Carvão é a melhor opção para a África, dizem africanos

Dos 54 países do continente africano, apenas 15 deles dispoem de uma capacidade de geração elétrica superior a 500 MW, potência inferior à metade da gerada por uma única usina termelétrica de grande porte. A revelação, feita pelo executivo-chefe da empresa energética sul-africana Eskom, Brian Dames, no 21º Fórum Econômico Mundial para a África, realizado na Cidade do Cabo, no inicio de maio, denota a dimensão das carências do continente e das desafios enfrentados pelas populações locais para superar o subdesenvolvimento.

O presidente da Eskom, Mpho Makwana, reforçou a informação, frisando que apenas 30% do bilhão de habitantes do continente têm acesso à eletricidade. “É impossível garantir sistemas de educação e saúde no continente sem eletricidade”, enfatizou.

Para Dames, a melhor opção para a eletrificação do continente, fundamental para os planos de desenvolvimento socioeconômico da região, é a construção de usinas termelétricas a carvão mineral, por serem de construção mais barata e rápida.

Para desgosto dos adeptos das chamadas “fontes renováveis” (dos quais o Fórum Econômico Mundial é pródigo), o executivo ressaltou que, devido aos seus altos custos, sua empresa continuará investindo na construção de termelétricas a carvão, duas das quais se encontram em andamento, as centrais de Kusile e Medupi, ambas com seis módulos de 800 MW cada, que deverão entrar em operação até 2014 (curiosamente, o canteiro de obras de Medupi foi alvo recente de um violento motim de trabalhadores estrangeiros, semelhante ao ocorrido nas obras da hidrelétrica brasileira de Jirau).

Dames mencionou também outro grande projeto de que a Eskom poderá participar, a usina hidrelétrica Inga III, de 5.000 MW, no rio Congo, na República Democrática do Congo. A informação foi confirmada pela ministra de Energia Dipuo Peters, que afirmou que os dois países estão trabalhando para estabelecer um memorando de entendimento referente ao projeto, que poderá contar com financiamento do Banco Mundial e do Banco de Desenvolvimento Africano.

A ministra Peters informou, também, que apesar de muitos acreditarem que o país deveria abandonar a energia nuclear após o episódio de Fukushima, seu governo manteve os planos de considerar a futura construção de usinas nucleares (Times Live, 7/05/2011). A Eskom é detentora da promissora tecnologia dos Reatores Modulares de Leito de Pelotas (Pebble Bed Modular Reactor), refrigerados a hélio e intrinsecamente seguros, que poderá contribuir sobremaneira para a recuperação do impulso pró-nuclear abalado pelo acidente na usina japonesa.

One comment

  1. … e quanto mais CO2 for produzido, mais os vegetais crescem…
    … e as máquinas térmicas podem igualmente ser pequenas, possibilitando a cogeração, com no mínimo o dobro de rendimento.

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