Rússia propõe que BRICS participem de nova estação espacial

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O projeto multinacional para o lançamento de uma estação espacial orbital que substitua a atual Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês) pode incluir o Brasil, Índia, China e África do Sul, parceiros da Rússia no grupo BRICS. A afirmativa é do chefe da agência espacial russa Roscomos, Igor Komarov, em entrevista à Rossiskaya Gazeta na semana passada, quando assegurou acreditar que o novo empreendimento “não deve se restringir aos atuais participantes da ISS. Precisamos consideramos a participação dos BRICS nos projetos futuros” (PressTV, 10/04/2015).

A ISS, que deverá funcionar até 2024, é um empreendimento conjunto integrado pelos EUA, Rússia, Canadá, Japão, Bélgica, França, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido. Em março último, Komarov afirmou que Moscou e Washington têm debatido o estabelecimento de uma nova estação espacial para depois daquela data, e que já estão trabalhando no projeto. Funcionários da Agência Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA) confirmaram tais contatos entre os dois países, mas negaram que um acordo para a nova estação espacial já tenha sido assinado (rbth.com, 6/04/2015).

Komarov destacou também que os BRICS têm se tornado cada vez mais influentes no cenário internacional, reunindo 40% da população mundial e movimentando juntos mais de 16 trilhões de dólares anualmente. Em janeiro deste ano, o governo russo divulgou um plano de criar uma nova estação espacial a ser construída e operada apenas pelos BRICS. Esse plano estaria sendo desenvolvido pela Comissão Industrial-Militar da Rússia, sob a direta supervisão do presidente russo Vladimir Putin, com data de divulgação prevista para julho deste ano, durante a próxima cúpula dos BRICS, a ser realizada na cidade russa de Ufa.

Para o Brasil, que foi vergonhosamente excluído do projeto da ISS por não conseguir cumprir os compromissos assumidos, em função das eternas restrições orçamentárias e da escassa prioridade conferida pelas lideranças nacionais às atividades espaciais, tais perspectivas soam como sonhos de remota possibilidade de concretização. Pelo menos enquanto não se instale por aqui uma nova mentalidade menos conformista com o status quo, tanto entre as lideranças como, principalmente, na sociedade como um todo, passando a exercer sobre aquelas uma pressão de baixo para cima, como já ocorre – nem sempre positivamente – com as questões ambientais. Trabalhemos para isto.

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