Abutres “neocons” com fome de guerras

O recuo estratégico global do poder oligárquico anglo-americano, evidenciado nos sucessivos reveses diplomáticos na Síria e no Irã, está levando ao desespero a facção “neoconservadora”, que ainda detém uma forte influência dentro do governo do presidente Barack Obama. Tendo no sangue o supremacismo belicista como instrumento de exercício da política externa, tais grupos se comportam como abutres famintos em busca de novos conflitos bélicos, que permitam sustentar os seus planos para a imposição de estruturas de “governo mundial”, mesmo sob o risco de ameaçar a paz mundial. Este é o caso das turbulências na Ucrânia, onde uma parte considerável das manifestações que têm abalado o país, desde o final de 2012, tem sido criada e fomentada por tais grupos, cujo alvo é a Federação Russa de Vladimir Putin, hoje, o maior adversário político dos seus planos hegemônicos.

De fato, a despeito da visão negativa com a qual é retratado pela mídia influenciada pelo Establishment anglo-americano, Putin vem se destacando como um importante promotor de iniciativas construtivas para o solucionamento dos conflitos e contenciosos que têm incendiado toda a região do Oriente Médio estendido. Tanto na guerra civil na Síria, como no imbróglio do programa nuclear do Irã e, mais recentemente, com o estabelecimento de um novo acordo militar com o governo provisório do Egito, a diplomacia russa, liderada pelo sóbrio chanceler Sergei Lavrov, tem marcado sucessivos pontos para o estabelecimento de um marco de cooperação em prol da redução das tensões na região, em um claro contraste com a agenda beligerante dos “neocons”.

Até mesmo o ruidoso governo do premier israelense Benjamin Netanyau, notoriamente alinhado com os interesses anglo-americanos, tem se mostrado aberto a certos entendimentos propostos por Moscou, quanto à necessidade de esforços conjuntos contra a expansão dos grupos islamistas radicais atuantes entre o Norte da África e o Cáucaso, crescentemente fora de qualquer controle, os quais representam ameaças reais a todos os Estados desta vasta área.

Vale registrar que os esforços de Putin – que, por ironia histórica, se tornou um dos baluartes dos mais elevados princípios cristãos – têm ocorrido em paralelo e em sintonia com o empenho do papa Francisco na direção dos mesmos objetivos, parte de sua agenda mais ampla em favor da reconstrução da ordem econômica mundial, preocupação que também compartilha com o líder do Kremlin.

Seria ingênuo esperar que os “neocons” – que esperam retomar plenamente a sua influência em Washington, na sucessão de Obama – assistissem a tudo isso de braços cruzados. Por isso, estão se empenhando criar toda sorte de problemas para Putin e companhia, como se percebe na Ucrânia e em iniciativas como a insistência no estabelecimento de um escudo antimísseis na Europa. A possibilidade de se evitar um novo grande conflito irá depender, em grande medida, do sucesso de Putin e seus aliados na neutralização dessas aves de rapina geopolíticas.

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