O quinto "recado" fraudulento do IPCC

A despeito dos crescentes questionamentos aos cenários catastrofistas criados em torno da inexistente influência humana na dinâmica climática global, a “indústria do aquecimentismo” continua movimentando valores anuais da ordem das centenas de bilhões de dólares, em créditos de carbono, equipamentos, serviços, verbas para pesquisas, viagens e mordomias internacionais e uma pletora de vantagens usufruídas pelos seus participantes.

Como muitas outras atividades humanas que se institucionalizam, toda essa estrutura montada em torno de um fenômeno que jamais foi comprovado por evidências científicas reais se converteu em um fim em si próprio, cujo objetivo principal é a sua autopreservação. Por isso, não admira que os redatores do recém-divulgado Quinto Relatório de Avaliação (AR5) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) tenham se empenhado em sustentar o mantra alarmista sobre a necessidade de se promover uma “descarbonização” da matriz energética mundial, sob pena de o planeta vir a incorrer em uma sucessão de catástrofes induzidas pela alta das temperaturas atmosféricas globais.

Um boletim de imprensa divulgado pelo IPCC, em 13 de abril, oferece uma amostra do “recado” transmitido pelo órgão:

Um novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) mostra que as emissões globais de gases de efeito estufa aumentaram em níveis sem precedentes, a despeito de um número crescente de políticas para reduzir as mudanças climáticas [sic]. As emissões aumentaram mais rapidamente entre 2000 e 2010 do que em qualquer das três décadas precedentes.

(…) Seria possível, usando um vasto conjunto de medidas e mudanças de comportamento, limitar o aumento das temperaturas médias globais a 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais. Porém, apenas grandes mudanças institucionais e tecnológicas proporcionarão uma chance melhor do que razoável de que o aquecimento global não exceda este limite.

O relatório… é o terceiro publicado pelos três Grupos de Trabalho [do IPCC], que, juntamente com um Relatório Síntese, que será publicado em outubro de 2014, constituem o Quinto Relatório de Avaliação do IPCC sobre as mudanças climáticas. O Grupo de Trabalho III é dirigido por três copresidentes: Ottmar Edenhofer, da Alemanha, Ramón Pichs-Madruga, de Cuba, e Youba Sokona, do Mali.

“Políticas climáticas em linha com a meta de dois graus Celsius necessitam vista substanciais reduções de emissões”, disse Edenhofer. “Há uma mensagem clara da Ciência: para se evitar uma interferência perigosa com o sistema climático, precisamos sair dos negócios como sempre”.

Os cenários mostram que, para se ter uma chance provável de limitar o aumento da temperatura média global a 2 graus Celsius, isto significa reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa entre 40% e 70% sobre os níveis de 2010, até a metade do século, e a quase zero até o final deste século. Uma mitigação ambiciosa pode requerer, até mesmo, a remoção de dióxido de carbono da atmosfera.

Nestes cinco parágrafos, está sintetizada a mensagem principal do IPCC: ou a humanidade reduz drasticamente o uso dos combustíveis fósseis – carvão mineral, petróleo e gás natural -, responsáveis pelo grosso das emissões de carbono, ou as temperaturas atmosféricas ultrapassarão o limite de 2 graus centígrados, além do qual a Ciência prognostica uma sucessão de desastres meteorológicos e geofísicos.

Para reforçar, o IPCC destaca o questionável conceito do “orçamento de carbono” (carbon budget, em inglês), a quantidade teórica de carbono que a atmosfera terrestre poderia suportar, para limitar o alegado aquecimento a 2 graus centígrados. Segundo a avaliação do órgão, a humanidade já teria ultrapassado a casa de 50% de tal “orçamento” e, portanto, será necessária uma ação imediata para que ele não seja superado.

Felizmente, para a humanidade, a prescrição do IPCC padece de um “pecado original”: a falta de base científica, que tem se repetido desde o primeiro relatório do órgão, publicado em 1990. A leitura das 28 páginas do “Resumo para formuladores de políticas” (Summary for Policymakers) do Grupo de Trabalho I, alegadamente responsável pelas evidências físicas do fenômeno, oferece afirmativas como as seguintes:

A influência humana no sistema climático é clara. Isto é evidente pelas crescentes concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, o forçamento radioativo positivo, o aquecimento observado e o entendimento do sistema climático (p. 13).

A influência humana foi detectada no aquecimento da atmosfera e dos oceanos, em mudanças no ciclo global da água, em reduções na neve e no gelo, na elevação do nível médio do mar e em mudanças em alguns extremos climáticos. Estas evidências da influência humana aumentaram desde o AR4 [publicado em 2007 – n.e.]. É extremamente provável que a influência humana tenha sido a causa dominante do aquecimento observado desde meados do século 20 (p. 17).

O documento define “extremamente provável” como sendo uma probabilidade igual ou superior a 95%.

O único problema, como tem sido recorrente desde o primeiro relatório do IPCC, é que a argumentação usada para apoiar a alegada influência humana na dinâmica climática exclui, totalmente, as evidências físicas observadas no mundo real, que demonstram, de forma categórica, que as variações de parâmetros como as temperaturas e os níveis do mar, observadas desde a Revolução Industrial do século XVII (quando a humanidade começou a usar combustíveis fósseis em grande escala), não mostram quaisquer anomalias, quando comparadas com as variações anteriores, no passado histórico e geológico. Sem tais anomalias, é cientificamente impossível distingui-las das variações naturais registradas no planeta ao longo das últimas centenas de milhares de anos, que têm se caracterizado por uma sucessão de períodos glaciais intercalados por períodos interglaciais mais quentes, como o atual, iniciado há cerca de 11.700 anos.

Em síntese, vale enfatizar a afirmativa, que até agora não recebeu qualquer contestação válida: não há quaisquer evidências científicas concretas de que as mudanças climáticas dos últimos dois séculos sejam anômalas, em relação às observadas anteriormente. Enquanto tais evidências não forem apresentadas, não se poderá falar de uma influência humana distinguível na dinâmica climática global (à diferença da observada nas cidades, com o chamado efeito das “ilhas de calor”). E, principalmente, não se poderá justificar cientificamente a agenda da “descarbonização” da matriz energética mundial, cujas motivações devem ser buscadas em uma agenda de interesses ideológicos, políticos, econômicos e acadêmicos restritos, à qual a verdadeira Ciência é alheia.




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