Resfriamento, e não aquecimento, pode afetar safras agrícolas

Ao contrário do que propala o paradigma “aquecimentista”, o clima global deverá experimentar um resfriamento ao longo da próxima década, com efeitos potencialmente sérios para as safras agrícolas do Canadá, Norte da Europa, Sibéria, Argentina e Chile.

A conclusão é de pesquisadores canadenses que têm observado as evidências de uma queda de até 2oC nas temperaturas nas Pradarias do país, nas últimas décadas, em um artigo postado no fórum científico digital OPAST (“É a atividade solar em queda prejudicial à agricultura das Pradarias canadenses?”). Os autores, Ray Garnett, Madhav Khandekar and Rupinder Kaur, são veteranos pesquisadores das implicações climáticas para a agricultura, tendo Khandekar mais de meio século de experiência como meteorologista da Environment Canada, a agência ambiental do país.

O resumo do trabalho é bem mais preocupante do que os cenários hipotéticos dos “aquecimentistas”:

Durante os meses de cultivo de grãs de maio-julho, a temperatura média das Pradarias canadenses diminuiu em 2oC nos últimos 30 anos. O resfriamento parece ser, muito provavelmente, ligado à diminuição da atividade solar, na medida em que o Sol se aproxima de um Grande Mínimo Solar, na próxima década ou em torno dela. Este resfriamento tem levado a uma redução nos Graus-Dia de Desenvolvimento (GDD) e também tem impactado os padrões de precipitação. Os GDDs, em conjunto com as médias de temperatura e precipitação, são parâmetros importantes para o crescimento de vários tipos de grãos (trigo, cevada, canola etc.), nas Pradarias.

Neste estudo, nós investigamos o impacto dos GDDs declinantes e dos padrões associados de temperaturas e precipitações sobre os rendimentos e a qualidade dos grãos nas Pradarias. A nossa análise mostra que houve uma perda de cerca de 100 GDDs no período 1985-2019. A perda de GDDs também está ligada a alguns dos parâmetros atmosfera-oceanos de grande escala, como a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) Índice do Pacífico Norte (IPN) e Oscilação Ártica (AO). A nossa análise sugere que os rendimentos e a qualidade dos grãos poderão ser significativamente impactados nos próximos anos, na medida em que a atividade solar continua a diminuir. [Grau-dia é a diferença entre a temperatura média diária e a temperatura base exigida por uma determinada espécie vegetal cultivada; temperatura base é a temperatura abaixo da qual a planta tem o seu crescimento interrompido. – n.e.]

O texto é técnico e leitores leigos terão dificuldades com vários conceitos e análises, mas os autores apontam, inequivocamente, para a influência da atividade solar como o fator crucial da variabilidade climática: “Muitos cientistas solares são, agora, de opinião que o Sol é o fator primário do clima da Terra.”

Entre os gráficos apresentados, destacam um que retrata a atividade solar no período 1900-2018, semelhante a este abaixo, que atinge 2020. E ninguém menos que a NASA (Agência Nacional de Aeronáutica e Espaço) prognostica que o próximo ciclo solar “será o mais fraco dos últimos 200 anos. O máximo deste próximo ciclo – medido em termos do número de manchas solares, uma medida padrão do nível de atividade solar – poderá ser 30-50% inferior ao mais recente. Os resultados mostram que o próximo ciclo começará em 2020 e atingirá o máximo em 2025 (NASA, 12/06/2019)”.

Fonte: SIDC-Observatório Real da Bélgica.

As conclusões não necessitam de maiores conhecimentos técnicos para ser entendidas em sua essência:

(…) Com base em uma média de nove ciclos de atividade solar durante o século XX, espera-se que ela se mantenha muito baixa nos anos agrícolas 12 (2021) e 13 (2022). (…) Também se revela a influência de fatores atmosféricos-oceânicos, como a ODP, nos GDDs nas pradarias canadenses, nos meses de maio e junho-julho. Em essência, a baixa atividade solar, uma ODP negativa, a fase do El Niño e da ENSO [El Niño-Oscilação Sul] e uma PNA [Conexão Pacífico-América do Norte] negativa, nos meses anteriores à estação de cultivo e durante a mesma, podem produzir resfriamento e chuva em escesso, que resultam em produtividade e qualidade inferiores. (…) Na medida em que o Sol se aproxima de um Grande Mínimo Solar, há o risco de que as Pradarias canadenses se tornem mais frias, o que é prejudicial ao crescimento e à qualidade dos grãos. Este estudo também levanta questões sobre perdas de GDD em outras áreas agrícolas de latitudes altas do Norte da Europa, Sibéria e áreas ao Sul da Argentina e do Chile.

Como se vê, os autores não fazem qualquer menção às concentrações crescentes de COe outros dos temidos “gases de efeito estufa”, como fatores relevantes para o clima das Pradarias canadenses.

Todo o cenário criado em torno das mudanças climáticas, com a correspondente agenda da “descarbonização” da matriz energética mundial, se baseia na tese de que as emissões de carbono das atividades humanas estariam provocando um aquecimento atmosférico global, invariavelmente, ao qual se atribui uma coleção de supostos efeitos deletérios que se assemelha a uma antiga lista telefônica.

Apesar de ser apresentada como se fosse resultante de um alegado “consenso” científico, a tese jamais foi comprovada com evidências do mundo real, já que as oscilações das temperaturas atmosféricas e oceânicas e dos níveis do mar observadas nos últimos dois séculos não demonstram qualquer anomalia, em relação às registradas anteriormente, no passado histórico e geológico. Sem tais anomalias, é simplesmente impossível se apontar qualquer vestígio de influência humana na dinâmica climática global, simples assim.

Isso, porém, não impede que toda uma agenda política, econômica e empresarial tenha sido montada, nas últimas décadas, em torno da ideia fixa de que o planeta estaria esquentando. No âmbito global, o empenho caminha no sentido de “zerar” as emissões líquidas de carbono (em especial, dióxido de carbono/CO2 e metano/CH4), em algum ano de referência nas próximas décadas, de preferência, com metas mandatórias para todas as nações do planeta e com as necessárias imposições às atividades econômicas desenvolvidas dentro de cada uma delas. Em essência, uma autêntica ditadura “carbônica”, que imporia fortes limitações às políticas de desenvolvimento nacionais.

Recentemente, os temores com a alta dos termômetros têm ganhado uma conotação que beira a histeria, com toda sorte de prognósticos apocalípticos sobre uma hipotética incapacidade de a humanidade tolerar uma alta de um ou dois graus centígrados nas temperaturas médias globais. Vale recordar que a civilização como a conhecemos tem se desenvolvido dentro de um breve intervalo quente, o Holoceno, iniciado há 11.600 anos, um dos oito períodos quentes de 10-12 mil anos (interglaciais) que têm sucedido os oito períodos glaciais (cujas temperaturas médias são 10-12oC inferiores às atuais) de cerca de 90 mil anos de duração, que têm se sucedido nos últimos 800 mil anos da história do planeta. Ainda assim, mesmo dentro do Holoceno, a humanidade tem convivido com períodos mais quentes e com níveis do mar superiores aos atuais, que ocorreram com níveis de CO2 consideravelmente inferiores aos de hoje.

A divergência fundamental entre as projeções dos modelos matemáticos de clima e o mundo real é que os primeiros se baseiam em algoritmos que dão um peso irreal aos compostos de carbono, principalmente, o CO2. Por sua vez, há milhões de anos, o clima terrestre tem sido determinado por uma complexa interação entre uma variedade de parâmetros, que incluem a atividade solar, variações da órbita e do eixo terrestre, distribuição das massas oceânicas e continentais, correntes marinhas, relevo e muitos outros, em geral, bastante subestimados nos modelos climáticos que sustentam o aquecimento “antropogênico”. Por isso, tais modelos não passam de exercícios acadêmicos que jamais deveriam ser usados para orientar políticas públicas de tamanho alcance.

Assim, a perspectiva de que o planeta pode estar encaminhando-se para mais um período frio poderá ser uma surpresa para os que preferem privilegiar os modelos teóricos, em detrimento das observações do mundo real. Não se trata de um novo período glacial pleno, mas de algumas décadas de temperaturas bem mais baixas do que as mais recentes, cujas consequências poderão ser bem mais sérias do que os cenários alarmistas sobre o aquecimento global, por exemplo, sobre as colheitas agrícolas. Igualmente, não se tratam de especulações sem fundamento, mas, como se viu no artigo citado, de observações concretas feitas por pesquisadores e agências oficiais de países do Hemisfério Norte, onde os períodos frios são mais intensos, devido à maior proporção entre massas continentais e oceânicas.

Os registros históricos sugerem que os períodos frios sempre criaram muito mais problemas para a humanidade do que os quentes. Assim, as consequências da presente histeria global com uma elevação de temperaturas, que não difere em nada dos ciclos climáticos observados nos últimos milênios, poderão ser desastrosas, se se confirmarem os prognósticos de estudos como esse e numerosos outros, baseados na observação do mundo real. Por isso, é de bom alvitre que a humanidade – ou, pelo menos, alguns dos seus representantes mais lúcidos – comecem a preparar um Plano B.

Ademais, vale observar que, em um tal cenário, a produção do Cerrado brasileiro ganha uma importância reforçada.

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