Ou o Brasil reduz os juros, ou os juros destroem o Brasil

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“Artigo originalmente publicado na coluna Fatos & Comentários” do jornal Monitor Mercantil.

Pouco divulgado pela mídia conservadora, bem diferente do badalado Impostômetro, da Associação Comercial de São Paulo, o Jurômetro, mantido pela Fiesp, bateu a marca de R$ 450 bilhões em juros pagos pelo governo este ano. Com esta montanha de dinheiro seria possível construir 430 mil escolas, construir 6,9 milhões de casas populares, realizar 118 milhões de ligações de esgoto, conceder 1,7 bilhão de benefícios do Bolsa Família ou construir 277 mil quilômetros de rodovias (a malha rodoviária brasileira pavimentada soma pouco mais de 213 mil quilômetros). No ritmo em que vai, o país pagará mais de R$ 523 bilhões em juros até o final do ano.

Os números são impressionantes, ainda mais quando comparados com os anos anteriores: até 2 de dezembro de 2014, haviam sido torrados com juros R$ 253 bilhões. Na mesma data de 2013, eram R$ 226 bilhões. Somente a diferença entre um ano e outro, de R$ 27,2 bilhões, daria para comprar, na ocasião, mais de 90 milhões de cestas básicas, pagar 37,6 milhões de salários mínimos ou 102 milhões de bolsas-família.

Se admitíssemos que o governo repetisse a já abusiva conta de 2014, somente a diferença que sobraria daria para construir, em 2015, algo em torno de 300 aeroportos, ou 82 mil quilômetros de ferrovias, ou realizar 100 milhões de ligações de água.

Enquanto você lia este texto, a conta com juros aumentou em R$ 1 milhão.

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