Os “sem esgoto” no mundo

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No dia 21 de março, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) declarou que a água, a energia e a segurança alimentar estão estritamente ligadas, pois o cuidado com os recursos hídricos é um aspecto crucial na luta contra a fome. A declaração foi feita por ocasião da comemoração do Dia Mundial da Água, no dia 22, e cujo foco este ano foi a relação entre água e energia, destacando que a energia hidrelétrica representa 16% de toda a energia gerada no mundo.

“Temos que compreender a interdependência que existe entre a água, a energia e a segurança alimentar, 75% do uso industrial da água é destinado à geração de energia. Se não gerenciarmos de maneira sustentável este recurso vital, não vamos conseguir avançar na erradicação plena da fome”, destacou Eve Crowley, representante regional adjunta da FAO. De fato, 780 milhões de pessoas não têm acesso à água potável, 1,3 bilhão não têm acesso à eletricidade e 2,5 bilhões não dispõem de serviços de saneamento (ONU Brasil, 27/03/2014).

Especialistas estimam que o consumo mundial de água pode ultrapassar em 44% os recursos anualmente disponíveis, por volta de 2050, e a demanda de energia pode se ampliar em 50% no mesmo período. A agricultura é a principal atividade humana em consumo de água doce (70% da demanda total), enquanto os usos doméstico e industrial representam 17% e 13% do consumo, respectivamente.

A FAO destacou ainda que a água demanda energia para ser purificada, transportada, pressurizada e depurada, enquanto a maioria dos meios de geração de energia consomem água, seja na refrigeração, extração, entre outros. Isto demonstra a interdependência entre água e energia, que, juntas, têm uma influência importante nos sistemas alimentares. Por isso, a entidade orientou aos governos nacionais que criem políticas energéticas que compreendam a importância fundamental da água e incluam programas que atentem para a relação entre a produção de alimentos, a geração de energia e a sustentabilidade dos recursos hídricos.

Na América Latina e no Caribe, ainda existem 35 milhões de pessoas sem acesso à água potável, além de 100 milhões sem serviços de saneamento. Segundo o Banco Mundial, na América Latina, 45% da água é perdida antes mesmo de chegar ao consumidor. A região é alvo de uma crescente pressão dos recursos hídricos, inclusive por fatores climáticos (como secas e inundações) e por atividades econômicas que demandam muita água, como a mineração. Além disto, e apesar de ser uma região rica em recursos energéticos (incluindo grandes reservas de hidrocarbonetos), tem cerca de 34 milhões de pessoas ainda sem acesso à eletricidade.

Trata Brasil: falta de saneamento impacta na educação

O mais recente estudo publicado pelo Instituto Trata Brasil (ITB) e pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em março último, aponta que a falta de saneamento básico nas cidades brasileiras tem impactos negativos em áreas como educação, saúde, trabalho, renda, turismo, entre outros. Segundo o documento, a falta de água tratada e de acesso a redes de esgoto provoca um grande impacto no aprendizado de crianças e jovens.

Isso se deve à propagação de doenças relacionadas ao consumo de água contaminada, tais como as infecções gastrointestinais, que levam à diarréia e vômitos, resultando na queda do rendimento dos alunos. O relatório aponta que, em média, estudantes sem acesso a serviços de saneamento básico têm um atraso escolar maior que aqueles com as mesmas condições socioeconômicas, mas que contam com tais serviços. A universalização o acesso à água tratada e a redes de esgoto reduziria em 6,8% o atraso escolar, apontam os autores do estudo, o que permitiria uma ampliação considerável da escolaridade média do brasileiro, com efeitos positivos sobre a produtividade, trabalho e renda (Blog Educação, 28/03/2014).

O documento exibe ainda um ranking internacional de saneamento, com 200 países, no qual o Brasil está situado na 112ª posição. Com efeito, a posição brasileira é inferior às médias da América do Norte, da Europa e de alguns países africanos e do Oriente Médio, cuja renda per capita média é inferior à brasileira. O relatório estima que mais de 14 milhões de residências brasileiras não têm água encanada, e que 35 milhões de pessoas vivem sem coleta de esgoto. Para universalizar o saneamento básico no Brasil, o estudo estima o tamanho do desafio: o investimento necessário seria de pouco mais de 300 bilhões de reais, até 2033.

One comment

  1. Com certeza não deve ter faltado água para construir os estádios bilionários para a copa. Copa que, aliás e diga-se de passagem, não é do anseio popular. Infelizmente não chegaremos a parte alguma como neste caso, em
    que nosso país está dando atenção para uma coisa que não vai melhorar em nada a situação do povo brasileiro. O governo precisa enxergar que o povo precisa disso e muito mais abrangendo saúde, educação e segurança. Acorda Brasil!!!!

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