalidade dos demais brasileiros, de poder sair às ruas portando armas potencialmente letais.

Independentemente das motivações particulares de cada grupo e entidade, salta aos olhos que os mentores da estratégia de guerra irregular contra o desenvolvimento soberano do Brasil, colocada em prática desde o final da década de 1980, pretendem maximizar as oportunidades geradas pela insatisfação generalizada da sociedade com os rumos do País e a vitrine oferecida pela Copa do Mundo, para promover uma escalada de manifestações de grande visibilidade, que têm grande potencial para desandar em violência. Para tais propósitos, já estão devidamente mobilizadas as “tropas de choque” do movimento ambientalista-indigenista e uma pletora de organizações enquadradas sob o nome genérico de movimentos sociais, devidamente coordenadas e apoiadas pelas organizações não-governamentais (ONGs) e fundações internacionais que constituem o “Estado-Maior” de tal estratégia intervencionista.

A amplitude da coordenação pode ser vista na listagem das entidades que convocaram uma entrevista coletiva de imprensa, na quarta-feira 28, para denunciar a repressão policial às manifestações ocorridas na véspera: Mobilização Nacional Indígena; Comitê Popular da Copa do DF; Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST); Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB); Conselho Indigenista Missionário (CIMI); Greenpeace; CSP-Conlutas, Juntos!; Rua Juventude Anticapitalista; Movimento Inversão; Movimento Honestinas; Comitê pela Desmilitarização da Polícia e da Política do DF; Coletivo Baderna; Movimento Passe Livre; Coletivo Rodamoinho; Mídia Ninja; Conselho Regional de Psicologia do DF; Instituto Socioambiental (ISA); e Centro de Trabalho Indigenista (CTI).

Por sua vez, a Mobilização Nacional Indígena reúne, entre outras notórias ONGs integrantes do aparato ambientalista-indigenista, a APIB, CTI, CIMI, ISA, Greenpeace e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IIEB).

O apoio organizacional, logístico e financeiro a tais manifestações fica evidenciado pelos custos e a complexidade do transporte de centenas de indígenas de vários pontos do País a Brasília e a sua manutenção na capital federal, durante vários dias, recursos que, certamente, não provêm dos repasses financeiros feitos às tribos pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Segundo o jornalista Cláudio Humberto, muitos dos índios começaram a chegar a Brasília no domingo 25, em voos da TAM, e foram instruídos a não revelar quem havia pago as passagens. O jornalista informa que “foram ONGs, sobretudo estrangeiras, empenhadas em derrubar a Proposta de Emenda Constitucional 215”, que atribui ao Congresso a palavra final sobre a demarcação de novas terras indígenas (Diário do Poder, 28/05/2014).

Segundo o sítio do ISA (27/05/2014), a pauta indigenista de reivindicações inclui: a retomada imediata das demarcações de terras indígenas; revogação da Portaria 303/2012, da PEC 215/2000 e de todas as portarias ou decretos que restrinjam direitos indígenas; fim da criminalização de comunidades e lideranças indígenas e punição dos executores de violência contra estes povos; efetivação de políticas públicas específicas, efetivas e de qualidade, especialmente nas áreas da saúde e educação.

Excetuando-se o último item, em que as ações do Estado brasileiro têm deixado bastante a desejar – e não apenas quanto às comunidades indígenas, mas para toda a população -, todos os demais se referem a questões que reduzem e, em certos aspectos, neutralizam, a vasta influência do aparato indigenista na formulação das políticas setoriais e a virtual blindagem da sua capacidade de delimitar novas terras indígenas e ampliar as existentes, que tem gerado um número crescente de conflitos em todo o País.

Evidentemente, as autoridades de todos os níveis estão em alerta para a perspectiva dessa escalada de ações. Não obstante, seria de bom alvitre que a preparação para enfrentá-la não se limitasse ao controle das manifestações de rua, mas incluísse uma mais que devida atenção aos seus mentores e às suas reais motivações, que pouco têm a ver com as motivações da sociedade brasileira, por mais justas que sejam. É mais que hora de se dar um basta a tais manipulações, desmascarando-se de vez o aparato intervencionista supranacional que as tem promovido.

(A foto que ilustra a página de abertura é da agência Reuters.)





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