Estudo científico demonstra: radiação em Caetité é natural

Um estudo científico recentemente publicado atesta que a presença de urânio na água e no solo do município de Caetité (BA), que abriga uma mina de urânio da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), não se deve às atividades da empresa, mas às características geológicas da região, que é rica em urânio e tório. A pesquisa, desenvolvida pela física Simara Campos, como parte do seu projeto de doutorado na Universidade Federal de Sergipe, desmente a tese sustentada por ONGs ambientalistas atuantes na região, de que as atividades da mina de Caetité seriam responsáveis pelos consideráveis índices de radiação no solo e na água do município.

As conclusões da pesquisa foram divulgadas no X Encontro em Aplicações Nucleares (Enan), durante a INAC 2011 (International Nuclear Atlantic Conference), realizada em Belo Horizonte (MG), no final de outubro último. A autora se baseou em levantamentos radiométricos efetuados no entorno da mina de Caetité, desde Lagoa Real até o povoado de Maniaçu, a 100 quilômetros de distância. Segundo ela, as alterações encontradas no meio ambiente do município são consequências naturais da presença de urânio nas rochas e no solo, e não devido à exploração da usina (Brasil Nuclear, Ano 16, No. 38, 2012).

Os resultados da pesquisa foram reforçados por outro estudo, de autoria de Geângela M. Almeida, pesquisadora e professora adjunta da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. O trabalho, que também foi exposto no INAC 2011, compara medições colhidas em Caetité e em Santa Quitéria, outro município baiano rico minérios radioativos, mas que não é explorado pela INB. As suas conclusões são significativas:

O solo da região de Caetité é muito rico em urânio e tório. Consequentemente, o que ocorre nas águas e no solo é um processo natural e não um processo de contaminação devido à exploração do urânio. Comparamos os dados de radiação ambiental de Caetité, que é uma região explorada, com os de Santa Quitéria, no Ceará, onde ainda não há atividade mineira, verificamos que os resultados encontrados são muito próximos. Isso é um indicativo que nos mostra que o que existe no local é influência da própria natureza e não consequência puramente de uma contaminação.

As amostras de água utilizadas na pesquisa foram coletadas em fazendas, que utilizam poços subterrâneos e cisternas para consumo animal, para irrigação das plantações e para consumo próprio. Além disto, foram analisadas amostras de solo das terras usadas para plantio. A coleta foi realizada entre os meses de fevereiro de 2010, em Caetité, e em maio do mesmo ano, em Santa Quitéria.

No final de 2008, o Greenpeace provocou um alarde nacional com um relatório em que acusava a mina de Caetité de submeter a população local a índices de radioatividade acima dos padrões aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde (OMS) (Alerta Científico e Ambiental, 20/01/2009). A acusação foi rapidamente desqualificada pela INB e por vários estudos realizados a pedido da empresa. Agora, os estudos de Simara Campos e de Geângela Almeida representam a pá de cal na campanha alarmista e irresponsável da “multinacional verde” e seus cúmplices.

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