Usinas nucleares foram “vice-campeãs” no primeiro semestre

O Operador Nacional do Sistema (ONS) acaba de divulgar informações sobre a participação das diversas fontes de geração elétrica no primeiro semestre do ano. Segundo a entidade, as duas únicas usinas nucleares do País ocuparam o segundo lugar, ficando atrás somente das hidrelétricas. Enquanto estas últimas responderam por 92,11% do total fornecido ao Sistema Interligado Nacional (SIN), as nucleares ficaram com 3,19%, produzindo 1.793 MW médios. Em terceiro lugar, vieram as termelétricas a gás natural, com 2,16%. Em seguida, vêm as térmicas a carvão (0,99%), biomassa (0,71%) e óleo (0,66%) e, por fim, os aerogeradores (0,18%).

Entre as térmicas, a central nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis (RJ), respondeu por 41,39% da modalidade, seguida pelas usinas a gás (27,98%), carvão (12,85%), biomassa (9,23%) e óleo (8,55%) (Eletronuclear, 19/07/2011).

Segundo o ONS, um dos fatores que contribuíram para o desempenho das nucleares foi a intensidade das chuvas durante o período entre janeiro e junho. Com isso, o Operador não teve necessidade de recorrer às térmicas não nucleares para compensar uma queda dos reservatórios das hidrelétricas. Some-se a isto o excelente desempenho das usinas nucleares no período, cuja produtividade esteve acima da sua potência nominal, devido à temperatura amena da água do mar. Assim, Angra 2, apesar de sua potência nominal de 1.350 MW, tem gerado 1.355 MW (O Globo, 16/07/2011).

Tais números não apenas denotam a importância da fonte nuclear para a geração de base, mas também ressaltam, mais uma vez, a falta de realismo dos adeptos das fontes favoritas dos ambientalistas, como as eólicas, que, em toda parte, somente se sustentam com pesados subsídios governamentais, como a isenção de IPI para os seus equipamentos, concedida pelo governo brasileiro. Ainda assim, mesmo depois de uma década e meia de mudança do modelo energético nacional, que transformou a eletricidade em commodity e passou a favorecer os investimentos privados, combinada com a pressão ambientalista, as eólicas não foram além de pífios 0,18% da geração elétrica no País.

Aliás, esperemos que não vá muito além disso, pois a expansão da oferta de eletricidade gerada por fontes intermitentes, como as eólicas e solares, implica em maiores investimentos na geração de base, sobretudo na construção e operação de termelétricas, para servir de “backup” contra as oscilações daquelas fontes, o que encarece desnecessariamente o custo da eletricidade – que, no Brasil, já é um dos mais altos do mundo.

Truques “verdes”

No empenho de promover as fontes eólicas e solares, contra todas as evidências de que estas só servem como fontes complementares, os ambientalistas têm recorrido a toda sorte de truques para tentar aumentar-lhes artificialmente a relevância. Um deles é embrulhá-las no rótulo genérico de “fontes renováveis”, com o qual estão trombeteando o aumento da participação destas fontes, para cerca de 20% da geração mundial em 2010. O problema é que, quando se consulta o relatório Renewables 2011 Global Status Report, origem da informação, se constata que as usinas hidrelétricas entram com 16,1% da geração “renovável”, contra apenas 3,3% das outras fontes “não hidrelétricas”. O relatório foi publicado por um consórcio internacional de entidades ambientalistas encabeçado pelo Worldwatch Institute, com o patrocínio do Ministério de Cooperação e Desenvolvimento (BMZ) e do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear alemães, do Ministério de Energias Novas e Renováveis indiano e do Banco de Desenvolvimento Asiático (ADB).

Em suma, nada de novo sob o Sol – ou em meio aos ventos.

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